Toy Story para uma nova geração

Queridos amigos, vi o novo filme de Toy Story. E tal qual nosso amigo Pai Fader postou sua crítica, acredito que possa postar também uma resenha sobre este belíssimo filme.

A turma toda reunida novamente e a criançada comemora

Felizmente tive a oportunidade de introduzir as belas animações da Pixar (mais precisamente todos os filmes de Toy Story) ao meu filho de 2 anos. Tanto é que ele incansavelmente assistiu dezenas e dezenas de vezes os filmes e também os curtas que estão à disposição do Netflix. Falo com propriedade de quem já viu muitas vezes, mesmo antes da paternidade e após este marco na minha vida, e afirmo que Toy Story nunca foi uma animação somente para as crianças. Sempre tratou temas sérios e que nos fazem pensar e também admirar a película pela profundidade que alcança em diversos assuntos.

Veja bem, se olharmos para o 1º filme, que basicamente foi a introdução dos personagens que passamos a amar, vemos que o boneco Woody teve que lidar com sentimentos humanos bem conhecidos por nós, como ciúmes e inveja do novo brinquedo de sua criança, Andy. O boneco em questão era o patrulheiro espacial Buzz, que viria a se tornar seu melhor amigo. Primeiro filme, tratou de Woody se acostumar com seu novo status quo, o de dividir a atenção de sua criança e saber lidar com esse tipo de situação. E viu que disso tudo, nasceu uma grande amizade.

Foco Woody, foco

No 2º filme, o foco foi expandir a cronologia de Woody. Descobrimos de onde remota suas origens e ele teve que tomar muitas decisões, inclusive entre ir para um museu e abdicar de Andy e seus amigos ou ser leal a ambos. Também foi o foco do filme, a forma como os bonecos lidavam com a rejeição de suas crianças (quem não se emocionou com o relato da Jessie? Que na verdade foi uma pontinha deixada para explorar no filme seguinte). É a partir daí que vemos uma característica única em Woody, ele é completamente leal a sua criança e seus amigos. No 3º filme, o foco foi o medo e como alguns lidavam novamente com a rejeição, pois Andy cresceu e não brincava mais com seus brinquedos favoritos. Eles buscam uma forma de chamar atenção e nada. E quem mais sofre com isso? Jessie. Os outros estão passando pela primeira rejeição. Mas em meio ao desespero e prantos de muitos, Woody era o pingo de esperança. Era ele que alimentava ao menos a possibilidade de ir para o sótão e defendia sua antiga criança. E também como a rejeição criou um ambiente completamente hostil em outros brinquedos, sim estamos falando de Sunnyside comandada por Lotso, que cria uma espécie de pirâmide na creche onde somente ele se beneficia. E mais um ponto positivo para Toy Story, como eles lidaram com a rejeição e os perigos? O poder da amizade. Quem nunca cantou AMIGO ESTOU AQUI?

E Toy Story conclui sua trilogia de maneira linda, numa despedida de Andy de seus bonecos e passando o bastão para Boonie.

Quem viu os 2 curtas de Toy Story sabia que com a Boonie dificilmente não haveria uma continuação, até porque a imaginação dela extrapolava todos os limites da criatividade. E com isso veio o 4º filme da franquia Toy Story.

Betty: “Sem tempo, irmão”

Como lidar com o abandono? E com as mudanças?

Esse é o lema do novo filme. Boonie está enfrentando mudanças por estar entrando no jardim de infância e as dificuldades de sua idade. Woody está sendo abandonado e descartado pela sua nova criança. E sempre me parece que o cowboy tinha certeza de seu lugar no mundo era de ajudar a sua criança com seus problemas. Não à toa que foi o único que arranjou um jeito de ir para o jardim de infância para dar apoio. Ele ajudou Boonie mesmo quando ela não sabia e disso nasceu o personagem esquizofrênico Garfinho. Alias, uma observação: a Pixar tem uma magia pra criar bonecos e deixar atrativos para as crianças. Meu guri simplesmente adorou o Garfinho e ficou repetindo por dias “Garfinho…lixo” (quem viu entenderá rs). E olha que o visual do novo brinquedo é medonho, por ser criado da mente de uma criança.

Garfinho em dúvidas sobre sua existência

E temos o retorno de Betty, o antigo amor de Woody. Isso o faz entrar em conflitos que ele nunca teve. Quase que um amadurecimento se olharmos com olhos humanos. Mas da minha particularidade eu senti o personagem do Woody um tanto depressivo, que ainda não aceitava a mudança de Andy. Que sentia sua falta. Mas ficou mais do que claro que foi uma ferramenta do roteirista para dar uma maior dramaticidade e criar os conflitos do personagem. Mas o Woody mostrado nos filmes nunca tomaria a decisão que tomou no final da animação. Principalmente pelas escolhas que fez anteriormente, sempre prevalecendo a amizade e lealdade acima de tudo. Acho que para todos foi um final triste, diferente do final alegre, divertido e cheio de esperança de outros filmes. Mas admitamos que os personagens cresceram muito. E tem sido um privilegio presenciar isso.

Novos e carismáticos personagens

Os novos personagens têm sua carga dramática e cômica muito bem balanceadas. E nisso a equipe é muito competente em criar uma vilã que na verdade não é má e sim só quer buscar o amor das crianças. E quem não se divertiu com Coelho e Patinho? Simplesmente sensacional.

Keanu se destacando com seu Duke Cabom

A animação no quesito técnico está melhor do que nunca. As cores vivas, uma fotografia perfeita e uma direção segura. A dublagem nacional também se destaca, não consigo imaginar outros dubladores para Woody e sua turma.

E fico muito agradecido que o pessoal da Pixar ainda pensa em continuar a série. Principalmente apresentando estes personagens a uma nova geração de crianças. Que hoje dormem abraçadas com Woody, Buzz ou Garfinho (sim meu filho ainda pede o boneco do garfinho e não sei como lidar com isso kk).

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Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.