Heróis Renascem – o “Ultimato” da Marvel

A conclusão de uma mega-saga, com mais de dez anos de planejamento, está chegando! Vingadores: Ultimato promete abalar não só o Universo Marvel no cinema mas a própria indústria do entretenimento! E por diversas razões: além do filme ser um dos mais ansiosamente aguardados por fãs no mundo inteiro – e boa parte deles sequer é leitor de quadrinhos, mas reconhece personagens outrora mal-aproveitados como Guardiões da Galáxia e Pantera Negra – a Disney conseguiu de volta os direitos sobre personagens que estavam com outros estúdios.

Primeiro foi o Homem-Aranha, que estava com a Sony Pictures. O acordo permite que a Sony continue produzindo os filmes solo do herói, mas a Marvel determina o tom (Holland?) e ritmo das histórias, em sintonia com o universo dos Vingadores. agora, com a compra da Fox, a Marvel recupera as franquias dos X-Men e do Quarteto Fantástico!


Será que agora vai?

Para muita gente, era difícil pensar num “Universo Marvel” sem esses personagens mas, nos quadrinhos, algo muito parecido já tinha acontecido – e as origens dessa ruptura foram exatamente o que determinou a separação dos personagens no cinema!

O ano é 1996 e a poderosa Marvel Comics, líder do mercado de quadrinhos… Estava falida. Parece algo inconcebível, mas após comprar outras empresas, como fabricantes de brinquedos e cards, as coisas fugiram do controle. A editora realmente abriu o processo de falência, com dívidas da ordem de 600 milhões de dólares e, para sobreviver, vendeu os direitos de diversos personagens para o cinema. Os que tinham os títulos vendidos, Homem-Aranha e X-Men, foram os primeiros, seguidos do Quarteto Fantástico, além de Hulk, Motoqueiro Fantasma, Demolidor e Justiceiro. Desesperada, a Marvel já negociava nos bastidores o licenciamento de personagens para outra editora, a Image, mas o jogo virou quando o percentual dos lucros pelo primeiro filme dos X-Men chegou: 300 milhões de dólares de bilheteria. Dois anos depois, o primeiro filme do Homem-Aranha bateu 850 milhões de dólares.


Fora o que rendeu de memes.

Com isso, a editora resolveu olhar para seus personagens que vendiam menos e estavam meio que “esquecidos”: Capitão América, Vingadores, Homem de Ferro e Quarteto Fantástico. O que fazer com eles? Nada como aproveitar as dívidas pagas e os lucros que chegavam para chamar de volta dois desenhistas superstar da casa: Jim Lee e Rob Liefeld!

Lee e Liefeld tiveram passagens meteóricas pela Marvel no começo dos anos 90, alavancando a venda de títulos como X-Men e New Mutants a níveis estratosféricos. Insatisfeitos com questões relativas a direitos sobre os personagens que criavam, se juntaram a outros astros, como Todd McFarlane, Erik Larsen, Marc Silvestri e Jim Valentino, e criaram sua própria empresa: a Image Comics! Se não tinham lá grandes roteiristas ou muita originalidade, era apenas um mero detalhe: o traço inconfundível desses artistas garantiu que a Image pudesse incomodar tanto a Marvel quanto a DC Comics.

Sempre com muito estilo.

E agora eles estavam de volta! Essa separação deu origem a uma segunda linha de quadrinhos distinta dentro da Marvel, uma cronologia à parte, em que a história dos heróis era recontada do zero, atualizada para os anos 90. Rob Liefeld, grande fã de Jack Kirby, ficou responsável pelo roteiro e arte de Capitão América e Vingadores. Jim Lee foi o responsável pela reformulação do Quarteto e do Homem de Ferro. Sem os heróis mutantes ou vigilantes urbanos, a iniciativa conhecida como “Heróis Renascem” cresceu à parte da cronologia “normal” da Marvel, que vinha se estendendo desde o começo da década de 60, e onde os Vingadores tinham sido dados como mortos e o Homem-Aranha e os X-Men eram os últimos defensores da humanidade.

Heróis Renascem durou um ano, com muitas controvérsias. Dividindo as opiniões de fãs e da crítica, Rob Liefeld foi mandado embora no meio do projeto e os estúdios de Jim Lee abraçaram os quatro títulos da linha. Ao final, o Universo Marvel foi reunificado e a editora passou a dar mais atenção para essa linha de personagens, com equipes criativas melhores. Hoje é difícil imaginar, mas nos anos 90 a própria Marvel sucateava os títulos ligados aos Vingadores, com os melhores escritores e roteiristas ficando responsáveis por Homem-Aranha e algum dos inúmeros títulos dos X-Men. E vale lembrar: o Homem de Ferro voltou para o Universo Marvel rejuvenescido!


Guerra Civil – before it was cool!

E agora temos a chance de ver algo parecido no cinema, com a chegada de X-Men e Quarteto a um universo que já apresentou Capitã Marvel e Dr Estranho! Como esses heróis serão reintroduzidos ainda é um mistério: este ano ainda estreiam X-Men: Fênix Negra e Novos Mutantes, feitos ainda sob a batuta da Fox, mas os rumores de que um certo canadense com garras de adamantium vai aparecer nas cenas pós-crédito de Vingadores: Ultimato tem persistido há algumas semanas.

Para quem acompanhou Heróis Renascem nos anos 90, fica a expectativa de ver homenagens ao traço de Liefeld e Lee na hora de trazer os heróis de volta, mostrando que a vida imita a arte e a arte é, antes de tudo, um negócio. Lucrativo, divertido e com muito apelo junto a milhões de pessoas que esgotaram os ingressos da estreia de Vingadores em poucas horas e vão poder começar a ver, cada vez mais, camisetas, brinquedos e video games que vão reunir os heróis mais poderosos da Terra aos X-Men e ao Quarteto – como foi originalmente concebido por Stan Lee e Jack Kirby!


Um sonho realizado!

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.