Winspector – Os metal-heroes de Resgate

Antes de falar sobre Winspector, é interessante traçar um paralelo sobre o que estava ocorrendo na sociedade japonesa na época.

Entre 1988 e 1989, o Japão se viu aterrorizado por um criminoso, seu nome foi Tsutomu Miyazaki. O mesmo matou, mutilou e violentou crianças japonesas. Quando o mesmo foi finalmente pego, em julho de 1989, descobriu-se que ele era obcecado com animes, mangás e filmes de terror, tendo filmado até mesmo a mutilação de uma das vítimas. Desde tal descoberta ela ficou conhecido como “O assasino Otaku”, o que criou na época uma histeria e preconceito com a comunidade Otaku.

Os tokusatsus, assim como os animes e mangás, sentiram o peso do momento. A sociedade em peso discutia o papel dos animes, mangas e seriados live action na formação dos jovens japoneses. Foi nesse clima que estreiou na tv Asahi, em janeiro de 1990, a série sucessora de Jiban, Tokkei Winspector, ou Esquadrão Especial Winspector, como ficou conhecido no Brasil.

A favor do Winspector estava a boa recepção que Jiban tinha recebido no ano anterior. A Toei, um dos maiores estúdios de animação do Japão, observando os novos tempos e aproveitando a temática prévia, resolveu criar uma série que valorizasse o papel da polícia e das equipes de investigação e resgate. Tentaram, no limite do mundo fantasioso dos tokusatsus, trazer algo mais para o “mundo real”. Afinal, o inimigo agora morava ao lado e havia a necessidade de heróis para combater os monstros do cotidiano.

E assim criou-se a sinopse de Winspector: num futuro próximo (em 1999, para ser mais exato), a ciência havia se desenvolvido muito! Mas isso, em mãos erradas, acabaria por dar munição para criminosos abusarem da sociedade. Para defender esses “novos tempos”, o chefe de polícia Shunsuke Masaki, em honra ao seu falecido colega policial, organiza uma força de combate ao crime com as mais modernas tecnologias que polícia de Tóquio poderiam contar. E bota tecnologia nisso, amigos.

O Esquadrão Winspector conta com dois robôs de apoio: Biker e Highter, ambos com designs muito parecidos com Jiban. Biker seria o alívio cômico da equipe, armadura dourada, com um pneu no peito, que o possibilita sair literalmente “rodando” por ai e dois “guidões” em forma de espadas, que tanto servem como arma assim como são encaixados em sua motocicleta para controle da mesma. Highter, mais sisudo e circunspecto, tem asas que lhe permitem voar, sendo que essas asas podem servir de escudo quando necessário. Ambos tem superforça, resistência e podem combater as chamas.

Esses robôs são liderados em campo pelo oficial Liuma Ogawa, o qual tem sua própria armadura: Fire. Armadura poderosa, resistente a chamas e danos, armada com uma espada (maxcalibre) e mais tarde com uma metralhadora Canhão  (a Giga Streamer). Apesar da armadura poderosa, os roteiristas optaram por ressaltar o “lado humano”. A armadura tem tempo de uso e, passando esse tempo, Liuma começa a sofrer danos, o corpo começa a não suportar o desgaste do uso do uniforme, correndo até risco de vida se persistir seu uso.

Obviamente Liuma muitas vezes vai além desse limite, representando o sacrifício do policial no bom combate, que dá de tudo para trazer a paz e a ordem. São nesses pequenos detalhes que vemos como Winspector refletiu, e muito, o momento conturbado que o Japão e sua cultura pop estavam passando. Winspector, diferente dos demais metal heroes, não é um herói isolado, ou solitário. Há um herói central, mas há toda uma equipe de apoio que age em conjunto e sempre é realçada nos episódios. Não existe uma organização maligna tentando dominar o mundo, e sim criminosos e situações de desastres a cada episódio que necessita da cooperação de toda a equipe para sua solução.

Talvez o fato mais emblemático disso seja o primeiro episódio de Winspector, cujo título é bem emblemático: ” O Sequestro do Bebê.” Nele um robô programado por um cientista inescrupuloso sequestra a neta do colega rival e tenta explodir o laboratório do avô da criança junto com o inocente bebê. Claro que o Winspector faz de tudo para evitar a situação e ainda mais importante, a cena final, com Fire saindo das chamas, com o bebê no colo, são e salvo.

E assim nascem os primeiros “Rescue Heroes”, Metal Heroes voltados para o resgate e a proteção do bem comum. Direcionados mais a proteger a sociedade do mal do dia a dia do que do monstro gigante da semana. Heróis esses que eram mais do que necessários para aquela época conturbada.

Quanto a Tsutomu Miyazaki, esse foi julgado e condenado a morte, sendo enforcado em junho de 2008. Que suas vítimas e familiares das mesmas tenham enfim encontrado a paz.

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Pai Fader

Pai fader - Um homem de bem com a vida, cheio de espiritualidade, com uma visão holística sobre esse misterioso mundo pop