Jiban – O Robocop Japonês

Quem você escolheria como protetor na hora do perigo????

Olar, Popnautas! Voltemos ao final da década de 80, Toei estava feliz com seu Metal Heroes, Jiraiya havia sido bem recebido pelo público japonês e levantado a combalida audiência deixada por Metalder, havia até planos de se fazer uma sequência de jiraiya. Mas ai aconteceu um fenômeno pop que chacoalhou o mundo: os EUA criaram seu próprio Metal Hero, e ele se chamava Robocop.

Robocop foi um estrondoso sucesso, o policial metade homem, metade máquina, renascido graças a tecnologia, com implantes cibernéticos, um panzer imparável da justiça… Bem recebido pela crítica e pelo público, tomou o mercado de assalto. A moda, definitivamente, era Robocop.

E ai a Toei, velha de guerra, olhou para o ocidente e viu o sucesso que um “Metal Hero” americano estava fazendo… E não deu outra, amigos: de policial do espaço, a Toei passou para um policial de Tóquio, em moldes extremamente semelhantes à sua contraparte americana.

“Minha arma é maior”

Senão, vejamos: O policial Naoto Tamura (interpretado pelo simpático Hiroshi Tokoro), era um policial da cidade de Tóquio, que acaba se envolvendo em um incidente contra um monstro da organização bioterrorista Biolon, acabando por se sacrificar para salvar a vida do Dr. Igarashi (pai do projeto Jiban) e de sua neta Ayumi (que seria sua futura “irmãzinha” e suporte infantil na série). Ao ver o nobre sacrifício do policial, Dr Igarashi, antes de morrer, aciona o projeto Jiban, devolvendo a vida a Naoto, agora um ciborgue, que jura lutar contra os Biolon e seu inescrupuloso líder, o sádico Jean Marrie.

Renascido como “Kidou Keiji Jiban” (policial de aço Jiban, ma versão nacional), o policial Naoto ganhou um “upgrade” na vida, ciberimplantes que o faziam resistente a balas e, tal qual sua contraparte ocidental, tinha uma arma acoplada em sua perna direita, a pistola Maximillian, que disparava rajadas laser e, como todo bom Metal Hero que se preze, poderia virar uma espada laser, com a qual Jiban exterminava seus inimigos. Ah, assim como sua contraparte americana tinha seus “protocolos”, Jiban também tinha seus “códigos de conduta”, os quais ele sempre recitava ao encontrar um monstro Biolon. Após ejetar seu distintivo da cintura, lia os “códigos de conduta da lei Biolon”, antes de partir para a batalha contra o mesmo.

Biolon! A beleza e o estilo do eco-terrorismo

Ou seja, uma versão mais infanto-juvenil da morte e ressurreição do bom e velho policial Murphy, com direito a veículos (além de um mega carro, tinha direito a uma moto e até a uma aeronave! Tudo para a alegria da garotada e tristeza dos bolsos de seus pais!), ajudantes e alívios cômicos, como os robôs Halley e Boris e a garota Ayumi ajudando a aliviar na carga melodramática, pois, como aprendido anteriormente, isso poderia afugentar seu público-alvo consumidor, as crianças!

Jiban em seu começo lúdico e amigavél

 Tendo isso em vista, em Jiban a Toei optou por uma tática interessante: as aventuras foram evoluindo progressivamente numa crescente emocional, começando num clima mais familiar e lúdico nos primeiros capítulos, evoluindo paulatinamente para episódios mais densos e dramáticos, como o inesquecível episódio 34 da “morte do Jiban”, onde, num duplo ataque Biolon chefiado pela poderosa Madogarbo (criada por Jean Marrie a partir das células de Jiban, com o propósito de destruí-lo) e o monstro Saionóide, levou ao falecimento do nosso querido herói! Mas nem deu tempo da garotada ficar em luto, pois Jiban ressuscita gloriosamente no episódio seguinte! (e com novas armas, com direito a vários apetrechos, entre eles o poderoso auto-canhão, uma bazuca super-poderosa capaz de vaporizar seu alvo, pronto para a revanche vitoriosa!). A Toei, velha de guerra, tinha aprendido direitinho com Metalder a dosar a barra para não afugentar seus fãs, dando direito a uma rápida ressurreição para o nosso herói, além de novas armas e brinquedos para vender no varejo!

A morte mais triste. Porém com a ressurreição mais rápida dos tokusatsu

Além da menina Ayumi e dos robôs Halley e Boris, houve outros coadjuvantes importantes, como Yoko Katagiri, colega policial de Naoto, e Seichiro Muramatsu, chefe de polícia e outro alívio cômico da série. Na verdade, a preocupação dos roteiristas e produtores com seu público-alvo era tanta, que até do lado dos inimigos tinham alívios cômicos, com “monstros” com formas mais infantis, a exemplo de Pugy, uma pequena árvore que se locomove pelas raízes, e Mugy, um antepassado japonês dos Angry Birds (ou talvez Piupiu, quem sabe?) Um conglomerado de aves fofinhas mutantes que agiam como um só indivíduo (interessante frisar que esses monstros Biolon foram os únicos que sobreviveram no final, virando amiguinhos da Ayumi).

Alivio cômico na medida certa

E nessa toada seguiu Jiban, sendo exibido no Japão entre janeiro de 1989 até janeiro de 1990 na tv Asaki, foi bem recebido pelo público, gerando 52 capítulos e entretendo toda uma geração de japoneses (e brasileiros, que tiveram direito a conhecer o Jiban já em 1990, sendo um dos tokusatus a chegar mais rapidamente no país). Concorrendo, pelo menos naquela época, em popularidade com o próprio Robocop.

Como curiosidade, a série Jiraiya a despeito de não ter gerado uma sequência, deixou suas marcas no policial de aço Jiban. A começar pelo protagonista: Hiroshi Tokoro havia participado de Jiraiya, como o ninja coreano Kaminin Oruha, membro do “Império dos Ninjas”, conhecido como o ninja de papel, capaz de fazer outros ninjas a partir da manipulação do papel, tendo até participações importantes em alguns episódios da série. E, apesar de não termos tido a participação do Ninja Jiraiya em Jiban, tivemos a grata surpresa do crossover com seu irmãozinho peralta Manabu, aprontando altas confusões no episódio 31 da série.

E é isso, Popnautas! Hoje vamos ficando por aqui e quem sabe um dia não escrevemos um crossover de Jiban x Robocop para ver quem ganha, amigos? Forte abraço!

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Pai Fader

Pai fader - Um homem de bem com a vida, cheio de espiritualidade, com uma visão holística sobre esse misterioso mundo pop