Farofa de Domingo #008: Kiss – Lick it Up (1983)

No final de 1978, o Kiss estava no topo do mundo: todos os quatro membros do famoso grupo de pinturas faciais lançaram álbuns solo em uma das mais extravagantes demonstrações de poder de marketing da história do rock. Entretanto, cinco anos depois, e com apenas metade daqueles integrantes na banda, o Kiss vivia um momento em que sua credibilidade estava em baixa e era questionada pelos fãs e pela crítica. Os albuns “Dinasty”, “Unmasked” e “Music from The Elder” foram muito mal nas vendas, suas músicas não eram curtidas nos shows, sem contar o péssimo e embaraçoso filme “Kiss Meets the Phantom of the Park”. A redenção veio com o sensacional “Creatures of the Night”, que flertava novamente com o som pesado do passado, mas ainda sem obter a repercussão que a qualidade do trabalho merecia. As cicatrizes deixadas pelos últimos anos ainda não estavam curadas.

A imagem da banda estava ainda muito desgastada e era preciso se arriscar para retomar o sucesso comercial dos primeiros anos. E sejamos francos, se tem uma banda que sempre deu muita importância ao lado comercial da carreira é justamente o Kiss. Retomar o som pesado era necessário. Esse objetivo foi alcançado, mas não o suficiente. Havia um novo cenário se formando no rock, onde o som pesado era intercalado por baladas, solos de guitarra, música com refrões poderosos e um visual bem diferente do que o Kiss adotava. Então foi dada a cartada que era previsível desde os primeiros álbuns e que poderia reacender o interesse do público pela banda: retirar as maquiagens e adotar um visual farofa que pudesse atrair o público que, naquele momento, lotava os shows do Motley Crue, Van Hallen, Dokken, etc.

E assim a dupla Gene Simmons e Paul Stanley se debruçou em seu novo álbum, que marcaria o renascimento da banda. O guitarrista Vinnie Vincent, com seus poderosos solos de guitarra tem uma participação decisiva e de destaque em quase todas as faixas do disco, principalmente construindo os riffs e boa parte dos arranjos. Infelizmente, essa ascensão de Vincent, associada ao seu próprio temperamento (há versões que indicam que ele era muito prepotente e se gabava de ser o responsável pelo ressurgimento da banda), provoca um choque com a dupla que realmente mandava e que levou à sua demissão após o encerramento da turnê. No ano seguinte ele voltaria e, logo depois,foi demitido novamente porque ninguém aguentava mais a duração exagerada dos solos que ele improvisava nos shows (saindo do roteiro) e as porradas que comiam soltas depois dos shows quando Paul Stanley invadia o camarim de Vincent para cobrar dele que fizesse o combinado.

LICK IT UP é o primeiro álbum do Kiss em sua fase farofa – fase esta que durou pouco mais de 10 anos. A capa do álbum traz a foto clássica que revela a identidade de cara limpa dos membros do KISS num fundo branco. A partir daí o grupo abraça os vídeos e programas de entrevistas da MTV. As vendas e a bem sucedida turnê mostram que a banda acertou.

Em uma entrevista para o KISSology 2, Paul Stanley declarou: “Naquela época as pessoas estavam ouvindo com os olhos em vez dos ouvidos, principalmente porque Creatures of the Night era indiscutivelmente um álbum melhor do que Lick It Up”. E completou: “A única razão pela qual eu acho que Lick It Up vendeu QUATRO VEZES MAIS do que Creatures of the Night foi porque nós tiramos a maquiagem. Essa foi a única razão“. Talvez, isso explique a razão daquele famoso baterista ter declarado a seguinte frase após o show da banda em Kubacanan: “Se as pessoas soubessem o que aconteceu naquele estúdio, ficariam enojadas”…

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