Os 40 Anos de Back in Black, do AC/DC

1980 foi um ano mágico para os fãs de rock. Além de “British Steel”, do Judas Priest, “Heaven and Hell”, do Black Sabbath e o disco de estreia do Iron Maiden, tivemos um dos capítulos mais importantes da história da música com o lançamento de “Back in Black”, do AC/DC.

Mais do que a estreia do vocalista Brian Johnson, o que temos aqui é um dos discos mais populares de todos os tempos, tendo vendido cerca de 50 milhões de cópias no mundo todo. No final do ano passado, recebeu a certificação de VINTE E CINCO VEZES PLATINA. Nada mal para uma banda que poderia ter encerrado as atividades por conta da morte do seu vocalista original, hein?

O AC/DC já tinha seis discos, cinco lançados internacionalmente, e o registro de 1979 “Highway to Hell” (sobre o qual falamos aqui) alcançou grande sucesso comercial. A produção de Robert John “Mutt” Lange teve grande importância nessa história: ele soube deixar o som mais acessível para o mercado americano, onde vendeu um milhão de cópias. A ideia era começar a trabalhar num novo álbum assim que a turnê terminasse mas, em 19 de fevereiro de 1980, o lendário vocalista Bon Scott perdeu a consciência após uma noite de bebedeira num pub londrino. Deixado para dormir no banco de trás de um Renault 5, ele foi encontrado já sem vida na manhã seguinte – as causas da morte variam entre envenenamento alcoólico agudo, hipotermia e vômito aspirado para os pulmões.

Como se recuperar de algo assim? Uma figura carismática, que ajudou a moldar não só a imagem, mas também a música da banda quando eles estavam indo direto pro topo. Resolveram seguir um conselho de Lange e trouxeram o vocalista de uma banda chamada Geordie para testes: Brian Johnson. Johnson combinava o melhor de Robert Plant, Ian Gillan e Noddy Holder, mas com uma atitude provocadora de bad boy. Em 29 de março, ele foi oficializado no posto – era hora de começar a trabalhar no novo disco, com a nova formação.

As músicas foram escritas por Johnson e pelos irmãos Angus e Malcom Young, com as gravações acontecendo nas Bahamas, por um perído de sete semanas entre abril e maio. Cabe aqui dizer que eles preferiram não utilizar nenhuma das letras escritas por Bon Scott anteriormente, durante turnês ou outras gravações. A ideia era não lucrar com algo que o amigo tinha feito – o que jogou bastante pressão em Johnson. Lange também não poupava o vocalista:

Era sempre ‘De novo, Brian, de novo – péra, você segurou demais aquela nota, não dá pra respirar’. Ele não deixava passar nada. Ele não queria um disco que fosse impossível das pessoas cantarem também, então até minha respiração tinha que estar no lugar certo. E você não pode brigar com alguém por querer fazer o melhor, mas ele me deixava louco. Eu sentava lá e ficava, ‘Arrggghh!’

— Brian Johnson

O clima no estúdio, de modo geral, era de bastante otimismo. No final do período de gravações, eles ligaram para o empresário Ian Jeffery pedindo um sino para incluírem no álbum. Ele até encontrou uma fundição que poderia fazer o sino, mas isso levou sete semanas – achou melhor, então, pedir que gravassem os sinos de alguma igreja próxima – o problema foi o barulho de pássaros voando na gravação. Resolveram esperar o sino da fundição, então, que tinha exatamente o som que procuravam. As primeiras linhas de “Hell’s Bells” são sobre as fortes tempestades que caíram nas Bahamas durante a gravação:

“I’m rolling thunder, pourin’ rain. I’m comin’ on like a hurricane. My lightning’s flashing across the sky. You’re only young but you’re gonna die.”

Em julho, ele chegou às lojas com uma capa toda preta, em sinal de luto por Scott. A recepção, por outro lado, foi bem calorosa: reviews positivos, singles nas rádios e muitas, mas MUITAS vendas. A turnê que seguiu durou um ano e ajudou a consolidar o nome do AC/DC como uma das maiores bandas da história do rock. Isso alavancou as vendas de seus discos anteriores, especialmente “Highway to Hell”, “If You Want Blood You’ve Got It” e “Let There Be Rock”, o que fez deles a primeira banda a ter quatro discos entre os cem mais vendidos nas paradas ao mesmo tempo desde os Beatles. A banda gravou vídeos para “You Shook Me All Night Long”, “Hells Bells”, a faixa-título, “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”, “Let Me Put Love Into You” e “Shoot to Thrill”. As quatro primeiras foram lançadas como singles.

“Back in Black” foi lançado num momento de muita indefinição para o rock pesado, que vinha passado por uma queda de popularidade – muito por conta das bandas investindo em músicas mais longas e lentas – logo revertida para um revival, com bandas como AC/DC e Van Halen tocando com ousadia e alegria, colocando mais energia nas músicas e uma atitude quase punk perante o marasmo que tomava conta da indústria. Os títulos das músicas podem aparecer tanto em tatuagens quanto conversas de bar ou na cama, a atitude da primeira à última nota influenciou guitarristas no mundo inteiro tanto quanto Tony Iommi e sua popularidade ficou marcada na popsfera, sendo lembrado como o arquétipo de um disco de rock. É irônico que o maior sucesso do AC/DC tenha surgido de sua maior tragédia – mas até isso conspira a favor de “Back in Black”, um disco que não marcou uma “revolução cultural”, ao contrário. Ele significa hoje o mesmo que significa na época: rock and roll é pra ser divertido. E não tem nada mais divertido do que ouvir AC/DC.

AC/DCBack in Black
Produzido por Robert John “Mutt” Lange
Atlantic Records

  1. “Hells Bells” 5:10
  2. “Shoot to Thrill” 5:17
  3. “What Do You Do for Money Honey” 3:33
  4. “Given the Dog a Bone” 3:30
  5. “Let Me Put My Love into You” 4:16
  6. “Back in Black” 4:14
  7. “You Shook Me All Night Long” 3:30
  8. “Have a Drink on Me” 3:57
  9. “Shake a Leg” 4:06
  10. “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution” 4:15

Brian Johnson – vocal
Angus Young – guitarra
Malcolm Young – guitarra base, backing vocal
Cliff Williams – baixo, backing vocal
Phil Rudd – bateria

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.