Hi Score Girl – Resenha

Dirigido por Yoshiki Yamakawa, um frescor no universo de animes estreou em dezembro de 2018. Estamos falando de HI SCORE GIRL.

O anime baseado no mangá de Rensuke Oshikiri conta a história de Haruo Yaguchi, um autêntico perdedor no início dos anos 90. Limitado na escola, impopular e alienado, seu único prazer é frequentar os fliperamas e mostrar suas habilidades de gamer em jogos de luta. Haruo é um jogador de alto nível, daqueles que dominam a máquina enquanto diversas outras pessoas vão sendo eliminadas sempre que o desafiam.

Aliás, este é o grande trunfo do anime: Para quem viveu a onda dos games no início dos anos 90, como eu, é uma ode à nostalgia. Games como Street Fighter II, Splatterhouse, Final Fight, Golden Axe, Fatal Fury, Virtua Fighter, Mortal Kombat e Samurai Showdown são apresentados e se incorporam à história, tirando alguns suspiros dos mais antigos, tão acostumados a, como Haruo, passar as tardes dentro de lojas, mercearias e fliperamas gastando todas as moedas e vibrando a cada combo acertado.

Para os mais novos, que já nasceram na era dos poderosos consoles, o anime traz um tom didático, mostrando o nascimento dos consoles caseiros e a evolução dos mesmos.

Tudo isso regado a outro belo background: As complicações da adolescência! O mundo de Haruo começa a balançar quando encontra, num dos fliperamas onde frequenta, um oponente formidável. Ou melhor, uma oponente! Akira Ono o destrói no Street Fighter e acaba com seu reinado numa das cenas mais engraçadas do anime.

Ono é uma personagem muda e nos cativa logo de início. Rica, inteligente, popular e incrivelmente tímida, tem uma rígida criação e acaba tendo uma relação de amizade e também amorosa com Haruo (não que este saiba, como todo garoto).

Seguimos essa relação com uma maravilhosa sensação de passagem do tempo. No início do anime os personagens estão no ensino fundamental e vemos o amadurecimento destes. A narrativa é ótima, conduzindo os personagens de maneira simples e tendo sempre como pano de fundo os jogos para pavimentar os fatos. É divertidíssimo ver a consciência de Haruo tomar a forma de Guile, Zangief e outras figuras dos games, conversando e dando “conselhos” ao garoto. Posteriormente há a introdução de uma outra personagem, Koharu Hidaka, que irá formar um triangulo amoroso e se tornar uma das bases do anime.

A trilha sonora é sensacional, recursos dos jogos antigos em 8 bits para dar ênfase as situações dos personagens. A abertura é uma delícia de se ouvir.

Uma coisa que pode causar estranhamento pelos fãs mais puristas é o fato de a produção abusar do 3D…, mas nada que atrapalhe a experiencia do anime.

Hi Score Girl está disponível no Netflix, com uma espetacular dublagem em Português. Corram para ver, se ainda não viram, e coloquem Street Fighter II no emulador aí pra matar a saudade!

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Fabiano Souza

CAPITÃO no meio campo, escreve textos e destrói falsos deuses antes do café da manhã