Quarentena Musical – [Dia 171] – Freewill – Sun Return

Quando o hardcore deixou um pouco de lado a sonoridade simples e frenética, surgiu o famoso post hardcore, que em Washington D.C. teve um grande momento através da gravadora Dischord.

Uma das grandes bandas dessa nova época foi o Dag Nasty, banda que conseguiu fazer um grande trabalho desde o seu debut “Can I Say”, passando pela alteração nos vocais em “Wig Out At Denko’s” até chegar outra obra excepcional dos caras que marcou época, o “Field Day”.

Com o lançamento desse álbum, muitas bandas aderiram às novas tendências que estavam no seminal disco da banda, um clássico do mais alto nível que veio para consolidar de vez essa fase mais técnica e trabalhada do hardcore punk. E dentre muitos jovens que ouviram freneticamente “Field Day” e se influenciaram com o resultado musical dessa obra, o Freewill é um dos mais relevantes nomes na história da música underground.

No ano de 1987, no sul da Califórnia, o Freewill dava seus primeiros passos e, em pouco tempo, já excursionava com Agnostic Front, Insted e Uniform Choice. Foi aí que os caras recebem um convite de Pat Dubar e Pat Longrie para participar na gravadora Wishingwell Records que era administrada por eles.

O resultado desse convite foi a gravação de seu ótimo disco de estréia chamado “Sun Return” que, infelizmente, não foi lançado pela gravadora na época, concatenando com o fim da banda, que aconteceu pouco tempo depois de receber os testes de prensagem desse álbum, em 1989. Foi então que, em 2015, a banda retorna suas atividades e finalmente foi lançado, de maneira oficial pela New Age Records, esse ótimo disco para delírio dos fãs.

Com 10 faixas de um disco que tem todos os ingredientes de um clássico do gênero, “Sun Return” é tão bom quanto “Field Day” e de fato mostra que o engavetamento dessa obra é um pecado, no mínimo. O disco é melódico, bem tocado, muito organizado e com vocais excelentes que marcam desde a primeira ouvida.

Todas as músicas da banda são extremamente viciantes e é um registro único de uma época onde o underground ditava os ritmos do futuro do rock. Alguns destaques vão para a magnífica “Disappear Here”, “For Times”, “Almost Again”, “Every Breath”, “Shine” e “Nothing Lasts” mas com certeza se ouvido em sua totalidade a experiência de “Sun Return” fica ainda mais melhor e intensa.

Com certeza um dos discos mais subjugados de toda a cena, “Sun Return” é tão obrigatório quanto respirar e não há exageros nessa frase. Realmente um disco 10/10.

Você pode ouvir esse álbum nas principais plataformas digitais.

E amanhã voltamos com mais uma indicação super bacana. PMA!

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Renan Rennxxx

Fã incondicional de quadrinhos dos anos 90 (maior década), colecionador de quadrinhos, LPs e Straight Edge desde 1987. Gibis no acrílico, pizza e Anaheim Ducks são outras paixões. PMA sempre!