Rick & Morty – mais dois episódios da quarta temporada!

A quarta temporada de Rick & Morty continua! Você já conferiu aqui no Popsfera o que Pai Fader e Raul Kuk acharam dos dois primeiros episódios – agora é a vez de eles analisarem o terceiro e quarto episódios! Será que mudaram de opinião sobre os rumos da série? Confira!

“One Crew over the Crewcoo’s Morty” – Raul Kuk

Sabe aqueles plots apelativos, que escondem informações da audiência para mostrar uma reviravolta atrás da outra, sem que a gente consiga fazer a menor ideia do que vem por aí? Pior ainda, quando os antagonistas da história se encontram e começam a dizer coisas como:

– Você caiu na minha armadilha!
– Eu sabia que era uma armadilha, então vim preparado!
– Eu sabia que você sabia, então preparei um plano de contingência!
– Eu sabia que você sabia que eu sabia, então…

Pois bem, esse tipo de narrativa tem lá seus grandes momentos (como o filme “Onze Homens e Um Segredo”). Nas mãos de Dan Harmon e Justin Roiland, vira um episódio de Rick & Morty cheio de situações inusitadas, homenagens, referências, alguns palavrões e, claro, a vitória do intelecto superior!

Na verdade, esse episódio não chega a ser uma crítica a esse tipo de narrativa, mas a roteiristas preguiçosos e suas resoluções formulaicas. As reviravoltas sobrepostas a uma velocidade alucinante, completamente desnecessárias e uma mais absurda que a outra, contadas em flashback, cabem perfeitamente numa história de roubo a banco (ou, como é o caso aqui, de roubo a uma convenção de ladrões). Sr Bunda Cagada (Mr Poopybutthole) tem mais tempo nesse episódio e até Elon Musk faz uma participação (dublando sua contra-parte de uma terra paralela, Elon Tusk). 

Tudo começa com o roubo de uma relíquia no melhor estilo Indiana Jones / Lara Croft. Rick descobre que foi passado para trás pelo mestre dos roubos Miles Nightly, e começa aí sua série de ataques no melhor estilo dos filmes de roubo que citamos. Rick resolve confrontá-lo na “HeistCon”, uma CCXP de criminosos, em que é forçado a reunir uma equipe para poder entrar. A partir daí, é uma série de puxada de tapete, traição, facada nas costas e a capacidade de antever os movimentos do adversário num nível absurdo: Rick chega a criar um robô especialista em cálculos para roubos que possa ajudá-lo – o robô o trai, mas Rick já esperava por isso, então…

Apenas no final, entendemos as verdadeiras intenções de Rick: impedir que Morty arrumasse um emprego como roteirista da Netflix. Se ele faz isso por egoísmo ou piedade é algo que talvez a gente ainda precise esperar um pouco para entender melhor. 

Dá pra dizer que, lentamente, os episódios da série vêm alcançando o padrão de qualidade (e diversão) que estamos acostumados, ainda que não esteja tão bom quanto os épicos momentos das temporadas 2 e 3. De qualquer forma, ainda parece haver uma crítica sutil à televisão e ao cinema como gêneros e, principalmente, à audiência. A HeistCon é um bom exemplo de como o hype excessivo pode matar uma série ou franquia, não nos permitindo vê-la por suas boas qualidades. Se esse for outro plano do Rick, então é, sem dúvida, o melhor de todos.

Claw and Hoarder: Special Ricktim’s Morty – Pai Fader

Você, querido leitor, por um acaso saberia dizer o que é um(a) “dragon slut“? Não, né? Pois então deixe-nos iluminar sua mente com o profundo conteúdo retirado do urbandictionary.com:

Lindo, né? Então imagine o caos que é esse episódio, simplesmente baseado na premissa: “Morty quer um dragão de presente”.

Após mais uma traumatizante aventura, onde o Morty é preso, torturado e vê a morte de perto (de novo!), ele exige de Rick um bônus: um dragão de presente. Rick, relutantemente, arranja através de um bruxo um gigantesco dragão de um universo mágico. Após um contrato assinado, o dragão passa a pertencer a Morty e a obedecê-lo. Até aí tudo bem, só que Rick acaba fazendo amizade com o Dragão e, após uma noite de bebedeiras e destruição desenfreada, acabam “unindo suas almas” (tipo uma relação sexual mágica, onde, com direito a orgasmos, unem suas essências espirituais). 

Só que o Dragão já era de Morty! E unir a alma a outro não pode! É promiscuidade! O Dragão, por romper o contrato, é levado pelo mago para ser executado lenta e dolorosamente! Inicialmente Rick não liga, mas depois de perceber que após unirem suas almas, seus destinos passam a estar ligados, Rick passa a desesperadamente querer salvar o seu companheiro de putarias para evitar sua própria morte.

No mundo mágico a ciência de Rick não funciona lá muito bem, e eles são facilmente derrotados. Ao se esconderem acabam encontrando o grupo de “Slut Dragons”, Dragões que, como você já previu, amam a libertinagem, putaria, onanismo, orgias com mamutes, etc, etc. Com  a ajuda do velho “Slut Dragon” masturbador, eles unem suas almas em uma suruba mística, dando origem, em meio a gemidos, ao dragão Fênix, que com o calor de suas chamas transforma o mago em pó! (Sim, amiguinhos, Rick e Morty encontra D&D no reino dos xvideos).

Após essa aventura RPGistica (e depois de se livrar do dragão que insistia em acompanhá-los para “dar uma mãozinha”), Rick descobre que Jerry havia se metido em uma fria com um gato falante. Sim, um gato falante! E porque ele é falante? Não importa! O importante é pegar seu gato falante, comprar passagens para a Flórida e viver a vida na maior curtição! Só que gatos falantes às vezes falam demais, e no final acabam expulsos da orgia de drogas e bebidas de um belo iate por causa disso! (Eh, na verdade só o felino tinha sido convidado, o Jerry estava apenas chorando na beira da praia por ser o Jerry…). Bom, no fim o Rick consegue ler a mente do gato e descobrir porque ele fala. Mas a verdade é tão terrível e traumatizante que somos poupados de vê-la! (Talvez tenha sido melhor assim…).

Sim, amiguinhos! Um episódio politicamente incorreto, totalmente imoral, que não deve ser visto nem recomendado a ninguém que tenha bom senso! Ou seja, que bom que Rick & Morty esteja voltando aos trilhos!

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.