Warrior Nun: você viu a série, conheça o gibi!

Talvez seja supresa para você, popnauta, afinal eu não aparento – mas sou um pouco velho. Só um pouco, porém o suficiente pra me lembrar de uma época que adaptações de quadrinhos eram raras e, via de regra, bem ruins. Pior ainda, o investimento dos estúdios nesse filão era tão pequeno que eles jamais se arriscariam a fazer coisas como as que temos hoje. Filme do Homem-Formiga? Esquece. Guardiões da Galáxia? Nem em sonho. Até mesmo Aquaman parecia algo impossível de acontecer.

Dá pra imaginar o motivo.

O séc 21, contudo, trouxe uma enxurrada de grandes adaptações, capitaneadas por blockbusters como X-Men e produções mais modestas como Blade. Isso abriu as portas dos grandes estúdios para um nicho do mercado até então ignorado: os fãs de quadrinhos. Seguiram-se uma série de filmes que, obviamente, alternaram entre o espetacular e o questionável, com cada estúdio querendo a sua fatia do mercado. O sucesso foi o suficiente para fazer com que os estúdios corressem alguns riscos: se não podiam fazer um Batman ou Homem-Aranha, atacavam de Hellboy – e depois metiam um Sin City, um Oblivion, ou qualquer outro com potencial para fazer caminhões de dinheiro, fugindo um pouco dos óbvios gibis de super-heróis.

Os resultados podem variar.

A tendência chegou à TV, com séries sendo produzidas e engavetadas todos os anos. Os serviços de streaming não iam ficar para trás e o mais notório deles, a Netflix, também deu sua contribuição para a festa. Além da associação com a Marvel, que rendeu séries do Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro, Justiceiro e Os Defensores, eles também são responsáveis por Sabrina, da Archie Comics, SnowPiercer, baseada numa graphic novel francesa, e Locke & Key, da IDW. Como deu pra notar, com a Warner Bros e seu canal CW mordendo a grande maioria do material da DC Comics, e o Disney+ mordendo até o pedaço que lhes cabia da Marvel, chegou a hora da Netflix buscar gibis pra adaptar… em outro lugar.

Os anos 90!

O mais recente exemplo é a série Warrior Nun, baseada no gibi/mangá Warrior Nun Areala, lançado, entre outras editoras, pela Antarctic Press. Criado por Ben Dunn, o gibi conta a história da irmã Shannon Masters, uma freira guerreira da Ordem da Espada Cruciforme, uma organização paramilitar da igreja católica que luta contra todos os tipos de demônios. Ela apareceu pela primeira vez no gibi Ninja High School #38, lançado em 1987, mas seguiu “carreira solo” a partir de Warrior Nun Areala Vol. 1 #1, em dezembro de 1994.

Aqui, Areala encontra Dora a Aventureira, que encontra a Manopla do Infinito.

O gibi da Freira Guerreira nunca chamou a atenção pela qualidade da arte ou do roteiro, mas sim pela polêmica dos temas centrais da série. O uso frequente de imagens religiosas, trajes sacros e toda a mitologia e folclore do cristianismo – ainda que, no contexto, os católicos fossem os heróis da história – beirava o apelativo, principalmente pelas roupas com que as personagens femininas eram apresentadas. A mais pura moda dos anos 90.

O É o Tchan! dos gibis de super-heróis.

A adaptação ficou sob a batuta de Simon Barry, produtor de Van Helsing, e conta com um elenco basicamente de atores iniciantes e europeus. A história se passa na Espanha (ao contrário do gibi, em que a ação é alocada em Nova York), onde foi filmada e tem algumas diferenças significativas dos gibis – pra começar, a protagonista não é a irmã Shannon. Ela morre logo nos primeiros minutos do episódio piloto, sendo substituída por Ava – uma garota que já estava morta! Outro ponto central da série é o metal Divinium, disputado pela igreja e pelos cientistas. Uma arma extremamente eficaz na luta contra o mal, a igreja não planeja dividí-lo com ninguém, mas uma bilionária do ramo de tecnologia quer usá-lo para criar um portal que, ela acredita, levará ao Paraíso – mas pode ser que leve para o “andar de baixo”, se é que você me entende.

Lago de fogo, enxofre, choro, ranger de dentes, a porra toda.

Nos quadrinhos, a Ordem da Espada Cruciforme foi criada em 1066, após uma Valquíria chamada Auria renunciar ao paganismo e se converter ao cristianismo pela sua salvação. Ela muda seu nome para Areala e passa a usar um diferente avatar humano a cada geração para seguir em sua missão. Nos gibis, a atual Areala é a irmã Shannon Masters, que chega a Nova York no começo da série para combater o mal com outras freiras guerreiras. Na série de TV, Aureala era uma guerreira cristã em uma cruzada que teve sua vida salva pelo anjo Adriel. O anjo abriu mão de sua auréola, o Halo, colocando-o no corpo de Aureala e dando-lhe habilidades físicas e místicas incomparáveis. A cada geração, o Halo escolhe uma nova portadora.

Com direito a sua própria linha de brinquedos.

O ELENCO

Alba Baptista é Ava – Personagem original criada para a série. Ava ficou tetraplégica aos sete anos de idade, em um acidente de carro que matou sua mãe. Orfã e desamparada, ela foi criada num orfanato comandado por freiras.

Vagamente parecida


Toya Turner é Shotgun Mary – Uma das principais personagens do gibi, Shotgun Mary é chamada assim por causa das duas escopetas que ela carrega! Mary é meio rebelde dentro da Ordem da Espada Cruciforme, não se considerando realmente uma freira. .

Mudou um pouquinho.


Lorena Andrea é Irmã Lilith – Ela deveria ser a próxima portadora do Halo, e não ficou nem um pouco feliz ao ver sua “herança” sendo roubada. Nos gibis, Lillith é uma princesa dos demônios, em sintonia com a mitologia judaica.

Tá igual

Kristina Tonteri-Young é Irmã Beatrice – Outra personagem original, a irmã Beatrice é uma das lutadoras mais habilidosas da Ordem. Ela foi mandada para o convento por seus pais – a cena que ela fala de seu passado na série é bastante comovente e revela muito sobre a personagem.

HUM ROLÔ ALGOAÍ

Tristán Ulloa é Padre Vincent – O líder da Ordem, tenta proteger Ava quando todos dizem que o Halo deve ser retirado dela. O Padre Vincent parece ser vagamente baseado no Padre Terrance Gomez, que treina as freiras guerreiras nos gibis.

Foto em baixa resolução, me desculpem.

Thekla Reuten é Jillian Salvius – A dona de uma empresa de tecnologia que planeja usar o Divinium para construir um portal quântico. É uma versão do personagem Julian Salvius dos quadrinhos, um negociante de armas e adorador do demônio. Aqui ela parece ser a grande vilã da série, mas logo ficamos entendendo melhor seus métodos e motivações.

“Como assim, eu era homem?!”

Melina Matthews é Irmã Shannon – Nos gibis, ela é a grande protagonista – mas não há o misterioso Halo de Adriel nos gibis, e sim um avatar humano para a anja Areala.

Te falar que achei a atriz bem parecida…

Joaquin de Almeida é Cardeal Duretti – Um agente do Vaticano disposto a tudo para impedir Jillian Salvius de usar o Divinium em experimentos científicos. Ele não acredita que Ava deva ser a portadora do Halo, e usará métodos obscuros para corrigir isso.

Fonte: Programa Enigmas

Sylvia de Fanti é a Madre Superiora – Uma das personagens mais cativantes da série, a Madre Superiora é uma Freira Guerreira “afastada” da frente de batalha há algum tempo – mas ela tem as cicatrizes e a atitude que comprovam sua determinação. Nos gibis, ela é cega e sempre cobre os olhos. Aqui, ela é um exemplo de obediência e fibra moral – mas quando sua lealdade é posta à prova, ela vai precisar questionar um desses dois valores!

A versão cega dela treinou o Demolidor.

O Popsfera acompanhou a série numa maratona de uma semana, com reviews para os episódios em pares. Você pode conferí-los nos links abaixo e correr para a Netflix pra começar a assistir. A série realmente tem ótimos momentos, coisas bem “de gibi” mesmo, além do carisma único da atriz Alba Baptista, reviravoltas bem inteligentes e, o que mais gostei, nem todo mundo que parece vilão realmente é mau, ou fez todas as coisas que pensamos que seria capaz. Mas o mais importante é você conferir por si mesmo, popnauta! E até a próxima temporada.

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.