Gibis lá fora: minissérie do Sindicato do Crime!

Hoje na coluna “Gibis lá fora” vamos falar sobre a minissérie do Sindicato do Crime, que foi lançada pela DC Comics para a nova fase da editora: Infinite Frontier!

Após Death Metal ter chegado à sua conclusão, a DC achou que era hora de lançar uma mini com a origem do Sindicato do Crime. Um novo começo após Death Metal!

Lembra deles? O grupo é uma versão bizarra, violenta e criminosa da Liga da Justiça.

Sindicato do Crime de Andy Schmidt veio pra ficar?
Sindicato do Crime de Andy Schmidt veio pra ficar?

A minissérie em 6 edições tratou de desenvolver a origem da união dos meta-humanos mais poderosos da Terra-3, que dominaram o mundo como verdadeiros despostas.

O gibi tem alguns pontos positivos e outros negativos, que falaremos a seguir.

Até certo ponto, é interessante conhecermos esse “Ano 1” do Sindicato do Crime. Afinal de contas a DC Comics, de tempos em tempos, faz o favor de retconear a equipe. Ao menos desta vez, pareceu se importar a ponto de criar uma origem.

Um Ano 1 interessante para o Sindicato

Uma das melhores formações do Sindicato
Uma das melhores formações do Sindicato

Uma referência que achei bacana foi a origem do Sindicato estar associada com a invasão de Starro – fato semelhante à da Liga da Justiça, apresentada em The Brave and the Bold #28.

A invasão de Starro no gibi também foi o estopim para o surgimento de poderosos meta-humanos na realidade do Sindicato, o que me fez lembrar do evento dos anos 90, a Invasão!

Reconhecemos uma bela referência
Reconhecemos uma bela referência

Também ficou claro que esta versão da Terra-3, apresentada pelo escritor Andy Schmidt tem algumas diferenças substanciais em relação ao que já fora publicado. Está realidade não é exatamente o oposto completo a de suas contrapartes da Terra-1.

Sobrevivência a todo custo

Os poderosos meta-humanos desta Terra ainda são seres corrompidos. Porém suas origens são oriundas de traumas diferentes, que trazem à tona o pior deles – e isso os torna personagens instáveis e perigosos.

Apesar da natureza conflitante dos personagens, os meta precisam se unir por um único proposito, a sobrevivência. O sindicato precisa impedir a invasão em larga escala de Starro no melhor esquema o inimigo de meu inimigo se torna meu amigo.

Ultraman dominado por Starro

O primeiro arco compreende as 3 primeiras edições da minissérie e desenvolve a união para vencer Starro.

O inicio da mini é sonolenta e a arte também não ajuda. Os garranchos de Kieran McKeown me faziam querer fechar o gibi e desistir da leitura.

Porem a chave do sucesso é a insistência e, da #4 até a sua conclusão, a trama melhora muito. É visível o esforço de Schmidt em desenvolver uma narrativa empolgante fazendo a gente querer conhecer mais deste universo.

Um John Stewart como nunca visto

Se o que dizem é verdade, e o diabo mora nos detalhes, palmas para Andy Schmidt por desenvolver um ótimo e intrigante John Stewart.

O grande segredo de um bom personagem são as nuances desenvolvidas pelo roteirista. E o plot do Emerald Knight de Stewart serve como um belo fio condutor de um roteiro coeso, inteligente, esperto e que surpreende na conclusão.

Um John Stewart sensacional

Não vou revelar spoilers, porém, a forma como o roteiro leva Stewart a um ponto sem retorno, é realmente compreensível e coerente ao personagem na trama. Tudo no personagem revela uma ambiguidade moral que nos faz torcer para ele se manter como um herói. E isso gera uma luta contra o Anel e os Mestres de Oa que querem levá-lo para o caminho da corrupção.

E com isso, Schmidt usa Sinestro como uma espécie de bussola moral e guia para John.

O Lanterna Amarelo é um herói de moral e índole inabalável nesta Terra e busca o melhor em John Stewart. O personagem conhece a luta contra a ganância do Anel e busca treiná-lo para suprimir as vontades do Anel. Cá entre nós, John foi tão bem desenvolvido que é praticamente impossível acreditar que a DC Comics não queira revisitar o personagem em breve. Fica a dica!

Legião da Justiça de Luthor

E se temos o desenvolvimento de uma trama que mostra os meta-humanos mais poderosos do mundo subjugando o planeta, não poderíamos deixar de ter heróis para defendê-lo! Alexander Luthor preenche esse perfil com sua Legião da Justiça!

Os heróis da Terra-3 Clamando por uma mensal
Os heróis da Terra-3 Clamando por uma mensal

Uma verdade universal? Mesmo que Alexander Luthor seja o cérebro mais genial do planeta, ele ainda é humano. E o que fazer para equilibrar uma luta contra semideuses? Montar uma equipe poderosa que possa suprir esta “deficiência”. Schmidt, mesmo com a narrativa apressada, parece querer mostrar resultados consistentes e surpreendentes aos leitores, conseguindo introduzir uma boa equipe rival ao Sindicato do Crime.

A Legião da Justiça consiste em versões interessantes de Capuz Vermelho (aqui vivida por Harleen Quinzel), Sinesto, Hera Venenosa, Lonar (o Novo Deus), Giganta dentre outros.

A Legião da Justiça atende um pré-requisito, que é mostrar a inteligência e perspicácia de Luthor em criar e organizar uma equipe.

Histórias backup pouco interessantes

O que mais me chamou a atenção são as historietas backup no final das edições. Elas situam o leitor em mostrar as origens dos membros do Sindicato. Mesmo em pouquíssimas paginas mostram onde os personagens erraram para se tornarem os vilões deste universo.

Thomas Wayne Jr atrelado a corte das Corujas na Terra-3
Thomas Wayne Jr atrelado à Corte das Corujas na Terra-3

De todas as origens, a que mais despertaram interesse em mim foram as do Homem Coruja e do Johnny Quick. A primeira, por atrelar a origem do vigilante de Gotham Thomas Wayne Jr à Corte das Corujas. Já a do velocista assassino, por mostrar algo totalmente diferente do esperado.

Todas as outras são apenas repetições das antigas origens com mudanças muito superficiais. Como Clark ter sido criado por pais aproveitadores que escondiam sua herança alienígena, ou a UltraWoman ser a Donna Troy.

Porém, mesmo com essas alterações, as motivações e os personagens são basicamente os mesmos. Ultraman tem seu complexo de superioridade e usa kriptonita para ficar mais overpower. Já a UltraWoman é uma amazona que subestima qualquer personagem do sexo masculino. Porém, Donna quer gerar um filho com o meta-humano mais poderoso desta realidade.

Entendem o que digo? Nada foi acrescentando de maneira relevante na mitologia dos personagens., principalmente se considerarmos os trabalhos de Grant Morrison (Terra 2) ou Geoff Johns (Forever Evil).

Na verdade, até pareceu um pouco preguiçoso mostrar tão poucas mudanças em uma mini que buscava como objetivo um diferencial para o leitor de hoje.

Reviravolta no final e um Ultraman sensacional

A trama desemboca em uma edição 6 completamente eletrizante, que mostra uma batalha entre dois semideuses destruindo tudo em Metropolis.

Conhecemos Kara, a prima de Kal-El deste mundo. A personagem é aliada de Alexander Luthor e mostra ser uma verdadeira heroína, que pretende salvar o legado dos El e, por consequência, a Terra-3.

Não vou entrar em detalhes, porém te falo uma coisa: você não viu um Ultraman como este antes. Foram tantas camadas sendo descascadas em poucas páginas, mostrando um misto de emoções do personagem. Se tivéssemos uma arte melhor, tornaria tudo ainda mais incrível.

O que pareceu para mim é que Andy Schmidt tem uma habilidade muito peculiar em tirar o máximo de proveito de personagens ambíguos e com moral questionável. Isso torna todo o trabalho fascinante.

Conclusão do Sindicato do Crime leva a uma batalha épica entre os El's da Terra-3
Conclusão do Sindicato do Crime leva a uma batalha épica entre os Els da Terra-3

Crime Syndicate #06 foi importante para reconhecermos alguns fatos sobre a personalidade do Clark da Terra-3. Uma delas é que, mesmo com a fachada de imponente, autoconfiante e vaidoso, o personagem tem carências que precisa preencher. Na ausência da humanidade, presente no Superman da Terra-1, o membro do Sindicato tenta suprir com drogas e narcisismo extremo. Ele deixa claro também que não gostaria de ser um solitário na Terra. E isso só fica evidente para ele quando ele enfrenta sua prima.

A visão do mundo de Clark no final da mini foi completamente destruída e podemos simplesmente ver pela sua aparência. O personagem tenta assimilar tudo que está acontecendo e não consegue.

Arte muito abaixo do nível

A minissérie tem desenhos de Kieran McKeown com arte-final de Dexter Vine e ficou muito abaixo do que o gibi merecia.

Apesar da arte transmitir uma narrativa veloz, ela pecava nos detalhes e suavizações quando era necessário. Um daqueles casos onde o traço simplesmente não combinou com o roteiro. Infelizmente. Se a arte do gibi estivesse sob a responsabilidade de Jim Cheung poderíamos afirmar que a minissérie seria uma obra-prima.

A arte dos backups foi feita por Bryan Hitch, que mostra uma certa instabilidade. Em algumas edições surpreende, já em outras fica abaixo da média com uma arte bem estilizada, algo que não aprecio muito.

Conclusão

A trama atende muito bem o leitor ávido por gibis que tratem de realidades alternativas e personagens bem desenvolvidos com narrativas rápidas.

A minissérie poderia tranquilamente ter se estendido por mais umas 3 edições e desenvolvido com mais calma alguns itens da narrativa, como a forma que o Sindicato do Crime derrubou todos os meta-humanos da Terra-3. Eu não reclamaria.

O gibi no final deixa um gancho bem interessante, que mostra os integrantes da equipe de vilões em completa desconfiança uns dos outros. O que pode indicar que a DC Comics tem interesse em revisitar este mundo a qualquer momento.

O roteiro de Andy Schmidt conseguiu salvar uma premissa aparentemente simples com um texto que surpreende e encanta. Mesmo a mini contando com uma arte pobre e deficiente.

Sinceramente, eu não reclamaria de uma nova minissérie desenvolvendo um “Ano 2” do Sindicato do Crime, contanto que continuem a trabalhar a dualidade moral do John Stewart com a perfeição que foi nesse trabalho de Schmidt.

No final, somos abençoados com um belo gibi. E você, amigo leitor, já leu esta minissérie? Gostaria que a Panini trouxesse logo para nossas bancas?

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Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.