Jeremias – Alma. Mais uma fabulosa Graphic MSP

Graphic Msp - Jeremias: Alma | Amazon.com.br

Toda vez é sempre a mesma coisa: uma nova Graphic MSP sai na banca e eu repito pra mim mesmo que dessa vez não vai ser possível os caras me surpreenderam de forma alguma. Afinal, leio gibis da Turma da Mônica há 40 anos, certo?  

Errado mais uma vez! 

Jeremias – Alma, segunda edição produzida por Rafael Calça e Jefferson Costa, novamente protagonizada por Jeremias, o primeiro (e por muito tempo o único) representante da cultura negra dentro da Turminha da Bairro do Limoeiro, traz à tona uma verdade indigesta que parece ser ocultada, suprimida de nossa história. 

Franjinha irá de férias para a Itália. O seu sobrenome indica que ele teve antepassados lá, talvez até uma família. Hoje, 56% dos brasileiros se declaram negros ou pardos. Isso significa que mais da metade de nossos cidadãos não sabe quais são suas origens africanas. São obrigados a declarar o óbvio, que suas origens estão bem fincadas no imenso continente africano, o que lamentavelmente suprime culturas inteiras. Os nomes de suas famílias foram esquecidos, tomados dos negros quando aqui desembarcavam e eram comprados, recebendo assim o nome de seus novos donos. Enquanto isso um garoto chamado Mbappé conquistou o título mundial de futebol defendendo a…França!  

Jeremias – Uma história de luta, aprendizado e empoderamento negro | O  Barquinho Cultural

Jeremias então vive uma pequena busca por sua origem. Procura alegria em fotos antigas de sua família, tem uma boa conversa com sua avó e ouve uma linda história contada por uma Griô, uma espécie de contadora de histórias para que elas nunca morram.  

Há no gibi um personagem antagonista, que tenta ridicularizar Jeremias e sua cultura, mas eu não quero falar dele. Prefiro dizer o quanto me alegrou as retratações de Titi, Franjinha, Aninha e outros, totalmente desprovidos de qualquer tipo de preconceito. 

Muito bacana reconhecer um certo lugar que foi muito importante em outra Graphic MSP – e ainda uma das minha prediletas: a do Bidu! Destaque também para as lindas páginas que retrataram o conto da Griô e, nele, a participação espetacular de Papa-Capim.

O Brasil deve muito à cultura negra. Nossa alegria, nossa música, nossa culinária, nosso comportamento acolhedor. Tudo isso é “nosso” porque eles não se importaram em dividir. Somos um país branco e preto e deveríamos ter, todos, as mesmas oportunidades e tratamento em todos os lugares e situações.

Uma história em quadrinhos como Jeremias – Alma é uma poderosa ferramenta para a construção desse quadro.

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