The Mighty Ducks: Game Changers é um acerto da Disney?

Hoje falaremos de The Mighty Ducks: Game Changers, no Brasil Virando o Jogo dos Campeões, que na verdade é uma continuação de um dos maiores sucessos da Disney nos anos 90.

A série pode ter chegado de forma bem discreta para os assinantes do Disney+, até porque esta geração certamente não assistiu as peripécias do técnico Bombay e seu grupo de crianças que praticavam hockey no gelo, mas pode confiar em mim: trata-se de um verdadeiro clássico e que rendeu inclusive bons frutos para o estúdio do Mickey Mouse.

De forma bem singela, a Disney tentava conquistar uma faixa de crianças um pouco mais maduras no início dos anos 90, vide que o estúdio gozava de um grande sucesso devido às suas animações infantis – mas chegara o momento de passar para a próxima fase. The Mighty Ducks (aqui no Brasil o filme ganhou o nome de “Nós somos campeões”) chegava aos cinemas americanos em 1992 e mostrava inicialmente a trajetória de Gordon Bombay, um advogado de sucesso que não conhecia derrotas nos tribunais, mas faltava algo para o tornar completo.

Os Patos originais ainda aprendendo a grasnar!
Os Patos originais ainda aprendendo a grasnar!

Durante o primeiro filme da franquia ficamos sabendo que Bombay era uma criança prodígio no hockey infantil e que, por causa da enorme pressão exercida pelo seu técnico, e também da recente morte do pai, sucumbiu e falhou quando mais precisavam que ele fosse perfeito. Isso fez com que o personagem carregasse muitas mágoas e ressentimentos que, infelizmente, o afastaram do esporte.

Parece uma trama bobinha de um produto da Disney em plenos anos 90? Não, né? Prosseguindo.

Eis que o destino olha para Bombay e, por causa de uma falha (dirigir alcoolizado), ele é penalizado pela lei e obrigado a treinar um time de hockey infantil. E assim segue aquela trama que hoje tornou-se um completo clichê, de mostrar que o advogado durão e sem escrúpulos na verdade era doce e meigo, e um baita técnico, que transformou um grupo de crianças perdedoras em um time vencedor.

É no primeiro filme que o time é batizado de Patos. O filme serviu também para externar uma critica social muito válida, de que as crianças desta época estavam sendo muito cobradas, inclusive nos esportes onde deveriam se divertir. O profissionalismo do esporte chegava às crianças de forma avassaladora e mostrando que era o verdadeiro vilão do filme.

Apesar dos Hawks e seu rigoroso técnico, aqui interpretado pelo saudoso Lane Smith, serem os antagonistas, a Disney usaria esta famosa franquia para criticar a forma como estes jovens americanos estavam sendo cada vez mais pressionados a serem perfeitos, criando adultos falhos e errantes – o caso do próprio Gordon Bombay, se usarmos o personagem como referência.

The Mighty Ducks rendeu mais 2 continuações de sucesso e uma bela animação, que aqui no Brasil foi exibida na clássica TV CRUJ no canal SBT.

Dono do time e capitão da equipe? Ceeeerto.
Dono do time e capitão da equipe? Ceeeerto.

E eis que, 19 anos depois da estreia do primeiro filme, a Disney decidiu dar mais uma chance para a franquia, vide que a formula de recauchutar filmes e séries dos anos 90 tornou-se uma prática comum entre os grandes estúdios. Como um fã da franquia fiquei muito tranquilo em saber que Emilio Estevez estava envolvido na série The Mighty Ducks: Game Changers como produtor executivo. Afinal isso conferia um selo de autenticidade ao seriado e a tranquilidade de que respeitariam tudo o que foi apresentado anteriormente.

Assisti os 4 primeiros episódios desta nova série que deveria homenagear, ou ao menos referenciar a obra original com respeito, e fiquei um tanto quanto decepcionado. Afinal a história se dedica a simplesmente vilanizar os famosos Patos de Minessota, mostrando que se profissionalizaram de tal maneira que se tornaram os maiores vencedores do país. E com a fama e sucesso, veio também o grande fardo: para se manterem no topo eles precisaram evoluir.

Lauren Graham deveria ser um bom reforço para o elenco. Ênfase no deveria
Lauren Graham deveria ser um bom reforço para o elenco. Ênfase no deveria

A narrativa da nova série da Disney mostra o protagonista, Evan Morrow, vivido por Brady Noon, sendo cortado do time dos Patos, inclusive de maneira bem justa, afinal não compreendia os altos padrões de qualidade do time. Mas Evan tem uma mãe solteira super protetora, interpretada por Lauren Graham (Gilmore Girls) que precisa proteger seu rebento e, para isso, cria um novo time praticamente nas coxas para acomodar seu garotinho.

O nome do time? “Nem tenta”, que faz uma referência à frase do técnico no momento do corte de Evans.

Aqui a produção repete, ou ao menos tenta, as mesmas criticas sociais do filme original, mas sem sucesso: logo percebemos que Evans, ao contrario dos garotos de rua da película de 1992, é um “amamãezado”, que foi cortado de maneira muito correta, por ser lento, sem muitas habilidades (principalmente se considerarmos que o time tinha muito mais gente qualificada), e sua única vantagem é ter uma mãe para bancar todos os seus sonhos e protegê-lo do mundo real. E isso inclusive foi externado pelo personagem de Emilio Estevez, que retorna como o antigo técnico Bombay, em determinado momento do primeiro episódio.

Sempre será o técnico dos Patos em nossos corações!
Sempre será o técnico dos Patos em nossos corações!

Alias por falar no querido Bombay, ele é um figurante de luxo no show, aparecendo apenas como o dono do “Palácio de Gelo’, rinque onde o novo time de hockey da cidade irá treinar, e parece demonstrar grande ódio ao esporte. Em poucos momentos, o personagem completamente domina a tela – e isso são méritos do próprio Estevez, que está muito bem (apesar de não esconder de ninguém que é pura fachada de durão).

Mesmo com a produção tendo um ótimo personagem como Bombay, ela prefere escantear o único elo que a série teria com o filme original para dar mais tempo de tela para Alex Morrow, a mãe de Evans. Aliás, ela é daquelas personagens que não fazem o menor sentido e que em nada acrescentam ao drama de fundo da produção. Já no primeiro episódio ficamos sabendo que ela é uma mãe solteira em um grande devaneio com um tremendo desconhecido, e que precisa dar todo o suporte para o filho – mesmo sabendo que o prejudicou com isso, tornando-o um tanto mimado.

Os vilões da vez são os amados Patos de Minesonta!
Os vilões da vez são os amados Patos de Minessota!

Há muitas criticas em relação à narrativa, e a forma como conduzem a trama é bem espalhafatosa e enfadonha, chegando ao cúmulo de Evans, em determinado momento, assumir de maneira bem desnecessária que “eles são os mocinhos da história que precisam derrotar os vilões ou aprender algo com isso”.

E outras coisas que ficam “nas coxas”: o recrutamento na escola feito por Evans foi uma das coisas mais ridículas do show, além de material de treinamento roubado dos Patos e até o nome patético que o novo time recebe. Outro porem é que os Morrow são “donos do time”: escolhem o próprio Evans para capitão e ele escolhe a mãe para ser técnica, mesmo a senhora Morrow não tendo nenhum tipo de qualificação para o cargo.

Resultado? O time tomando pau jogo sim e jogo também. E de goleada.

Tudo sinaliza para que Bombay assuma a parte técnica do time, tudo mesmo.

Porém temos um longo caminho para isso. E isso porque eu acho que o roteirista precisa ter um mínimo de bom senso afinal, no 2º episódio, quando o time toma uma verdadeira goleada, a mamãe Morrow apenas diz “preciso aprender hockey” – e isso, meus amigos, é um daqueles momentos que sobe um frio na espinha porque você sabe que ela pode estar sendo preparada pelo Bombay para se tornar uma competente técnica, fazendo da jovem e desastrada equipe uma verdadeira vencedora.

A craque do time adversário sendo roubada para o Nem Tenta é uma clara referência ao clássico de 1992.

As criticas à profissionalização do esporte infantil, além da pressão exercida pelos exigentes pais para que seus filhos vão para a universidade usando o esporte como trampolim, é feita de uma maneira tão superficial que chega constranger, mas a serie chega no 4º episodio com uma energia diferente, mostrando que tudo pode mudar. Afinal o elenco jovem, apesar de limitado, até mesmo por serem crianças, mostra-se bem escolhido. A maioria mostra bastante empenho e senso de interpretação, mostrando que a Disney, como sempre, sabe selecionar um bom elenco.

Venhamos e convenhamos que o elenco mirim é muito carismático e isso conta muitos pontos positivos ao avaliar a série. Nos faz lembrar que a Disney se lembrou de seu público infantil, rs.

Por mais que amem a dona do time ela é uma péssima técnica de hockey

A série para mim é bastante limitada, principalmente por 2 coisas: o material original em que se baseia e a forma como estão conduzindo, sabendo que o show tem apenas 10 episódios nesta primeira temporada, restando apenas 6 episódios para a conclusão do primeiro ano. E fica a dúvida se o estúdio do Mickey ressuscitou a franquia para torná-la uma piada, querendo surfar na onda dos revivals dos anos 90, ou se teremos mais uma produção madura que não subestima a inteligência do telespectador, mesmo que seja voltada para um publico infantil.

Eu torço muito pela segunda opção , óbvio, e mantenho o espírito de torcida para que Bombay retorne como técnico. Seria a chance de falar as verdades que o time necessita ouvir mas ninguém tem coragem de contar. Voltando ao título desta matéria, precisamos aguardar a temporada de The Mighty Ducks: Game Changers concluir para chegar a uma conclusão satisfatória, mas não vejo muitos acertos para que um segundo ano aconteça. De qualquer forma vamos torcer, não é mesmo?

Estamos acompanhando a temporada e fique ligado que soltaremos os reviews dos próximos episódios.

Avalie a matéria

Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.