MARVEL 80 ANOS – OS 70’s

A ERA DE BRONZE

A ERA DE BRONZE é o nome informal dado a esse período que se inicia ali pelo ano de 1970 e vai até 1984, mais ou menos. O início dela coincide com o fim das carreiras de muitos escritores e artistas veteranos da época, e a substituição da velha guarda por uma geração mais jovem de editores e criadores foi natural.

Assim, se os anos 60 na MARVEL foram marcados pelo trabalho da dupla Lee e Kirby, podemos dizer que os anos 70 deram lugar a criadores como Jim Starlin, Chris Claremont, John Byrne, Len Wein, John Romita e Gene Colan, uma galera composta por fãs e leitores de quadrinhos que cresceu lendo o trabalho desses profissionais que estavam pendurando as chuteiras.

Stan Lee sempre procurou expandir seu alcance para além dos estreitos limites da indústria dos quadrinhos e, com o sucesso da Marvel Comics, ele encontrou essa oportunidade. Começou com simples palestras em universidades, alguns programas de TV, até o convite, feito em 1972, para uma apresentação no CARNEGIE HALL, uma sala de espetáculos que fica ali em Manhattan, na cidade de New York. Chico Anysio, por exemplo, já se apresentou por lá também em 1981.

O evento contou com arte promocional de George Delmerico. Foram produzidas 300 cópias e todas elas foram vendidas no evento, sendo hoje uma peça de colecionador rara pra dedéu.

Esse desenho não é do Jack Kirby.

Quando a Marvel Comics, nesse mesmo período, saiu do controle de Martin Goodman e foi adquirida por um conglomerado de empresas e investidores de Wall Street, titio Stan Lee se viu promovido a editor chefe e precisou abandonar quase todo o seu trabalho como escritor e mais algumas tarefas de redação, passando esse bastão para Roy Thomas.

Antes disso, em 1970, a Marvel perdeu Jack Kirby!

Já era nítida a perda de força em seu trabalho recente, tanto em Quarteto quanto nas tiras para jornais do Thor, todas produzidas por ele.

Talvez sentindo certa insatisfação pelo estrelato de Lee somada à perda de controle sobre os personagens que ajudou a criar, Kirbão resolveu procurar um lugar onde pudesse ser mais aplaudido e venerado e, nessa época, a única opção real era a rival DC COMICS, com quem Kirby assinou contrato de exclusividade em 1970, que lhe assegurava uma liberdade sem precedentes no controle editorial de suas criações.

Mas o estoque pessoal do gênio não era ilimitado e ele não conseguiu alcançar o sucesso que obteve na Casa das Idéias.

DC-pcionado, Kirby retorna à Marvel em 1975, assumindo dois títulos de heróis criados por ele: Capitão América e Pantera Negra. Mas o mestre joga pro alto a coerência e, principalmente, a cronologia, e resolve ignorar tudo o que havia sido feito no gibis desses caras e inventa o KIRBYVERSE.

Mas esse Pantera parece que foi desenhado pelo Miller!

A ERA DE BRONZE dos quadrinhos tem como maior característica uma pegada mais pesada em seus temas. Problemas como drogas, racismo, questões sociais relevantes à época e uma atenção ao feminismo eram o tom.

Dois eventos podem ser apontados como o início dela: o gibi AMAZING SPIDER MAN #96, de maio de 71; e a GREEN LANTERN and GREEN ARROW #85, de agosto do mesmo ano. Ambos lidaram com um problema que assustava a sociedade americana: as drogas.

Nos anos 70, as drogas eram temas dos gibis. Hoje, os gibis são uma droga.

Talvez esse clima mais tenso tenha levado Steve Englehart a escrever uma treta mais séria entre VINGADORES e DEFENSORES. Com desenhos do espetacular Sal Buscema e dos nem tão espetaculares assim MIKE ESPOSITO e (hey, there people i’m) BOB BROWN, esse gibi marcou a pivetada que a leu quando a Editora Abril a publicou no gibi GRANDES HERÓIS MARVEL #8.

Hoje todos nós sabemos quem são Thanos, Gamora, Rocky, Drax e mais uma cacetada de personagens que brilharam nas telonas dos cinemas, mas poucos sabem que o início da Marvel Cósmica se deu nos anos 70 também. É verdade que foi nos 60’s que surgiram o Quarteto, Galactus, Surfista Prateado e mais uns caras aí, mas nos 70 essa galera secundária recebeu mais atenção em alguns títulos memoráveis.

No gibi do Capitão Marvel, por exemplo, escrito e desenhado por Jim Starlin, Thanos tentava controlar o universo com o poder do Cubo Cósmico.

O mesmo Starlin despirocava no gibi WARLOCK. A revista foi interrompida no número oito, mas Starlin continuou a saga de WARLOCK no gibi STRANGE TALES a partir do #178, em 1975.

Vamos singrar o espaço até São Tomé das Letras, querida.

Também nos 70 LUKE CAGE faz a sua estreia em LUKE CAGE: HERO FOR HIRE #1. Preso injustamente e submetido a experimentos não muito ortodoxos que tornam sua pela à prova de balas, Luke consegue fugir da cadeia e voltar pro Harlem, sua quebrada, para tomar conta das ruas de uma forma que nem a polícia seria capaz. Drogas e violência urbana de toda espécie seriam retratadas aqui. O gibi foi um sucesso. Por Archie Goodwin e George Tuska.

Em 74 um certo canadense dava as caras e as garras no gibi do HULK. Wolverine se tornaria também um integrante da segunda turma dos X-Men. Desenhos de Herb Trimpe e escrito por Len Wein.

Em 1973 tivemos aquela que seria uma das história mais influentes da trajetória do HOMEM ARANHA. Após dez anos de amor incondicional não apenas com Peter Parker, mas também com o leitor, a Marvel enterra uma faca no coração da galera ao matar GWEN STACY. Essa tragédia foi escrita pelo maldito Gerry Conway e desenhada pelo espetacular Gil Kane. A Gwen não merecia isso, não…

Até hoje rola uma lágrima…

Feministas ficaram de boas com a Casa das Idéias após os lançamentos de MISS MARVEL e SPIDER WOMAN, em 77 e 78 respectivamente.

Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema!

Em 1976, um homem chamado NOVA voava como um foguete com seu capacete turbinado. Escrito por Marv Wolfman e desenhado pelo incrível John Buscema.

Em 79 a Marvel iniciou o arco DEMON IN A BOTTLE na revista IRON MAN, onde Tony Stark teve que encarar seu maior desafio: o alcoolismo. Escrito por David Micheline e desenhado pelo sensacional John Romita Jr.

“Você não consegue ver que está se tornando seu pior inimigo? E você está tentando matar esse inimigo com uma garrafa…”

Bethany Cabe

Em 1971, a Marvel investe em um gibi com um protagonista chinês aproveitando o sucesso de Bruce Lee. Nasce assim THE HANDS OF SHANG CHI, MASTER OF KUNG FU. Esse gibi teria uma fase excelente nas mãos de Doug Moench, Mike Zeck e Paul Gulacy, mas isso só nos anos 80.

Em 1975, a Marvel faz uma jogada ousada e reformula por completo um de seus títulos. Com vendas muito baixas e até um cancelamento, os X-MEN viriam a ser um dos carros chefe da editora por décadas a partir desse gibi abaixo, que foi escrito por Len Wein e desenhado pelo mestre Dave Cockrun.

A MIM, MEUS X-MEN!

A guinada no título foi absurda e o sucesso nas vendas foi imediato. Os anos 70 ainda seriam preenchidos com dois eventos muito marcantes na cronologia dos mutantes: a edição 100 e a 101 de X-MEN. Neles se desencadeiam os eventos para o surgimento da Fênix. Esse gibi só receberia a palavra UNCANNY em seu título na edição número 114, de outubro de 78.

Bill Mantlo criou e escreveu muitos personagens para a Marvel nos anos 70, alguns deles muito famosos nos dias atuais, como Rocky Racoon. Infelizmente ele foi vítima de um atropelamento seguido de fuga e sofreu danos cerebrais permanentes. Algumas de suas criações e/ou trabalhos são memoráveis e preciso citar alguns nesse texto:

ROM foi um gibi sensacional que trazia as aventuras de um Cavaleiro do Espaço na perseguição implacável aos Spectros, alienígenas do mal que já estavam infiltrados na Terra. Essa não foi uma criação de Bill, uma vez que ROM era um personagem da Hasbro, fabricante de brinquedos e jogos, mas ele mandou muito bem ao escrevê-lo. Os desenhos ficaram a cargo do genial Sal Buscema.

Os Micronautas também eram personagens oriundos da indústria de brinquedos. Com alguns personagens criados por Bill Mantlo, o gibi foi desenhado por Steve Ditko.

E, pra finalizar esse passeio pela década de 70 dentro da Marvel Comics, em janeiro de 1976 a galera deve ter pirado ao se deparar com esse gibi nas comic shops dos EUA:

Gibi tão legal que pegamos a imagem de um autografado pelo Mestre.

Gerry Conaway escreveu e Ross Andru se encarregou de desenhar esse encontro. Lí por aí que Neal Adams finalizou o Superman e John Romita finalizou o Aranha e Peter Parker nesse gibi para que seus personagens saíssem com o traço mais familiar possível para seu público.

A década de 70 foi realmente especial para a Marvel Comics. Poderíamos citar ainda eventos como a GUERRA KREE/SKRULL, o MOTOQUEIRO FANTASMA, o JUSTICEIRO, e muito mais, mas esse texto vai terminar por aqui, popnautas!

Até a próxima década!

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