Ouvimos o novo álbum do Angel Witch!

Já ouvi muita reclamação até de fãs, de bandas como AC/DC e Ramones, de que eles “lançam sempre o mesmo álbum”, sem grandes mudanças na sonoridade, construção das músicas ou temas. Como se isso fosse um problema, afinal  essas bandas conquistaram os (inúmeros) fãs que têm com aquela sonoridade, e jamais viram motivos para mudar. 

Isso se encaixa perfeitamente a “Angel of Light”, o novo disco dos londrinos Angel Witch. O mesmo clima sujo, frio e distante que fez deles uma das mais proeminentes bandas da Nova Onda do Heavy Metal Britânico, chega com uma produção melhor e uma experiência de mais de quatro décadas na estrada – ainda assim, é o bom e velho Angel Witch de sempre, e é assim que preferimos. 

Claro, nem todos os discos deles foram iguais, mas o que vemos aqui é uma tentativa clara (e bem-sucedida) de focar todas as forças no que fazem de melhor, no entendimento de sua música e da relação com os fãs. Uma “volta às origens” cercada de experiência. 

O disco abre com “Don’t Turn Your Back”, a típica faixa de abertura: rápida, pesada e mais curta, na média, que as demais. Mas ela possui variações rítmicas, muitos riffs de guitarra e a sensação de sermos transportados para as ruas de uma metrópole suja do fim da década de 70. “Death From Andromeda” nos ataca com riffs galopantes ainda mais empolgantes, não admira que essa banda tenha influenciado tanta gente. A música tem todos os elementos perfeitos e muito bem colocados. Em seguida, “We Are Damned” deposita sua força nas guitarras, com muitos riffs e solos que nos transportam à mesma sensação de ouvir “Angel Witch”, o disco de estreia, pela primeira vez. 

“The Night is Calling” começa com um dedilhado calmo, fortemente influenciado por UFO e Uriah Heep, antes de chegar ao peso e à melancolia que nos levam ao grande destaque do álbum: “Condemned”. A sua introdução mais doom metal desemboca em riffs rápidos, mas com um andamento mais cadenciado e cuidadosamente planejado para não perder a atenção do ouvinte. Ficamos tão absortos que a introdução de “Window of Despair” parece nos tirar de um transe, rápida e mortal.

Já com “I am Infamy” não há nenhuma preocupação em ser sutil. A bateria desfere golpes violentos, que são equilibrados pelo baixo sempre pulsante. As guitarras cortam fundo e o vocal segue tão propositadamente datado que é impossível acreditar que esse disco realmente foi produzido esse ano! O massacre termina com a épica faixa-título, que começa mais mórbida e vai aumentando a pressão sanguínea a cada riff. Um encerramento perfeito, sem sombra de dúvida. 

Antigos fãs do Angel Witch vão achar que nada aconteceu desde o lançamento do primeiro disco (esse é apenas o quinto trabalho de estúdio da banda), mas ele é, acima de tudo, uma prova de fidelidade ao estilo, um testamento para os fãs e um poderoso legado das características mais importantes do heavy metal: não adianta ser rápido ou pesado, é inútil mudar o estilo a cada álbum, se você não tiver, em primeiro lugar, o amor pelo estilo. E nesse quesito o Angel Witch é, sem sombra de dúvidas, uma das bandas mais vencedoras de todos os tempos.

Angel Witch – “Angel of Light”
Metal Blade Records

Kevin Heybourne – vocal, guitarra
Will Palmer – baixo
Jimmy Martin – guitarra
Fredrik Jansson – bateria

1. Don’t Turn Your Back
2. Death from Andromeda
3. We Are Damned
4. The Night Is Calling
5. Condemned
6. Window of Despair
7. I Am Infinity
8. Angel of Light

Ouça no Deezer: https://www.deezer.com/album/106572852?utm_source=deezer&utm_content=album-106572852&utm_term=2403969748_1572958649&utm_medium=web

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.