Mr Hyde Ouviu: “Efeito Bohr”!

Nosso célebre colaborador está de volta para falar de uma pérola nacional do rock progressivo! Você já conhece o Efeito Bohr? Pois saiba o que Mr Hyde achou do álbum!

As migalhas do Derby vermelho filadas de algum irmão de frustração cinismo e miséria espiritual se espalham pelo vento da tarde cinza enquanto TRIUNFANTE CAOS no volume máximo inicia com seu baixo marcado, ótimas guitarras e letra inaudível. Essa mistura de Moacir Santos com Pink Floyd. Excepcional cartão de visitas do álbum, deixando claro um sentimento que pode ser déja- vu ou larica, que estamos diante de um regresso ao rock progressivo.

EDEN é uma metáfora musical para a narrativa do livro de Genesis. Onde aprendemos que a moral do mito não é tanto sobre desobediência, mas sim de que o ganho de conhecimento sempre te expulsa de algum paraíso. A fruta da árvore do centro do jardim era é e será um papelote com padrões coloridos de hipercubo que colocamos sob a língua. Podemos ouvir Deus resmungando algo nos segundos iniciais da música e a guitarra em slide é a serpente que ironicamente ou não, só falou a verdade.

FRACTAL poderia ser uma parte dois de Triunfante Caos. Um fragmento dessa, um fractal, espiralando Fibonaccicamente.

NOS PERDEMOS NO CAMINHO. Óbvio ! Mesmo que houvesse mapa (e não há) erramos ao não entender que estar perdido nunca foi sobre não saber para onde ir mas perder completamente a noção de onde viemos. Também está perdido quem escuta discurso em inglês captando 8% ou menos do texto porque faltava aulas do CCAA para jogar Street Fighter e sequer passava da Chun-Li.

A instrumental ANNA , simula uma viajem onírica nas praias esmeraldas da Sardenha, onde Catherine Zeta-Jones sussurra em seu ouvido que tudo ficará bem. E você flana sob um céu vasto apontando com o dedo, a lenta dança das estrelas infinitas.

O BLUES DE UM JOÃO NINGUÉM. Originalmente pensada como um diálogo entre Noel Rosa e Robert Johnson (cujo extrato epistemológico seria definido no axioma “Os humilhados serão exaltados”) a Efeito Bohr teve que substituir por questões legais de domínio público, a voz do bluesman da encruzilhada pela participação de Bessie Smith. Progressivo é cultura, é erudição, é livro do Hermann Hesse, é pedantismo e ousadia.

O álbum se encerra com esse réquiem para um morador de rua em cortejo solitário de dia chuvoso na última quadra do Caju, cova rasa, sem flores. Os nomes de todos nós serão esquecidos em três ou quatro gerações, provavelmente menos. O ATO FINAL concluí com um baixo pós-punk e a agulha arranhando uma contagem média dos meses que fãs de progressivo gastam sabotando a própria vida pra tentar passar no ITA ou no IME.

Ótimo disco para o chá de cogumelo das 17h.

Nota: 8,5

Mr Hyde é deixado sozinho sem supervisão e sob efeito de barbitúricos em noite de lua cheia. Aí sai isso que vocês leram.

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ROBÔ POPSFÉRICO

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal. 2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei. 3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.