Metalder - O Incompreendido Homem-Máquina - POPSFERA

Metalder – O Incompreendido Homem-Máquina

Olar, popnautas! Olha nós aqui outra vez, agora começando uma série nova no site, voltada para tokusatsus, os seriados life action de heróis japoneses.

Mas antes, um importante aviso de utilidade pública:

Os jovens e inocentes gafanhotos que por um acaso estejam lendo esse texto, podem, ao ver a imagem que abre nossa matéria, virem a pensar que o velho papai aqui vai discorrer sobre V.R. troopers, aquele “discutível” seriado que a Saban “produziu” no ocidente com base nos seriados japoneses… Eh, queridos amiguinhos, primeiramente VR TROOPERS está para Metalder assim como Mozart está para É o Tchan, ou a Alemanha está para o Brasil de 2014. Foi um surto, uma abominação, um Frankenstein que não deveria ter existido e que deve ser apagado de todo e qualquer registro da existência humana (isso porque eu nem toquei em Masked Rider, aquilo sim uma atrocidade ainda pior, que deveria ser julgada no tribunal de Haia, por crimes contra a humanidade).

Dito isso, vamos para Choujinki Metalder, ou Metalder, o Homem-Máquina, como ficou conhecido nas terras tupiniquins graças as transmissões na Rede Bandeirantes no início da década de 90.

O gênero metal hero (heróis de armadura, xerifes intergalácticos) estava passando por uma certa necessidade de reformulação em 1987. A trilogia dos policiais do espaço que tanto haviam cativado o publico japonês com Gavan, Sharivan e Sheider, dava sinais de cansaço nas séries subsequentes (sim, Jaspion, estamos falando de você) o que acabou refletindo em menor interesse e queda de audiência e, com isso, a necessidade de renovação se fazia presente. Então a boa e velha Toei pensou, refletiu e resolveu fazer aquilo que faz de praxe: pegar velhas fórmulas, bater no liquidificador, embrulhar num pacote novo e trazer para o publico como “a grande novidade”.

A novidade, no caso, o nosso Metalder, inspirou-se em raízes bem antigas, que vão desde Pinóquio, até Astro Boy e principalmente, de um grande sucesso japonês, Kikaider.

Kikaider, a inspiração do Metalder, filosofando sob o sol

Kikaider é basicamente um androide construído com sentimentos humanos para lutar pela humanidade, tentando aprender a lidar com esses sentimentos e a fazer parte do mundo humano. É a máquina que quer ser humana, tal como Astro Boy, tal como Pinóquio. Metalder pegou essa ideia e pegou também o design do Kikaider, com seu uniforme sendo uma atualização interessante do seu antecessor. Sem mudar, porém, a idéia, a essência que o move.

Tirando uma onda

A origem fictícia do Metalder remete a segunda guerra mundial. Seu Gepeto seria o cientista Dr. Koga, o qual trabalharia em um andróide baseado nos padrões e aparência de seu falecido filho, Tatsuo Koga, segundo subtenente da Marinha Imperial, com a finalidade deste robô  lutar na guerra do Pacífico contra os aliados (o que me leva a pensar o porquê Dr. Koga dar um uniforme azul e vermelho para ele. Só faltou uma estrela branca no peito e um escudo…). Porém, no fim das contas, a guerra acabou seguindo seu curso natural, o Japão foi derrotado e o projeto engavetado.

Imperador Neroz, puro charme e elegância maligna

Chegamos então na década de 80 e uma grande ameaça surge contra toda a humanidade: o poderoso império Neroz, disposto a dominar o mundo através de articulações financeiras, com o suporte de um gigante falange de soldados dotados de enorme força bélica. Em desespero, e logo antes da morrer, Dr. Koga ativa finalmente o projeto Metalder, como última esperança na luta contra o mal.

É aqui que as coisas começam a ficar interessantes e que a “cópia” começa a ganhar vida própria.

Metalder acorda desnorteado, vai para uma batalha que mal entende, e perde a sua primeira luta. Tal sequência já reflete o que viria a ser o espírito dessa série: aqui não há um herói invencível contra um vilão fraco e acovardado! Não, aqui há um herói cheio de dúvidas, que vai além das suas forças contra algo superior numericamente e em poder. Nem sempre vencendo suas contendas, e tendo, às vezes, que apenas lutar para sobreviver. Uma série onde o vilão da semana não vai sozinho ingenuamente para a batalha, ele acaba por levar sua infantaria junto. Muitas batalhas de Metalder são, na verdade, duelos de um único herói contra um exército de monstruosidades. E que exército, amigos.

Arthur, líder da unidade blindada, inimigo foda

Subdividido em unidades de acordo com as características dos seres que a compõem, o império Neroz tem 4 forças distintas de combate em sua armada: Blindada, Mecânica, Monster e Cibernética, que vão desde robôs de guerra até monstros frutos de manipulação genética, todos hierarquicamente comandados por um líder militar que responde diretamente ao imperador. Dentre esses lideres destacam-se Balzac, o poderoso andróide líder da unidade cibernética e Arthur, o perigoso líder da unidade blindada, braço direito do imperador Neroz.

Em suma, temos finalmente um exército subdividido e organizado, para ajudar um império do mal a tomar o poder por meios econômicos e comerciais (sim, esse império tem negócios e fins lucrativos, amigos! Ou seja, finalmente um vilão com um plano organizado de dominação mundial).

Apesar de coadjuvantes de alívio cômico, como a fotógrafa sorridente e amável Maya Aoki e o motoqueiro que mais atrapalha que ajuda Satoru Kita (interpretado por um conhecido da brasileirada, o Change Griffon), além até mesmo de Springer, um cão robô dobermann, falante, que serve de mecânico e manutenção da base de operações, o que sobressaía no final era uma temática bem elaborada, trabalhada, porém pesada e densa, muitas vezes pessimista que, por fim, acabou não caindo no gosto do público alvo: a criançada. E é o interesse do publico que mantém ou derruba um show…

O TI da base de operacoes do metalder, amigos

Essa queda de audiência  acabou refletindo na própria  duração do tokusatsu, foram apenas 39 episódios, o mais curto dos metal heroes até então. Medidas foram tentadas, sendo chamado como convidados especiais atores que já participaram em produções anteriores, como Kenji Ohba, que interpretou Gavan, o primeiro metal hero, e o queridinho dos otakus brasileiros, Junichi Haruta, que interpretou o MacGaren, nêmesis do Jaspion, foram chamados para fazer participações em alguns episódios e ajudar a levantar o interesse do publico.

Apesar desses problemas, os produtores e roteiristas persistiram na temática mais madura e sombria até o fim da série, não deturpando suas características e fazendo um belo gran finale, digno do esforço empenhado, com o sacrifício máximo do herói na batalha decisiva contra o imperador Neroz. Metalder é atingido e duramente danificado teve, com ajuda do seu amigo motoqueiro Satoru, que destruir sua unidade de força gravitacional, antes que ela explodisse e causasse uma grande cataclisma. Com esse sacrifício, Metalder ficou incapaz de voltar a forma humana, perdendo seus poderes e preso a forma robótica, tendo que se isolar junto com seu cão biônico, para sempre, do resto da humanidade.

Talvez estivesse a frente do seu tempo, ou talvez não fosse o publico alvo certo, Metalder acabou, embora errando comercialmente, deixando um importante legado, uma possibilidade de se fazer histórias infanto juvenis mais sérias, onde nem sempre o bem vence todas, ou o mocinho consegue sobreviver. Num universo onde as coisas não são tão preto no branco ou predestinadas a darem certo no final, ou seja, algo mais parecido com uma coisa que conhecemos muito bem e chamamos de vida.

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Pai Fader

Pai fader - Um homem de bem com a vida, cheio de espiritualidade, com uma visão holística sobre esse misterioso mundo pop