O Espetacular Homem-Aranha 2

O Espetacular Homem-Aranha 2, lançado em Maio de 2014 aqui no Brasil, tinha a incumbência de consolidar Andrew Garfield no papel de Peter Parker/Homem-Aranha e de ratificar a (então) nova abordagem do diretor Mark Webb, na época conhecido por ter dirigido 500 Dias Com Ela (2009), draminha romântico que lhe rendeu alguns elogios e, pasmem, abriu as portas para que dirigisse O Espetacular Homem-Aranha, em 2012. Webb buscou se distanciar o máximo possível da primeira trilogia do cabeça de teias, tutelada por Sam Raimi, e talvez tenha sido esse o seu grande pecado.

Com efeitos especiais caprichados, às vezes beirando a animação, o filme possui cenas de ação muito boas que exploram bem a capacidade de imersão do 3D. Garfield parece mais à vontade na pele do herói e consegue transmitir com fidelidade o ar juvenil característico desta versão. O Aranha piadista mais uma vez marca presença, seguindo a linha do primeiro filme, com sacadas bem-humoradas e gags visuais muito divertidas. Some-se isso à presença da maravilhosa e talentosa Emma Stone, perfeita na pele de Gwen Stacy, o competentíssimo Jamie Foxx, Sally Field como tia May… fica a pergunta: por que não decolou?

Como disse antes, o problema foi a busca desenfreada pelo distanciamento da trilogia anterior. A recepção do primeiro filme de Webb não fora lá essas coisas e o segundo filme veio com uma premissa até boa, porém megalomaníaca. Muitos vilões. Muitas tramas. Muito muito.

A começar pela trama dos pais de Peter. Complicada e até desnecessária, se estende demais. Jamie Foxx decepciona antes e depois de se tornar o vilão Electro. Sua interpretação mongol de Max Dillon beira o ridículo. Certo que muito se deve ao roteiro, mas é sofrível ver um ator renomado fazendo besteirol na tela. Após ganhar seus poderes melhora um pouco. Só um pouco.

Dane DeHaan, no papel de Harry Osborn até se sai um pouco melhor e não fosse as escolhas pouco felizes da direção e roteiristas (o roteiro foi reescrito algumas vezes), poderia ter sido melhor.  Como filho deixado de lado e complexado, soa bem.

As tramas vão se misturando e tudo fica um pouco confuso e atabalhoado. A boa interpretação de Stone salva boa parte, mas não o bastante. A película caminha vertiginosamente para um final apoteótico (e até bom). Garfield se mantem bem como Peter e como Aranha, nos afastando do eterno loser criado por Tobey Maguire.

Não podemos reclamar das cenas de ação. Tudo feito da melhor maneira e funciona ainda hoje, reassistindo.

Fica de bom a lembrança de uma boa adaptação da morte de Gwen, a profundidade que o diretor desejava para os personagens (você não, Electro!) e O MELHOR UNIFORME EVER DO ARANHA! A franquia, caso continuasse, traria o Sexteto Sinistro numa sequência e talvez até Venom. Eu, particularmente, gostaria que tivesse vingado…

Avalie a matéria

Fabiano Souza

CAPITÃO no meio campo, escreve textos e destrói falsos deuses antes do café da manhã