Gibis lá fora: Son of Kal-El #04!

Na coluna de hoje comentarei sobre “Superman: Son of Kal-El #04” que foi lançada na semana passada pela editora DC Comics.

Capa de Superman: SOn of Kal-El #04
Capa de Superman: Son of Kal-El #04

Tenho fugido de toda a polêmica que o gibi tem colecionado ultimamente para manter meu foco na história e narrativa de Tom Taylor. Porém é um fato incontestável que “Superman: Son of Kal-El” é um dos gibis mais fracos do roteirista e da atual fase da DC, Infinite Frontier.

Trama fraquíssima

Após 4 edições o que podemos sintetizar da trama desenvolvida do filho do Superman? Nada.

Tudo acontece ao acaso e é jogado de forma gratuita sem desenvolvimento algum. Já comentamos anteriormente aqui.

Exemplo?

Jon conhece o podcast de Jay Nakamura através de Damian Wayne com objetivo de abrir os olhos de verdade para o mundo. Em seguida o herói, ao tentar ter uma vida mundana na universidade, salva a vida do próprio Jay de um atentado terrorista, sem ele saber que é o garoto é o repórter do programa.

Novamente Nakamura aparece no arco e direciona o herói a salvar um barco de imigrantes ilegais em águas internacionais e logo em seguida se apresenta ao herói e assim começam uma amizade.

Viram? Tudo acontece de uma maneira superficial e sem cuidado algum com o leitor. Parece tudo tão armado e proposital que constrange por achar que o roteirista subestima a inteligência do leitor.

Acaso? Estou levando muito a sério entretenimento?

Pode ser.

Mas está evidente que a trama se embola em trabalhar causas sociais (imigrantes ilegais), com a criação de novos personagens e a introdução de um vilão do Wildstormverse no cast do Superman. Só que sem o sucesso que Taylor geralmente tem nos gibis.

Sinceramente, após ler muitos hqs de super-heróis nesses últimos anos, as vezes só queremos ser surpreendidos com histórias novas. Porém ultimamente só queria apreciar uma narrativa empolgante e com elenco de apoio carismático.

O que não acontece e me leva ao ponto seguinte.

Personagens sem sal e muito menos carisma

O gibi tenta mostrar que Jay é um grande repórter investigativo e que admira o trabalho de Lois Lane a ponto de tratá-la como sua heroína, porém falta algo no personagem que o faça ser querido ou ao menos interessante.

Personagens chatos e pretensiosos tem sido recorrentes no gibi
Personagens chatos e pretensiosos tem sido recorrentes no gibi

O fato de Taylor ter revelado na edição #4 que Jay é de Gamorra e é um humano modificado pelas experiencias feitas por Henry Bendix e que de alguma maneira fugiu também não ajuda. Isso não o torna nem um pouco atrativo. Já vimos dezenas de vezes esse tipo de tratamento.

Um personagem que deveria ter um baita potencial, porém escorre pelos dedos de Taylor por não definir o tom do personagem.

Ele é um repórter? Um herói? Um meta-humano? Um revolucionário? Um líder? Um manipulador? O interesse amoroso do Superman? Ou tudo junto?

Simplesmente incompreensível a falta de um direcionamento sólido para o personagem.

Não ajuda a edição lembrar que ainda existem os insuportáveis Aerie e Wink da encarnação anterior do Esquadrão Suicida escrita por Tom Taylor na continuidade do UDC pós Death Metal.

Participação de Aerie e Wink no gibi
Aerie e Wink

O casal também é de Gamorra e tinha o objetivo de aumentar o interesse no plot de refugiados do país. Sem sucesso, diga-se de passagem.

Até mesmo a participação da Liga da Justiça foi mal executada. Os personagens estão muito mal adaptados. Hipolita se comportando como um trator, batendo antes conhecer o adversário.

Único integrante com comportamento crível foi o Wally West, que após a batalha estava querendo dar conselhos sobre heróis que vestem o manto de sucessão.

Bendix é outro que mal aparece no gibi e quando aparece é para emular Lex Luthor com seus planos alá Cebolinha atacando infantilmente a fazenda da família Kent com seus meta-humanos de laboratório.

A DC não sabe o que fazer com Jon Kent

Particularmente acho que a DC não sabe o que quer com o Jon Kent. O personagem já passou por mãos muito competentes como Dan Jurgens, Peter Tomasi e Brian Michael Bendis.

Todo mundo queria mesmo era ver a Superfamília em ação
Todo mundo queria mesmo era ver a Superfamília em ação

Jurgens foi responsável por introduzir Jon num aspecto que seria muito interesse ao Superman, mostrá-lo como um pai de família. O autor foi extremamente bem-sucedido no intento.

Tomasi foi o responsável pela melhor versão do personagem até hoje. Fazendo Jon ter uma dinâmica sensacional com Damian Wayne em Supersons.

Bendis assumiu a franquia do Superman e resolveu envelhecer o filho do Superman, numa trama vazia e sem sentido que tinha a proposta de mostrar como Kal-El lidaria com o fato de não ter criado o próprio filho.

E finalmente temos Taylor tentando trabalhar a individualidade e relevância deste amadurecido Jon num UDC estranhamente familiar.

Entendem o que quero dizer? Em menos de 10 anos Jon já foi trabalhado de formas completamente diferentes sem ter solidificado suas qualidades como personagem.

O próprio comportamento do Superman no gibi do Taylor é bem incoerente, já que oferece a chance de Jon ser o Superman sem ele nunca ter sido um Superboy antes. No frigir dos ovos Clark esqueceu que seu filho tem apenas 17 anos?

Amadurecimento de Jon em Son of Kal-El

Este arco de abertura do Superman: Filho de Kal-El tem um tema central – mostrar Jon Kent crescendo. Isso não quer dizer que ele está maduro ou algo assim, mas sim que agora ele está enfrentando algumas das verdades mais difíceis do mundo real. Ou seja, passando pelo processo de amadurecimento forçado, já que se tornou Superman.

Quando Taylor escreve tramas de super-heróis, ele produz alguns dos quadrinhos mais envolventes e dinâmicos do mercado. No entanto, quando ele tenta envolver algo mais profundo, ele carece da profundidade e nuance necessárias que alguns desses tópicos precisam.  

Isso é uma deficiência do autor que fica muito claro quando tenta mostrar Jon lidando com dilemas internacionais ou o transformando num ativista, mesmo sendo um personagem que tem grandes poderes e responsabilidades maiores ainda.

Na prática o Jon está voando de um lado para o outro sem propósito aparente. Parece um peão rodando sem destino aparente, já que ao meu ver ele parece estar sendo manipulado pelo seu novo amigo.

Uma das provas que Jon precisa amadurecer, foi ele ter ido interrogar Bendix em Gamorra, mesmo Lois o aconselhando a lidar com sabedoria com questões políticas.

Pontos positivos

Nem tudo são falhas em Son of Kal-El e Taylor é muito bem-sucedido em mostrar Jon como um verdadeiro amálgama de seus pais. As qualidades inerentes dos personagens está bem evidente no personagem.

Você percebe presente no personagem a ingenuidade e seriedade de Clark/Superman e também a intensidade de Lois quando tenta resolver um problema. Ambas as qualidades claras como a água em um único personagem.

Arte muito mediana

Na edição #04 a DC Comics por algum motivo resolveu convidar Daniele Di Nicuola para substituir John Timms na arte interna da revista e a sensação de gibi ruim fica muito na cara.

Única pagina onde a arte fica legal
Única pagina onde a arte fica legal

O desenho de Timms suavizava muitos maneirismos de Taylor e embelezava os personagens com uma arte bem característica e limpa. Já Di Nicuola é bem diferente com um traço dinâmico e ágil porém com uma arte mais suja.

A arte não me agradou. Alguns gostam desse tipo de traço alá X-men porém eu acho que não combina com a proposta do gibi e não combinou com o roteiro do Taylor.

Conclusão!

“Superman: Son of Kal-El” se mostra uma bagunça completa.

O que me parece é que Taylor está mais perdido que cego em tiroteio. E me faz indagar se ele realmente se preparou para este título ou foi escolhido a dedo para execuções editoriais pontuais utilizando o Jon.

Por quê? O gibi não anda. A narrativa está muito ruim, o roteiro não sabe para onde vai, os personagens seguem mal adaptados e nesta edição em particular a arte está terrível.

Nem mesmo os diálogos, que são um dos pontos mais fortes de Taylor, não estão legais.

Só posso interpretar que Taylor não estudou o personagem corretamente e não tem planos sólidos em desenvolvimento. O gibi mais parece que está sendo usado pela DC Comics para chamar a atenção do público de outras maneiras que não seja a de mostrar uma boa história em quadrinhos.

Geralmente dou uma sequência de 6 a 7 gibis para um autor novo mostrar que pode acrescentar algo ao personagem. Do jeito que anda, se o gibi não melhorar rapidamente perderá um leitor das antigas logo, logo. E pensar que o próprio Taylor mostrou em menos tempo muito mais qualidade em outros gibis como o do Asa Noturna e do Batman.

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Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.