Mr Hyde Ouviu: “Senjutsu” – Iron Maiden

Confira a resenha de nosso colaborador Mr Hyde para o novo álbum do Iron Maiden! Prepare seu chá de ayahuasca, aperte os cintos e aumente o volume! Faixa-a-faixa, saiba o que nosso insano amigo achou de “Senjutsu”:

SENJUTSU – Inegavelmente é uma faixa interessante, muito graças ao trabalho do baterista Nicko McBrain. Mas sejamos apenas honestos, entraria na sua coletânea de Iron? Pois é. Até temos bons momentos como o belo riff em 3:47, atravessado entretanto por um Bruce Dickinson padecendo de uma das disenterias do Nomelck¹. Alguém disse que parecia Black Sabbath e é nessas horas que lembramos que o Leão do PROERD nunca pode descansar.

STRATEGO – Pocotó Pocotó Pocotó Pocotó, olha o riff cavalgado do Iron aí, gente! Pocotó Pocotó Pocotó, simbora boiadeiro! Tua vida se passa em Red Dead Redemption. Aluga um mangalarga na XXXVIII Festa da Colheita de Pipoca de Anápolis, esporeia o Trovoada até o sol poente!

THE WRITING ON THE WALL – Melhor música do disco. É Lynyrd Skynyrd + Bruce Dickinson. Ótimo refrão, solo convincente, tudo redondinho nessa. Valeu Iron, quando a seita se reunir na igreja da besta no Rock in Rio do ano que vem, vamos todos orar cantar essa.

LOST IN A LOST WORLD – Saca aquele sobrinho que vem te mostrar o que aprendeu nas primeiras aulas de violão ? Olha ele aqui. Aí de repente, do nada, somos tomados por um riff opacamente genérico e tu se pergunta pra que três guitarristas, afinal ? O encerramento sereno e melódico não a salva da obliteração.

DAYS OF FUTURE PAST – Sono, letargia, passiflora. Opa! 0:32 !!! Aê, miséria ! Até que enfim um riff com IDENTIDADE na desgraça do álbum ! Iron Maiden é uma banda de rock, aleluia!

THE TIME MACHINE – A voz teatralizada na intro funciona bem. A melodia é diferente e rica. Em 3:09 o Iron incorre no vício de se autoplagiar e arrisca arrastar a canção para o limbo do mais do mesmo, mas aos 4:32 temos surpresas positivas que transformam essa faixa com muita inteligência e um dinamismo incomum. Ótima música.

DARKEST HOUR – O espírito do álbum é sintetizado aqui. Há um refrão que se apresenta paradoxalmente bom e esquecível, a aura em torno de “Senjutsu” é essa, como se fosse ao mesmo tempo uma obra relevante e descartável. “Gostou?” Alguém te pergunta, e você dá um sorriso amarelo e muda de assunto.

DEATH OF THE CELTS – Climinha com o baixo, isso é tão Iron, né Harris ? Beba um Pilão extra-forte se for dirigir. E agora vem ela, claro, a melodiazinha da feirinha medieval hidromel vinte reais. “Ei Mestre, se meu Bardo tocar igual essa escala ( 5:15), será que o Dragonlich desmonta?”, “Rola o D20, bora ver”, “Avalon Foreveeeer!”

THE PARCHMENT – Quem curte Iron gosta de viajar em paisagens sonoras. Tradição é tradição. O camarada lasca farofa Yoki no prato e subitamente vê, são as areias do Saara derramadas de ampulhetas que inexoravelmente soterrarão o destino das civilizações. Força, beduíno de Curitiba! Tenha fé, alquimista de Petrolina! A próxima caravana de dromedários trazendo sua Sheherazade sob véus almiscarados não será uma miragem.

HELL ON EARTH – … … … … … … … …
“Sr Hyde? Obrigado por aguardar, peço que continue na linha mais um instante”
… … …
É compadre, esses call center são foda.
Mas espere aí. Quem é que tá vindo lá ??? Pocotó Pocotó Pocotó. É o Trovoada! Chega tá espumando, coitado, já perdeu duas ferraduras, mas esse bicho é valente, é puro sangue! Pocotó Pocotó Pocotó.
“Sr. Hyde, obrigado novamente por aguardar, deseja anotar o protocolo?”
“Não querida, obrigado, tenha um bom dia”.

Nota: 6,66

¹ = Nomelck: criatura mitológica originária da Ilha da Rainha da Morte, que se nutre de Itaipava e despeja morte e destruição em suas diarreias mortais.

Mr Hyde é fã de Megadeth, filosofia e boa cerveja – não necessariamente nessa ordem.

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