Farofa de Domingo #010: Helix – No Rest for the Wicked (1983)

Talvez você nunca tenha ouvido falar na banda Helix. Mas com certeza você já ouviu falar de Michael J Fox. E de Jim Carrey. E de Tracy Lords. O que todos estes nomes poderiam ter em comum? Calma, que eu te explico.

Com o metal farota crescendo e faturando fortunas nos anos 80, o Canadá percebeu que também precisava de uma banda para chamar de sua. Enquanto no mundo inteiro os cabelos cresciam e adolescentes embarcavam no expresso calça de couro, o Canadá apenas acompanhava a moda de longe, em seu jeans azul desbotado e suas botas de trabalho, ainda ouvindo Max Webster e limpando a neve. Na realidade, o “som” canadense era AOR, inalterado e inabalável desde meados dos anos 70, ilustrado por April Wine, Loverboy, Honeymoon Suite, Coney Hatch, Brighton Rock, etc. Mas em 1983, o ano em que o metal realmente explodiu em todo o mundo, AOR simplesmente não era suficiente. O Canadá precisava de seus próprios heróis do metal para entrar no mapa do hard rock. E acontece que eles já os tinham, o tempo todo.

A Helix foi formada ainda nos anos 70 em Ontário. Era uma banda diferente. Tinha um mestre de cerimônias apresentando a banda sempre vestindo smoking, antes de seus shows era comum a apresentação de comediantes em stand up comedy. Em seu início de carreira, Jim Carrey era presença certa nestes shows, até por ser um grande fã da banda. De rumo incerto, a banda passou por uma quantidade estonteante de mudanças de formação durante seus anos de consolidação. Antes de ser um astro que viajava no tempo, Michael J Fox fez um teste para entrar na banda, primeiro como vocalista, depois como baixista, mas nunca se firmou. O vocalista Brian Vollmer era a alma da banda, fundador e o único a permanecer após todas as mudanças de formações. Após o lançamento de dois álbuns de sucesso apenas regional, em 1983 a banda finalmente conseguiu um contrato com a Capitol, que transformou sua imagem roqueira dos anos 70 em algo um pouco mais Sunset Strip. E assim surgiu “No Rest For the Wicked”!

O álbum foi um sucesso comercial, e rapidamente o Canadá trocou seu jeans desbotado pelo couro preto. O sucesso interno rapidamente se expandiu para o resto da América, onde venderam milhões de discos e fizeram turnês com quase todo mundo, do Kiss ao Mötley Crüe. A banda ainda está junta após 40 anos e, embora possam ter atingido o pico em 1984, eles mantêm uma carreira constante e saudável em casa. Seguindo uma dica do Twisted Sister, há anos eles fazem turnês de Natal por todo o Canadá, tocando seus sucessos e também clássicos de natal metálicos. Não é o mais glamouroso dos finais de carreira, mas é algo bem canadense, pelo menos.

Mas…e Tracy Lords? Eu sabia que você não esqueceria dela. No lançamento do video de “Gimme Gimme Good Lovin” duas versões foram criadas: uma versão sem censura apresentando mulheres seminuas e de topless, e uma versão censurada disponibilizada para os mercados de mídia mais convencionais, como a MTV. O final de ambas as versões do vídeo traz o comediante Rip Taylor sentado em uma motocicleta rodeado pela banda e todas as modelos (a maioria atrizes pornôs) acenando adeus. Mas a grande polêmica é que a modelo de maior destaque no vídeo era a então estrela em ascensão Traci Lords que, na época, estava com apenas 16 anos!!!

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