Os 40 Anos de Maiden Japan!

Os 40 anos de “Maiden Japan”! Parece que foi ontem, não é mesmo? A jovem banda Iron Maiden, uma das mais promissoras da NWOBHM, já tinha lançado dois álbuns. O primeiro, homônimo, mostrava uma energia e selvageria sem paralelos na cena – faixas como “Phantom of the Opera” e “Prowler” se tornaram emblemáticas do estilo! No segundo disco, “Killers”, a esmerada produção de Martin Birch elevou faixas como “Purgatory” e “Murders in the Rue Morgue” ao status de hinos”!

Foi justamente por ter “subido a régua” da banda que a popularidade do grupo explodiu, rendendo uma turnê que tomou de assalto não apenas a Europa, mas também os Estados Unidos (onde abriram para UFO e Judas Priest) e Japão – o que nos traz a esse clássico EP, que completou 4 décadas de seu lançamento!

Na verdade, a banda nem tinha a intenção de lançar este material: ele só chegou às lojas por exigência do braço nipônico da gravadora, a Toshiba-EMI. Como era bom não entrar numa queda de braço com o importante mercado japonês, eles aceitaram gravar a apresentação feita em Nagoya, no Aichi Kosei Nenkin Kaikan, no dia 23 de maio de 1981. Chama de cara a atenção o som um pouco abafado, mas executado no palco com o padrão de qualidade exigido pelo Maiden. As músicas têm um andamento muito rápido, pesado e é nítido o quanto o público se empolgava com cada canção.

Curiosamente, no Japão, o título do EP é “Heavy Metal Army” e foi lançado por lá com apenas quatro faixas: “Running Free”, “Remember Tomorrow”, “Killers” e “Innocent Exile”. Outro detalhe curioso é que essa versão foi prensada em 45rpm, ao passo que outros mercados receberam uma versão com uma faixa a mais, “Wrathchild”, e a prensagem mais tradicional de 33rpm. E não é só isso: a capa original apresentava Eddie segurando a cabeça decapitada do vocalista Paul DiAnno, o que remetia diretamente ao álbum “Killers” (até a machadinha está lá)! O problema é que o empresário da banda, Rod Smallwood, sabia que DiAnno seria demitido em alguns meses e outra capa precisou ser feita às pressas – aquela mais conhecida, com o Eddie samurai empunhando uma katana. De alguma forma, a capa “original” foi lançada oficialmente na Venezuela (e, segundo a lenda, no Brasil, mas nunca achei essa versão). Isso torna o EP, que já tinha prensagem limitada, ainda mais raro e cobiçado pelos fãs!

O título “Maiden Japan”, como você já deve ter percebido, é uma brincadeira com o conhecido álbum ao vivo do Deep Purple, o “Made In Japan”. As duas versões da capa são de autoria de Derek Riggs, e a produção ficou por conta de Doug Hall e da própria banda.

Uma coisa legal é que o disco já abre com “Running Free”, uma música que, nos anos que se seguiram, serviu para encerrar os shows (e geralmente é assim que ela é executada até hoje). A voz de DiAnno está fantástica, aliando agressividade e técnica de maneira sem paralelos entre outras bandas da NWOBHM. É difícil acreditar nas tensões internas que cresciam entre os instrumentistas e seu vocalista, movidas pelo abuso de álcool de DiAnno e compromentendo a qualidade dos shows – DiAnno, por sua vez, não estava lá muito satisfeito com o direcionamento musical do grupo, que se afastava rapidamente das influências punk rumo ao som mais progressivo que o baixista e líder Steve Harris tanto ama. Foi despedido ou pediu demissão? Depende pra quem você pergunta.

A segunda faixa é “Remember Tomorrow”, que contém diversos elementos característicos do Maiden: a introdução, lenta e dedilhada, é quase uma viagem emocional – de repente, ele é cortada pelos gritos agonizantes de DiAnno! Alternando fúria e sensibilidade, ela mostra não só muita criatividade, mas também o quanto eles começavam a ficar ousados em suas composições. Não dá pra saber o que vai acontecer a seguir e a carnificina começa como uma tempestade de sangue e fogo.

Uma recente adição à banda tinha sido a entrada do guitarrista Adrian Smith, substituindo Dennis Straton – e “Wrathchild”, uma música escrita em 1979 para a coletânea “Metal for Muthas”, ganhou um explosivo solo na introdução, com todas as características mais rock n’ roll de Smith. Toda a energia entre a banda e a plateia sobe à décima-potência no refrão dessa música, uma das mais executadas dessa fase após a saída de DiAnno.

O que falar de “Killers”? A faixa-título do segundo álbum da banda é uma porrada, com baixo e bateria pulsando em uma velocidade alucinante, enquanto DiAnno é assassino e vítima, com seus gritos aterrorizantes e muito bem colocados na música. Tudo aqui funciona no momento certo, da maneira certa. O dueto de guitarras, então, influenciou muita gente que veio depois – em especial as bandas de thrash metal dos anos 80.

O EP termina com “Innocent Exile”, uma pequena pérola do segundo álbum que soa como um frankenstein aterrorizante, com diversas características do som do Maiden: baixo, bateria e guitarras formam uma colcha de retalhos que alia peso, velocidade, cadência, melodia e fúria. A voz de DiAnno navega por essa orquestra de metal com força e vigor que mostram não só quanto ele era bom – mas também o quanto deve ser estranho para os fãs ter recebido a notícia de sua saída.

Uma versão de “Maiden Japan” lançada em CD em 2007 contém o show completo da banda. Confira as faixas:

  1. Wratchild
  2. Purgatory
  3. Sanctuary
  4. Remember Tomorrow
  5. Another Life (incl. solo de bateria)
  6. Genghis Khan
  7. Killers
  8. Innocent Exile
  9. Twilight Zone
  10. Strange World
  11. Murders In The Rue Morgue
  12. Phantom Of The Opera
  13. Iron Maiden
  14. Running Free
  15. Transylvania (incl. solo de guitarra)
  16. Drifter
  17. I’ve Got The Fire (cover do Montrose)

Essa é a versão que eu tenho e, apesar de preferir os discos com Bruce Dickinson no vocal, tenho um carinho especial pelo EP original “Maiden Japan”. Da mesma forma que “Unleashed in the East” foi a porta de entrada para muitos fãs do Judas Priest antes mesmo do lançamento do multiplatinado “British Steel”, o “Maiden Japan” mostrou do que a banda era capaz antes da chegada às lojas do lendário “Number of the Beast” – mas será que o novato vocalista estaria à altura das performances da banda? Bom, essa é outra história. O que fica é a importância de mais este capítulo da história do Iron Maiden e do Heavy Metal.

Paul DiAnno – Vocalista
Steve Harris – Baixo e Backing Vocals
Dave Murray – Guitarra
Adrian Smith – Guitarra e Backing Vocals
Clive Burr – Bateria

Lançado em 14 de setembro de 1981
Gravado ao vivo em 23 de maio de 1981, no Aichi Kōsei Nenkin Kaikan em Nagoya, Japão

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.