O Exterminador do Futuro 5: Gênesis

Promissor, necessário, mas estragado pelo marketing?

O Exterminador do Futuro: Gênesis é a 2ª tentativa de emplacar uma trilogia coerente e coesa neste maravilhoso universo criado e concebido por James Cameron.

O quarto filme da franquia (Salvação) deveria ter sido o início de uma nova trilogia, onde o foco era a raça humana e sua luta pela sobrevivência num mundo completamente dominado pelas máquinas. E não em viagens no tempo de exterminadores ao passado e todas as dores de cabeça que viagens no tempo e realidades alternativas podem proporcionar ao público. Era algo totalmente novo no universo da franquia. Mas em dado momento o estúdio não teve a coragem de arcar com as consequências que seriam a morte de John Connor e sua substituição pelo cyborg Marcus Wright com o rosto de Christian Bale.

Sendo assim, Salvação foi um filme bem comum e com um final mais comum ainda. Não que T4 seja ruim. Longe disso. Mas para um público que aquela altura já tinha assistido 3 filmes da franquia, era necessário o algo a mais. Eu diria que faltava o creme de milho para adicionar naquela bela refeição de domingo. Somando aos problemas nos bastidores, e ao fiasco comercial, rapidamente o filme foi esquecido.

Claro que, com isso, não vamos comentar os inúmeros problemas que os direitos de Exterminador passaram no decorrer dos anos, inviabilizando continuações e até mesmo animações e séries derivadas (havia todo um planejamento de expansão do universo por meio de seriados, histórias em quadrinhos e animações). O universo de Exterminador foi então largado em segundo plano só retornando ao estrelado em 2015.

Sarah e Pops, que meigo

Seria Genesis o grande responsável por levar o Exterminador ao próximo nível. Seria o filme que quebraria tabus e traria mudanças significativas a franquia. Para isso contratou Alan Taylor para dirigir após o incrível sucesso de Thor: Mundo Sombrio e Laeta Kalogridis e Patrick Lussier para escrever a história que seria o pontapé de algo totalmente novo e inusitado.

O que seria de um filme sem um elenco forte, não é mesmo? Então o estúdio contratou Emilia Clarke (que já se destacava com sua formidável Daenerys Targaryen em Games of Thrones), Jason Clarke (Planeta dos macacos e mais uma série de vilões na sua carreira), Jai Courtney (que estava com a carreira em ascensão com a franquia Divergente), Dayo Okeniyi, Byung-hun Lee, Matt Smith (Doctor Who) e JK Simmons (vindo do sucesso do filme Whiplash).

Sobre o filme propriamente dito, a história começa em 2025 em uma narração em off de Kyle Reese, vivido pelo ator Jai Courtney, onde somos apresentados ao exato futuro elaborado por James Cameron em Exterminador do Futuro (o primeiro e reverenciado filme da franquia). Toda a narrativa dos primeiros minutos trata de não só apresentar o universo fantástico de um futuro dominado pelas máquinas, mas sim de causar a sensação de urgência ao expectador. Tudo é muito frenético e agitado, afinal se trata da última investida dos humanos para vencer a guerra contra as máquinas. John Connor aparece como o verdadeiro líder. Experiente de guerra, sabe tudo do que vai acontecer, devido ao preparo e treinamento de Sarah Connor para transformá-lo no que se tornou. Um treinamento de uma vida inteira que justifica a adoração e aclamação do povo como o seu grande salvador. Este sentimento de respeito, amor, esperança estão em Kyle Reese.

Houve estudo e preparo da produção nos detalhes

Os humanos são bem-sucedidos na empreitada contra as máquinas, mas a Skynet não desiste nunca e encaminha um T800 programado para matar Sarah Connor em 1984. Kyle se candidata para defender a mãe do líder da resistência humana. Tudo ocorre como o planejado para a própria sobrevivência de John. Afinal ele precisa que Kyle retorne ao passado, se apaixone por Sarah e gere John.

Todos os eventos aqui mostram um filme bebendo direto da fonte original da franquia, mas com o intuito de transformar em algo novo e diferente. Algo surpreendente. No transcorrer da viagem de Kyle ao passado, ele é bombardeado com fragmentos de memórias de sua versão do passado, mas são memórias diferentes das que ele viveu. Ao chegar em 1984, o T800 enviado para matar Sarah é morto por um T800 envelhecido. Reese se vê sendo perseguido por um t1000 (o clássico Exterminador de metal líquido) e salvo por uma Sarah guerreira e que sabe tudo de seu futuro.

PIOR KYLE

Kyle se depara, contudo, com um passado totalmente diferente do que John havia lhe descrito. A doce e meiga Sarah de Linda Hamilton, foi substituída por uma menina que derrota Exterminadores com estratégias de guerra. Isso porque 11 anos atrás a Skynet mandou um exterminador para matá-la e um T800 reprogramado por alguém que nunca saberemos a salva. Transformando assim toda a linha do tempo.

O exato momento do reset na franquia. Tudo apagado e pronto para recomeçar

Não se engane, mas já com esses eventos de 1973 toda a linha do tempo já se alterou, apagando com isso os eventos de todos os filmes subsequentes. Por isso o novo plano para vencer o Skynet não é em 1997 e sim em 2017.

O grande líder da resistência corrompido pela Skynet, numa jogada de mestre

Não basta de mudanças para você? E que tal se dissermos que John Connor, o grande líder da resistência humana no futuro foi contaminado pelo Skynet e se tornou um híbrido humano/máquina? No processo ele enlouquece e trata de fazer com que todos os eventos para a sobrevivência da inteligência artificial sejam efetivados através do sistema operacional Genesis.

“Olhe pra mim, estou mais bonito??”

Com isso pela primeira vez na franquia temos um vilão bem trabalhado. As camadas que Jason Clarke vai adicionando ao personagem do John são fantásticas. Tal qual uma cebola, John é completamente esmiuçado, revirado e transformado em algo novo e inusitado. Pela primeira vez na série Sarah tem ojeriza pelo que vai gerar no futuro.

Para não perder o fio da meada temos neste filme, uma boa história que atende perfeitamente os desejos de mudança de status quo de personagens chaves no filme, temos um bom enredo para ser desenvolvido em futuros filmes, temos uma narrativa incrível, o que falta mais? Aaaah sim um elenco forte não é mesmo?

Pior dupla? Pior casal? Pior qualquer coisa…

Apesar do ótimo Jason Clark e um coadjuvante de luxo completamente à vontade no papel, me refiro obviamente ao Arnold Schwarzenegger revivendo o T800 aqui apelidado pela Sarah de Pops. A dupla que deveria ser o destaque falha miseravelmente. Emilia Clarke não convence em nenhum momento como Sarah. Nem ela gritando, fazendo biquinho ou dizendo a famosa frase “venha comigo se quiser viver” para salvar Reese. Nada funciona para ela. E o que dizer de Jai Courtney? Ele realmente não estava mal no filme, mas se compararmos com o Kyle interpretado por Michael Biehn no primeiro filme do Exterminador, ele perde, e perde muito feio. Ele não convence que é um sargento da resistência humana com profundo conhecimento sobre os Exterminadores e de todos os eventos da linha do tempo. Na verdade, ele é sempre o apoio para mostrar que Sarah é a forte e imbatível. E o pior de tudo: a dupla não tem química alguma. Bem longe dos Sarah e Kyle da duologia original escrita e dirigida pelo Cameron.

A beleza da sutileza, Genesis ainda encontrou tempo na película para uma crítica social no “stay connected”

Mas mesmo com todos esses problemas no elenco principal, Genesis se mostrou a melhor chance para um retorno da franquia Exterminador do futuro. Acha que isso é papo somente meu? Então e se dissermos que o grande James Cameron elogiou o filme? Não acredita? Segundo as palavras dele “Sinto que a franquia foi revigorada, como um renascimento.”, afirmando que, para ele, esse sim, é o terceiro filme da franquia, e afirmou: “Se você gosta dos dois primeiros filmes, irá gostar desse também.”.

James Cameron is RIGHT!!!

O grande problema de Genesis, foi a divulgação. Tanto de trailers quanto de posters, já denunciavam a grande virada da trama que era o John Connor transformado em Exterminador. Destoando do primeiro trailer que deixava a entender que o embate seria contra o T1000 de Lee Byung-hun.

E todos sabemos que para ser feita uma boa ficção científica, a trama tem de ter uma boa virada e que seja surpreendente. E ao assistir vemos que a intenção do filme era surpreender com um John corrompido pelo Skynet. Só deveriam ter avisado ao time de marketing.

Ser ou não sereis a questão

Uma das falhas a meu ver também, foi realizar um roteiro tão complexo de viagem no tempo, realidades alternativas, relíquias do tempo e tudo mais, que se torna bem repetitivo os personagens tentarem contextualizar a todo momento para que o público não se perca no emaranhando de argumentos e fatos novos.

Daenerys Targaryen não convenceu, infelizmente

Exterminador: Genesis tem suas falhas. Obviamente não é um filme perfeito e está bem longe do desastre que foi T3 ou um T4 covarde e sem personalidade. É uma ótima retomada de franquia, mas que esbarrou num fracasso financeiro nas bilheterias. Como consequência muito dos plots que são apresentados no filme e seriam mais bem desenvolvidos nas próximas continuações se perdem.

T800 revigorado e pronto para o reboot da franquia

Infelizmente Genesis, foi uma ótima tentativa, muito promissora na verdade. Fica para a próxima e que Dark Fate consiga ter sucesso, onde suas continuações falharem miseravelmente: na bilheteria, para que possa sustentar outras continuações ligadas a série.

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Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.