Mestres do Universo: Salvando Eternia.

Mestres do Universo: Salvando Eternia: A tão aguardada continuação do desenho animado He-Man and The Masters Of Universe (1983 – 1985), trazida a tona pelo roteirista e cineasta Kevin Smith (Demolidor, Barrados no Shopping) foi recebida com muita controvérsia pelos fãs da antiga série.

Mestres do Universo: Salvando Eternia (Masters Of The Universe: Revelation, 2021), estreou no ultimo dia 23 na Netflix e teve uma ótima aceitação da crítica. Já o público ficou bastante dividido, com uma boa parcela dos fãs reclamando o pouco tempo de tela do “protagonista”.

(À partir desse trecho, o texto tem spoilers)

A série conta com 5 episódios curtos, com cerca de 22 minutos cada, e já no primeiro episódio temos o duelo entre He-Man e Esqueleto, onde os dois aparentemente morrem. Em consequência da batalha, a espada do poder se divide em duas e toda a magia de Eternia começa a desaparecer – Isso acarretará na destruição do universo. Teela (Sarah Michelle Gellar) descobre, no momento final antes da morte de He-Man, o segredo de sua identidade secreta e se desilude.

Desse ponto, a série salta um tempo para o futuro, onde vemos Teela como uma mercenária/caçadora de recompensas, aliada a Andra (Tiffany Smith), que sonha em ser uma heroína. Eventos levam Teela a se unir a Maligna (Lena Headey, de Game of Thrones) e que fica incumbida de encontrar as duas partes da espada do poder e reforjá-la. Só assim a magia retornará a Eternia.

Nessa jornada, He-Man vai aparecendo em flash backs, a medida em que Teela vai encontrando heróis como a Feiticeira, Duncan – O Mentor, Roboto e Gorpo. Cada um deles é trabalhado rapidamente, mas de maneira muito proveitosa. No final, Adam é encontrado numa espécie de pós-vida e retorna a Eternia, apenas para sofrer um novo golpe de Esqueleto, que também não morreu e acaba se tornando um ser poderosíssimo ao tomar a espada do poder para si.

Nesse breve relato se encontra outra das grandes reclamações dos fãs: A onipresença de Teela! A personagem, no entanto, funciona como o fio condutor de uma trama que visa justamente ratificar a importância de He-Man para a série, que no final, sempre tratou de evocar o sentimento de grupo, a amizade e os valores – Quem não se lembra das “lições do He-Man” ao final dos episódios antigos?

Numa entrevista à revista Variety, Kevin Smith disse: “Vocês realmente acham que a Mattel Television, que me contratou e me pagou, quer fazer um Mestres do Universo sem He-Man? Vê se cresce, cara!”. E mais “Tem sido interessante ver quem é fã de verdade. Quem reclama da ausência do He-Man, não entendeu a verdadeira essência do show. Em certos episódios, ele perdia a espada e não era mais He-Man. Não era sempre o He-Man que salvava o dia. Seus amigos o ajudavam. Esse era o objetivo.”

Voltando à Teela, é interessante ver como ela reage ao fato de Adam, no pós-vida (na verdade, Pretéria, uma espécie de céu/paraíso) ter sido o único herói a escolher passar a eternidade em sua forma “inferior” – como cita Greyskull, o primeiro dos heróis, provando que a humanidade é mais importante e que, na verdade, He-Man é o disfarce, assim como o Superman é o disfarce de Clark Kent. É bacana ver como Teela reage também ao seu encontro com Duncan e Gorpo, bem como sua relação com Maligna revela a sua própria essência escondida.

O final do quinto episódio deixa o gancho para a continuação, que segundo Kevin Smith, está com a produção bem adiantada já. Realmente, a série não faz jus às reclamações e tem muitos méritos, mantendo o cerne dos personagens mas dando ao mesmo tempo aquela atualizada necessária para o tempo presente. Certamente, He-Man vai aparecer bem mais na continuação…

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Fabiano Souza

CAPITÃO no meio campo, escreve textos e destrói falsos deuses antes do café da manhã