Krypton – Temporada 2: episódios 1 e 2

Digam o que for da DC/Warner e do tratamento que ela vem dando ao Homem de Aço. Os filmes erraram a essência do personagem e, justo quando parecia estar acertando, o Universo DC no cinema encontrou um fim prematuro – ou, pelo menos, um futuro incerto.

Já na TV, ela tem se arriscado bastante. As séries do CW (“Arrow”, “Flash”, “Supergirl” e “Legends of Tomorrow”) não são exatamente a reinvenção da roda – são apenas os bons conceitos sendo corretamente explorados. Já em “Titãs”, “Patrulha do Destino” e “Monstro do Pântano” (a qual estou resenhando aqui, episódio por episódio), parece que os roteiristas resolveram tacar fogo no bordel e deixar a imaginação correr solta em favor da história.

O que dizer de “Krypton”, então? Bom, basta que qualquer fã de quadrinhos mais avisado ia pensar muito antes de assistir uma série criada por David Goyer sobre o AVÔ do Superman (vivido por Cameron Cuffe, ainda melhor na segunda temporada). Eu mesmo, só encarei porque trata-se do meu personagem favorito e de sua rica mitologia. O pior que podia acontecer seria eu não passar do primeiro episódio, como fiz com tantas outras.

Mas aí eu teria que me ajoelhar perante Zod!

Aí me tacam uma primeira temporada de dez episódios com direito a Brainiac (Blake Ritson), Adam Strange (Shaun Sipos), General Zod (Colin Salmon) e Doomsday– todos MUITO BEM caracterizados, com efeitos especiais excelentes (é inevitável comparar o Doomsday da série com o de “Batman v Superman”) e uma história muito bem amarrada, que mostra uma tentativa de viagem no tempo para consertar um futuro que ainda não aconteceu e… tudo dá errado.

Mãe do Zod ou avó do Superman?! ENTENDA!

O elenco se sai muito bem, especialmente a grande surpresa Lyta – a jovem mãe daquele que virá a ser o General Zod. Aliás, difícil dizer o que foi mais surpreendente aí: o plot twist sobre a linhagem de Zod ou o fato de que ele foi para o passado fugindo da Zona Fantasma. É bom ver uma mitologia tão rica quanto a do Superman sendo tão bem explorada.

Então chega a segunda temporada, já com dois episódios, e…

Conquiste o mundo com alguém que te olha como se você fosse apenas um meio para um fim.

Além de termos o General Zod como governante supremo de Krypton, temos Brainiac e Seg-El foragidos da Zona Fantasma, vimos o planeta Terra no futuro primeiro conquistado por Zod e depois por Brainiac e… Lobo!

Não, eu não sei quem é esse tal de “Lobúsculo”! Eu sou o original!

Isso mesmo! O Maioral, o Flagelo da Galáxia, o Caçador de Recompensas mais temido do Universo chega numa interpretação divertidíssima de Emmett J. Scanlan – o suficiente para serem anunciados planos de uma série solo do personagem.

Nesses dois episódios, vimos Seg-El recebendo ajuda de Brainiac para escapar da Zona Fantasma – os dois vão parar em Colu, mundo natal do computador tirano, onde decidem resolver suas diferenças de maneira um pouco mais… primitiva. Adam Strange chega pra tentar ajudar, apenas pra ser caçado junto com Seg por Lobo. Enquanto isso, em Krypton, Zod luta para debelar qualquer tentativa de rebelião ao lado de sua mãe Lyta, mas também precisa desvendar o paradeiro de Doomsday para usar como arma em sua busca expancionista e resolver o que fazer com o bebê de Nyssa, filho de Seg-El!

O mais legal é justamente a série se situar num passado distante e não ter a menor preocupação com os eventos no “presente”, diferente de outros prequels como “Smallville” e “Gotham”. Ela apenas pega o que temos hoje e joga pra vermos como seria três gerações atrás, bate tudo no liquidificador e devolve pra você com grandes atuações e ótimo roteiro. Sem dúvida, muito mais próxima das séries do DC Universe do que do CW, Krypton é um azarão que está disparando direto para o topo ao mostrar tudo que os fãs queriam ver – e nem sabiam.

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.