Jediísmo: a religião baseada nos ensinamentos Jedi

Quando em 1977 o mundo foi tomado de alvoroço por Star Wars, nem os mais otimistas dos novos fãs da franquia imaginariam que ela iria se enraizar no imaginário popular da forma que se consolidou. Creio eu que nem George Lucas esperava tanto. Não foi só brinquedos, merchandising, revistas, livros, desenhos e jogos os frutos de Guerra nas Estrelas. A filosofia também sentiu seu impacto, a ponto de surgir uma religião baseada em seu universo.

No fundo tudo começou meio que como uma brincadeira. Em 2001, num censo britânico, houve uma campanha para que pessoas declarassem o Jediísmo como uma religião. O resultado: 390 mil pessoas declararam-se como seguidoras da religião Jedi. Amigos, em 2001, com essa “brincadeira”, o Jediísmo foi apontado como a quarta maior religião da Inglaterra, só perdendo para o Cristianismo, Islamismo e Hinduísmo.

E foi assim, com um número tão expressivo, que a estripulia começou a ganhar corpo de verdade. E a ideia de religião começou a ser levada a sério por algumas pessoas. Em 2005, na cidade de Beamount, no estado do Texas, EUA, foi fundada por John Henry Phelan o primeiro templo da ordem Jedi. O trabalho foi levado tão a sério que em 2015 foi reconhecido pelo governo do país, recebendo isenção da receita americana.

Na Inglaterra, o movimento motivou a Daniel Jones, junto com seu irmão Bartey a fundar, em 2007, a Igreja do Jediísmo no país. Além da Inglaterra e dos Estados Unidos outros países tiveram o Jediísmo como religião a aparecer em seus censos, entre eles a Austrália, Nova Zelândia e Canadá.

A pergunta que fica, ao lermos esses dados, é: O Jediísmo pode se considerar uma religião? Afinal, o que define uma religião?

Essas são perguntas de difíceis respostas, pois não temos como seguramente agrupar e categorizar algo tão diverso como a fé humana e seus dogmas. Há religiões monoteístas como a cristã e o islã, assim como as politeístas como a Hindu. Mas há aquelas que não se apoiam na ideia teísta, como o budismo, o confucionismo, o taoismo. A Força, como descrito em Star Wars, em si, não é um Deus, e sim a energia que nos envolve e nos conecta, que atinge a todos os seres viventes, com seu lado positivo (a luz) e o negativo (o lado sombrio), nesse aspecto, o Jediísmo estaria mais próximo das religiões orientais não teístas que abrangem um código de condutas e princípios para viver e ser melhor.

Quando George Lucas desenvolveu a saga Star Wars ele não a compôs “do nada”; ele leu, estudou e abertamente uma de suas maiores influências foi o mitologista Joseph Campbell.  Profícuo escritor e estudioso, autor de “Herói de mil faces” onde abrange o mito do herói, seu ciclo e a ideia do monomito, o ciclo heroico que se repetiria nas mais diversas culturas. Bem, e quem é esse herói que tanto se repete? Bom, isso depende da religião e da cultura em questão. Ele pode ser Gautama Buda, Odisseu, Gilgamesh, Moises e próprio Cristo. Esse é um ciclo partida/separação com o chamado espiritual/aventuresco a iniciação com as provas e tentações da jornada e o retorno/ressurreição do herói. Sim, Lucas usou muito do mito do herói, tanto em seu Anakin quanto em seu Luke. E sim, a filosofia humanista, budista e taoista permeiam e muito aquilo que ele instituiu como ordem Jedi.

Você pode dizer que “Ah, mas se apenas foi baseado em mitos e outras religiões o jediísmo não tem nada de original”. Não é bem assim, desde que o mundo é mundo, as religiões se inspiram umas as outras e vão absorvendo traços em comum ou até mesmo nascem de uma mais antiga por divergências, cismas (igreja ortodoxa, Protestante etc). Lucas deu apenas uma possível interpretação em sua space opera sobre como uma sociedade poderia ver e lidar com o sobrenatural.

Claro que isso gera muito debate e muita confusão. Em 2016, The Charity Commission for England and Wales, o órgão inglês que regulariza as entidades beneficentes no país, definiu que o Jediísmo não cumpria as “regras” para ser caracterizada como religião, pois, segundo eles “o Jediísmo não promove melhorias éticas ou morais” e “não possuía os elementos espirituais e não seculares que fundamentam uma religião”. Em 2017, no programa Good Morning England, Daniel Jones participou de um debate acalorado sobre a religião.

Óbvio que essa discussão não acabará tão cedo. O que é certo é que essa visão de Lucas, esse universo que ele criou, tocou a muitos e preencheu aquele vazio que tantos sentem por não se verem completos nessa loucura que é a vida, definindo por bem trazer um pouco daquela forma de ver o mundo para o seu dia a dia. E, com isso, estão se sentindo melhor consigo mesmo e sendo melhor para com os outros que os cercam.

E se algo, meu caro amigo, é do bem, para o bem e em prol dos outros, quem sou eu ou você para dizer que não é religião? Que a Força esteja sempre contigo, Popnauta! E lembre-se: Há muitas moradas na casa do Pai.

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Pai Fader

Pai fader - Um homem de bem com a vida, cheio de espiritualidade, com uma visão holística sobre esse misterioso mundo pop