Batman – Three Jokers #1 – A Resolução Está Próxima?

Há muuuito tempo atrás, numa galáxia distante, o roteirista Geoff Johns acenou com uma grande reviravolta na mitologia do Homem-Morcego: seu mais temido inimigo, o Coringa, não era apenas um homem… E sim três! Levou quatro anos, mas finalmente chegou às bancas Three Jokers #1, o gibi que promete esclarecer como isso é possível!

Qual A Piada?

Três crimes acontecem simultaneamente em Gotham – e o Coringa os cometeu! Como ele pode estar em três lugares diferentes ao mesmo tempo? Isso é o que as três pessoas mais afetadas por suas ações, Batman, Batgirl e Capuz Vermelho, devem descobrir. Bárbara Gordon, a Batgirl, foi baleada e, incapaz de se defender, foi usada para uma tortura psicológica contra o comissionário Gordon. Depois de alguns anos presa a uma cadeira de rodas, ela mostra que nem todas as feridas cicatrizaram. Jason Todd, o Capuz Vermelho, foi o segundo Robin – até o dia que o Coringa o espancou cruelmente com um pé de cabra e depois o explodiu. Batman? Bom, o Cavaleiro das Trevas não conseguiu impedir nada disso, tendo visto várias outras tragédias e mortes pelas mãos do Coringa ao longo dos anos – e ele sente a culpa por cada vez que isso aconteceu.

A história, apesar de ser muito bem conduzida, presta tributo demais a outro clássico: “A Piada Mortal”, de Alan Moore e Brian Bolland, que não só conta a origem do Coringa (uma delas, pelo menos), como também mostra o ataque à Batgirl. Esse excesso de reverência acaba fazendo, por alguns momentos, que a história soe como um mero pastiche da original, visualmente falando – e olha que Jason Fabok é um desenhista espetacular! Mas, da mesma maneira que “O Relógio do Juízo Final”, também escrita por Johns, confunde homenagem com muleta narrativa, aqui vemos o talento do desenhista sendo desperdiçado pela tentativa de emular o que já foi feito anos atrás.

Qual A Graça?

Não dá pra negar que a trama prende o leitor, apesar de tudo. Os três Coringas se uniram por um objetivo comum e parecem perfeitamente à vontade com a ideia de terem se multiplicado nessa realidade. Aliás, o conceito do Coringa ser capaz de se lembrar de vidas passadas ou alternativas é algo que foi trazido pela primeira vez por Grant Morrison, na graphic novel “Arkham Asylum”. O Coringa não é realmente louco – o que ele tem é um tipo de super-sanidade, que permite se adaptar aos tempos modernos criando novas personalidades para si. Então, para o leitor, é natural que as três versões não estejam em guerra entre si. Todos têm aspectos familiares e fazer uma separação entre Era de Ouro, Era de Prata e Era Moderna não chega a resolver o enigma de quem é quem – apesar de termos diversos indícios.

Mas não pense que a ideia é só revirar a lata de lixo do Moore ou do Morrison: a ideia é trazer referências a todos os elementos que compuseram o Coringa em 80 anos de histórias. Até os peixes risonhos de Steve Englehart e Marshall Rogers estão lá – mas o que realmente faz o Coringa ser tão ameaçador é o fato de ele conseguir enxergar muito bem a psiquê de seus inimigos na batfamília. Ele sabe onde dói, ele sabe onde há mais medo, mais rancor e ressentimento. Os três coringas, ‘o Criminoso’, ‘o Palhaço’ e ‘o Comediante’ – seja lá qual for a diferença entre ‘palhaço’ e ‘comediante’ – vão trabalhar juntos pra jogar sal na ferida e, apesar de todas as referências a “Piada Mortal”, o primeiro a sentir o ataque psicológico do Coringa é Jason Todd, o que nos remete direto a “Morte em Família”, de Jim Starlin e Jim Aparo. O ataque com perigosos jogos mentais feito pelo Coringa é brilhante e o final é brutal, como você pode conferir nesse link.

“Continue Sorrindo”

Cronologia é uma coisa engraçada. Bruce Wayne não tinha mais cicatrizes em seu corpo desde “Superheavy”, de Scott Snyder e Greg Capullo – aqui ele está cheio delas. Cada uma conta uma história. Claro, é um problema menor se compararmos com o que aconteceu a Barbara Gordon e Jason Todd, mas esses, pelo menos, tiveram eventos explicados dentro da cronologia para a mudança. Não há nada a esse respeito sobre as cicatrizes de Batman – também não saberemos se a trama dos três Coringas envolve, de alguma forma, as manipulações do Dr Manhattan no Universo DC, como vimos em “Doomsday Clock”, ou mesmo se as consequências dessa história realmente serão duradouras. Cronologia é como a gravidade: basta um empurrão e…

Mas essa é apenas a primeira edição. Temos ainda muito espaço para a resolução do grande cenário que foi montado para explicar essa ponta solta da cronologia, deixada pelo próprio Johns anos atrás. Com seus altos e baixos, muitas perguntas e críticas, “Three Jokers” ainda é uma leitura muito boa e promissora – estaremos acompanhando pra onde isso vai em um mês – mas você já pode ver o preview do número 2 aqui!

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.