Perdemos Eddie Van Halen

Rockstars vêm e vão. Músicos tocam até morrer.Eddie Van Halen, 1955-2020

O maior guitarrista de todos os tempos.

Claro, muita gente vai citar Jimi Hendrix, Jeff Beck, Jimmy Page, Eric Clapton ou até “guitar heroes” modernos, como Satriani, Vai e Malmsteen. Mas no passado, presente ou, certamente, no futuro, ninguém terá sido tão importante quanto Eddie Van Halen.

A família Van Halen migrou da Holanda para os Estados Unidos em 1962, com um piano, 50 dólares e sem saber uma palavra em inglês. Eddie nunca teve aulas de guitarra, apenas aprendeu música no piano. Cansado de não poder improvisar sobre peças clássicas de Bach ou Mozart, ele se voltou para a bateria, enquanto seu irmão Alex começava a tocar guitarra. Esse é o começo da história que mudou para sempre a maneira como ouvimos rock e guitarras: com Eddie tocando bateria.

MOUNTAIN VIEW, CA – JULY 16: David Lee Roth (L) and Eddie Van Halen of Van Halen perform at Shoreline Amphitheatre on July 16, 2015 in Mountain View, California. (Photo by John Medina/WireImage)

Obviamente, o capítulo importante é quando os dois irmãos trocam instrumentos. Em 1972, eles formam uma banda que, em 74, mudaria o nome para “Van Halen” e o resto é história: descobertos por Gene Simmons, do Kiss, conseguiram um contrato com a Warner Records e seu primeiro disco se tornou um dos mais vendidos álbuns de estreia de todos os tempos. São mais de 80 milhões de discos vendidos no mundo todo, 13 hits no número 1 da Billboard, centenas de prêmios, homenagens e tributos.

Fora do Van Halen, trabalhou com Michael Jackson na lendária “Beat It”, com Brian May, com o colega de Van Halen Sammy Hagar, Black Sabbath, Roger Waters, LL Cool J, gravou trilha sonora tanto de filmes mainstream (“Twister”) quanto pornôs (“Sacred Sin”), apareceu como convidado especial em “Two And A Half Men” e sempre é lembrado no topo de listas de “melhor guitarrista”.

Não resta a menor dúvida que a inventividade de Eddie, sua criatividade e, principalmmente, o amor pela música foram os grandes diferenciais em sua carreira. Nunca satisfeito em apenas tocar com precisão, o que esse holandês baixinho e compenetrado queria mesmo era derrubar qualquer barreira, qualquer noção de limite que se colocasse entre ele e seus sentimentos. Ele sabia que a única maneira de conseguir isso era com a guitarra. De personalidade forte, enfrentou altos e baixos, lutas contra o vício, tocou ao lado do filho na banda que levava o nome da família, mas em toda e qualquer entrevista, sempre que dava uma declaração sobre sua fama ou estilo de vida, todo o seu foco se concentrava em um único objetivo: fazer música.

“Eu não sou um rockstar. Claro que, de certa forma, eu sou um por causa da vida que levo, mas quando alguém me pergunta como é ser um rockstar, eu logo falo ‘corta essa’. Eu não sou um rockstar. Não estou nessa pela fama. Se você quer ser um rockstar, ou apenas ser famoso, é só sair correndo pelado na rua, você terá conseguido. Mas eu estou nessa vida pela música. Então, se você quer fazer da música seu modo de vida, então toque, toque, toque, toque e toque! E uma hora você vai chegar onde quer.”

Eddie Van Halen chegou mais longe que qualquer outro guitarrista, se não pelo pioneirismo (que cabe a Hendrix), técnica (que cabe a Satriani), fusão de estilos (que combina com o classicismo de Ritchie Blackmore), pela junção de tudo isso, colocando o hard rock no centro dos holofotes ao tocar com artistas tão diversos, se manter relevante entre eles e continuar no topo, sempre lembrado como o melhor. Mesmo que, humildemente, ele jamais tenha se visto assim.

O site TMZ deu em primeira mão a notícia do falecimento de Eddie, em consequência de uma longa batalha contra um câncer de garganta (foi diagnosticado em 2020). Nas últimas 72 horas, o câncer se espalhou rapidamente em direção ao cérebro e outros órgãos. Ele tinha 65 anos, e faleceu rodeado por amigos e familiares no hospital St John, em Santa Monica, California.

Seu filho Wolfgang, que vinha tocando com o Van Halen como baixista desde 2006, lamentou a morte do pai com uma mensagem no Instagram: “Ele era o melhor pai que eu poderia querer. Cada momento que tive com ele, nos palcos ou fora, foi uma dádiva. Meu coração está partido e não acho que vá me recuperar completamente dessa perda algum dia. Te amo demais, pai.”

Pra nós fica a música, o legado e a lembrança de ter vivido na mesma época que um gênio que conseguiu mudar o rumo da música.

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.