Farofa de Domingo #006: Scorpions – Blackout (1982)

“Heróis do Heavy Metal”. “Embaixadores do rock”. Estas são algumas das alcunhas atribuídas aos alemães da banda Scorpions. Não começaram nos anos 80, não começaram como uma banda farofa, não foram forjados na Sunset Strip ou na cena metal inglesa. E ainda assim são assumidamente reconhecidos como influenciadores de bandas de sucesso como Guns N’ Roses, Mötley Crüe, Def Leppard, Skid Row, Cinderella, Hanoi Rocks e outros menos relevantes como Metallica e Megadeth. Sim, essa pescaria foi gratuita.

Depois de uma década de relativo sucesso, a banda vê sua popularidade disparar após se acertar com o produtor Dieter Dierks e lançar os albuns “Lovedrive” (1979) e “Animal Magnetism” (1980). Entretanto, a ânsia de surfar o melhor momento da carreira era confrontada pelos limites físicos. O carismático vocalista Klaus Meine perdeu sua voz após duas turnês extremamente cansativas e precisava da realização de uma delicada cirurgia – cujos resultados eram imprevisíveis para a medicina da época – para tentar seguir a carreira.

A banda vivia um momento de incerteza e esperou um tempo por ele, mas depois optou por gravar seu disco seguinte, que teria um estilo mais moderno, mais próximo daquele “novo metal” que surgia nos anos 80, e contratou o vocalista Don Dokken (sim, aquele da futura banda “Dokken”) para fazer os vocais. As primeiras gravações foram tão promissoras que Klaus Meine acelerou sua fase de recuperação e reapareceu para a gravação do álbum. O timbre de sua voz estava ligeiramente alterado, agora ligeiramente mais rouco, mas que combinava perfeitamente com o tipo de música que a banda agora estava disposta a fazer.

“Blackout” é o oitavo álbum de estúdio da banda alemã Scorpions e vendeu mais de um milhão e 200 mil cópias só nos US, Canada e França. A nova sonoridade marcada pela combinação da guitarra rítmica de Rudolf Schenker e a voz singular de Meine faziam toda a diferença, principalmente nas arenas de shows.

Alguns puristas poderiam dizer que “Blackout” encerra uma era em que o Scorpions era irretocável. Mas para nós, amantes da melhor vertente musical da história da música, a verdade é que “Blackout” é a porta de entrada do Scorpions no Panteão dos Deuses farofeiros, o que seria comprovado pelos álbuns que se seguiram ao longo da década de 80.

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