Transformers War for Cybertron – O Nascer da Terra

Foi lançada, na primeira semana do ano, a segunda parte da trilogia War for Cybertron. São mais 6 episódios sob o título O Nascer da Terra (Earthrise) e que dão seguimento aos eventos vistos na primeira parte – O Cerco (veja a nossa resenha aqui). A ideia geral é expandir e organizar os conceitos da série original, de 1984 (Transformers: More Than Meets The Eye), nos dando uma visão mais ampla e detalhada das origens dos robôs transformadores.

Em O Nascer da Terra, o roteiro foca ainda mais no cerne dos protagonistas, e conseguimos ver o quanto Optimus Prime e Megatron têm em comum. Ambos são movidos pelo amor incondicional a Cybertron, ainda que com óticas totalmente distanciadas. Neste aspecto, a caracterização de Megatron é perfeita. Os episódios vão nos mostrando a forma com que o ditador enxerga a honra e os valores que adquiriu nas arenas de batalha. Ao mesmo tempo, vamos vendo essas mesmas características se perderem com os crescentes ódio e inveja que brotam de suas engrenagens. Há muitas cenas sensacionais, inclusive com uma alusão à Shakespeare, onde Megatron conversa com a cabeça inerte de Ultra Magnus, assassinado em O Cerco.

Quanto à Optimus Prime, nesta sequência, ainda não temos o líder destemido e sábio que conhecemos, porém já há indícios de sua auto-afirmação. O personagem foi melhor explorado em O Cerco e agora se mostra, apesar de arrependido por ter retirado o Allspark do planeta, muito menos culpado.

A relevância dos personagens secundários não é tão grande quanto em O Cerco. Nesta temporada, tiveram menos espaço, com exceção de Elita-1, que continua comandando a resistência Autobot em Cybertron, resgatando Decepticons condenados e se vendo às voltas com um ShockWave sinistro e impiedoso. O plot envolvendo Bumblebee foi totalmente esquecido, infelizmente.

Novos (e velhos) personagens entram na trama, como Desseus – da raça dos Quintessons, que escravizaram os habitantes de Cybertron por eras e se mostra o antagonista neste arco; Sky Lynx – Que foi banido para o Universo Morto por Alpha Trion – e Galvatron, que terão grande importância no desenrolar da terceira e última parte da trilogia.

O anime continua com a aparência e ambientação sombrias e pesadas, mas pega um pouco mais leve com a violência – não vemos tantos empalamentos e decapitações quanto em O Cerco – porém, o clima obscuro e a ideia de que tudo está um verdadeiro caos ainda paira. As rachaduras e desgastes nas carcaças dos personagens remete o espectador à cicatrizes de guerra. O trabalho de vozes também consegue nos passar todas as emoções, tanto no original quanto na dublagem PT-BR.

O Nascer da Terra prepara um terreno fértil para Kingdom, a derradeira parte, que será ambientada já na Terra – lugar onde caiu o Allspark – e tem ligações com Beastwars. Até agora, a narrativa consegue agradar fãs antigos e novos, sendo fiel aos filmes e a todo a mitologia dos Transformers.

Eu estou ansioso para ver Kingdom. E você, leitor? Já viu O Nascer da Terra? Ainda vai ver? Deixe seu comentário!

Ficha Tecnica:

Transformers: War for Cybertron – O Nascer da Terra (“Transformers: War for Cybertron – Earthrise”, EUA/Japão, 30 de dezembro de 2020)
Direção: Takashi Kamei, Kazuma Shimizu, Koji
Roteiro: George Krstic, F.J. DeSanto, Gavin Hignight, Brandon Easton, Tim Sheridan (baseado em história de F.J. DeSanto e George Krstic)
Elenco (vozes originais): Jason Marnocha, Jake Foushee, Linsay Rousseau, Frank Todaro, Keith Silverstein, Edward Bosco, Joe Zieja, Michael Dunn, Jonathan Lipow, Michael Schwalbe, Mark Whitten, Ben Jurand, Georgia Reed, Bill Rogers, Kaiser Johnson, Todd Haberkorn
Duração: 145 min. (seis episódios)

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Fabiano Souza

CAPITÃO no meio campo, escreve textos e destrói falsos deuses antes do café da manhã