O Espetacular Homem-Aranha

O Espetacular Homem-Aranha, certamente, será o filme que nunca verá a justiça que lhe é merecida. Sempre vai estar sob a sombra das adaptações de Sam Raimi. Lógico que os filmes de Tobey Maguire (ator responsável por interpretar o Homem-Aranha/Peter Parker em sua primeira incursão nos cinemas) têm méritos próprios para serem lembrados pelos fãs. Afinal trouxe um dos maiores heróis da Marvel para telona em uma época que os filmes adaptados da editora não tinham sucesso algum na empreitada.

O ultimo filme da era Sam Raimi/Tobey Maguire, o fatídico “Homem-Aranha 3” (que você vê a resenha aqui ), data de 2007. Mesmo gozando de muito sucesso comercial, foi marginalizado pela critica como o pior filme do Aranha.

Raimi até hoje, tal qual Zack Snyder (diretor de “Superman vs Batman: a Origem da Justiça”), conta como seria um “Homem-Aranha 4” e seu planejamento para fazer este filme ver a luz do sol. Mas não deu e a Sony engavetou este projeto. Cinco anos depois, chega aos cinemas o filme “O Espetacular Homem-Aranha”.

Um Peter Parker jovial, alegre, porém emo? Perfeitamente aceitável

O filme precisava ser diferente dos anteriores, mas ao mesmo tempo ser fiel também às HQs e ao povo que já não era mais leigo no quesito adaptações de quadrinhos. O público dos filmes de heróis já conhecia os filmes da Marvel Studios, e estava costumado a ficar aguardando as cenas extras após os créditos. Eram tempos completamente diferentes do começo dos anos 2000. E este filme precisava, com letras garrafais, mostrar que não estava pra brincadeira, que era fiel ao material original e que era relevante para a indústria do cinema. E, na minha opinião, eles acertaram em cheio em tudo. Basicamente tudo.

A Sony, se reestruturou de uma maneira única para tentar evitar o ultimo fiasco do Aranha. Contratou James Vanderbilt para escrever a história da película e o roteiro. Juntamente com Vanderbilt, foram chamados Alvin Sargent (roteirista de Homem-Aranha 2 e 3) e Steve Kloves (roteirista de todos os filmes da série “Harry Potter”). Na direção, investiram em Marc Webb, que era basicamente um diretor de vídeo clipes e que só tinha um filme na carreira, “500 dias com ela”. Essa decisão por parte da Sony era meio que uma faca de 2 gumes, uma aposta arriscada, mas inovadora. No final, era 8 ou 80.

No elenco, contrataram Andrew Garfield para ser Peter Parker e seu alter ego, Emma Stone para ser Gwen Stacy e Denis Leary para ser o Capitão Stacy. Essa é a trindade principal do elenco, mais o vilão Lagarto vivido pelo ator Rhys Ifans. Tem também um Martin Sheen como tio Ben e Sally Field como tia May coadjuvando na película.

Revi recentemente e não me arrependi um único minuto. Foi diversão demais. Marc Webb filma diversas cenas que parecem transposição dos quadrinhos para as telonas. Tem domínio completo sobre o filme. Até mesmo o Aranha digital parece crível e realista (palmas para os efeitos especiais e o CGI espetacular). O filme tem 4 cenas que são excepcionais: a cena da ponte, que é quadrinhos puro, a primeira luta do Aranha com Lagarto, a sequência na escola e o Capitão Stacy mandando bala no Lagarto congelado.

Habemus Homem-Aranha

Sobre a história, segue a mesma que todos já conhecemos tão bem: rapaz que é criado pelos tios, tímido, porém esperto e muito inteligente, é picado por uma aranha radioativa que lhe confere poderes extraordinários. Os detalhes que foram a liberdade criativa para dar personalidade ao filme, são apenas isso: meros detalhes. Como Richard e May Parker parecerem mais agentes secretos que propriamente cientistas que realizaram uma grande descoberta. Ou o Peter do Garfield ser um pouco exagerado na raiva reprimida por não ter a presença dos pais e descontasse nos tios. Tudo isso é perfeitamente entendível e dá pra assimilar numa boa. Até porque o ótimo Andrew Garfield fez um Peter Parker autêntico. Tinha momentos que ele era tímido, ora retraído, ora esperto, ora muito inteligente e até mesmo impulsivo. E isso dava muita credibilidade ao personagem. Ele estava completamente imerso no “amigão da vizinhança”.

Teia orgânica? Não mesmo, aqui é ciência

Mas o que chama a atenção em “Espetacular Homem-Aranha” é a preocupação em ser mais fiel que os filmes do Raimi. Nesta versão, o Peter é um gênio e constrói seu próprio lançador de teias na garagem (ao contrário do lançador de teias do Tobey ou a armadura feito pelo Stark nos filmes com Tom Holland), além de ter um intelecto de cientista, vide sua interação com Dr. Connors. A transformação e motivação do cientista também estão lá intactos, como nas HQs. E atitude muito corajosa do roteirista em optar por escolher a Gwen Stacy como par romântico do herói. Emma Stone, além de ser linda, é uma ótima atriz e interpretou uma Gwen perfeita demais e ao mesmo tempo com muita atitude. Há também o Capitão Stacy e sua implicância com o vigilante fantasiado de Aranha.

Casal realmente com química

Ou seja, nesta versão do Aranha tudo estava muito bem organizado, muito bem filmado. Boas cenas de ação. Ótimos atores. Ótimos efeitos especiais. Era uma sinergia única. Uma vibe muito boa. Não precisou mostrar o Jameson no Clarim ou tio Ben recitar o mantra manjado “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades” imortalizado na versão do Raimi (que vinha das HQs, obviamente).

GO, SPIDER, GO!!

E, como comecei esta matéria, só o tempo vai mostrar qual o melhor Homem-Aranha. Mas depois de eu ter visto Tobey Maguire, Andrew Garfield e Tom Holland, eu opto pelo ator de “Até o Último Homem”. Um baita ator que ainda vai ter seu reconhecimento merecido.

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Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.