Gibis lá fora: Superman and The Authority!

E lá vamos nós para mais um review maroto de um lançamento da fase Infinite Frontier. Dessa vez nosso foco é em Superman and The Authority!

A DC Comics realizou um dos maiores pedidos dos fãs, conseguindo convencer o grande Grant Morrison a escrever um gibi do Superman novamente. E se tem Morrison, é certeza de encontrarmos um texto repleto de referências bibliográficas, alucinógenos, críticas sociais, políticas certeiras e, acima de tudo, um conhecimento absurdo do universo dos quadrinhos.

Fator Morrison é altamente relevante

Morrison é um grande conhecedor deste magnifico universo que nos faz acreditar que um homem possa voar e sua narrativa é facilmente identificável.

A narrativa de Morrison é incrivel
A narrativa de Morrison é incrivel

Por exemplo: logo nas primeiras páginas o autor tece um diálogo muito interessante do Superman com o presidente americano JFK nos anos 60, onde presenciamos uma boa quantidade de promessas irônicas que podemos entender de várias formas, sejam elas como críticas às políticas liberais – algo que está sempre encrustado de forma bem discreta nos textos de Morrison – que falharam miseravelmente em trazer a aclamada prosperidade.

Podemos também traçar paralelos como por exemplo a forma como os heróis, sejam eles da Era de Prata, bronze ou dos anos 90, apesar de salvarem a humanidade de monstros ou invasões, sempre falharam por não quererem afetar ou direcionar os rumos da raça humana.

Achando que, se não interferissem, a humanidade daria um jeito de evoluir, porém acontecia exatamente o contrário. Era após era a raça humana vai declinando e falindo cada vez mais, seja moral ou eticamente. E com os valores desgastados, tendem a ruir como um frágil castelo de cartas velhas.

Desenvolvimento da trama

A minissérie Superman and the Authority poderia ser facilmente uma bela mensal
A minissérie Superman and the Authority poderia ser facilmente uma bela mensal

Em Superman and The Authority, Morrison mostra ao leitor um velho e grisalho Superman, que está perdendo os poderes e já não conta com a costumeira fé da humanidade. Em descrédito, o kryptoniano tem uma ideia: montar uma equipe que possa atuar de forma discreta, nos bastidores e que possa representar o herói quando este se for.

Esta equipe não seria como a Liga da Justiça, pois, nas palavras do super-herói, eles falharam quando passaram a olhar para a humanidade de cima, como deuses ou seres superiores. Uma crítica de Morrison aos Super Seven dos anos 90?

Esse plot nas mãos de qualquer outro escritor, poderia imbuir um cinismo ou niilismo sem sentido em Kal-El, porém Morrison mostra que este Superman não se cansou da Terra, apenas está olhando de uma nova perspectiva.

Principalmente quando vemos o discurso do herói para salvar uma recruta de sua equipe, ainda vemos os ideais de bondade e esperança claros como água.

Há personagens que ainda serão introduzidos (lá ele) na equipe
Há personagens que ainda serão introduzidos (lá ele) na equipe

Li as 3 edições já lançadas desta minissérie, e Superman and The Authority #01 descobrimos o primeiro recruta da nova equipe do Homem de Aço, que não é ninguém menos que Manchester Black.

O anti-herói carrega valores que contrastam com a pureza e seriedade de Kal-El, porém em um grande debate o kryptoniano, consegue não só convencer Black, como fazer ele acreditar na causa. Ou seja, acreditar num futuro melhor para a humanidade, cumprindo assim a promessa que fora feita a JFK.

Não se trata de um recrutamento nos moldes de Amanda Waller, carregado de ameaças ou promessas vãs, mas sim de mostrar que Black não é de todo ruim, e assim como a raça humana, carece do benefício da dúvida e há bastante potencial a ser desenvolvido.

Dinâmica da equipe

Interação da equipe ganha destaque com a liderança de Manchester Black
Interação da equipe ganha destaque com a liderança de Manchester Black

A partir da 2ª edição passamos a entender como será a dinâmica Superman/Manchester Black. O Homem de Aço será o líder da equipe, porém o inglês é o recrutador e líder de campo. Aliás, um tremendo acerto, pois a forma como os dois personagens se relaciona trazem um algo a mais na trama no melhor estilo Mel Gibson e Danny Glover em Máquina Mortífera.

Alias, Morrison mostra que sabe muito bem trabalhar com um personagem como Manchester Black. Todas as interações do personagem, seja com o Superman ou com outros integrantes da equipe são simplesmente sensacionais. Até mesmo na criação do nome da equipe.

O gibi trata de introduzir como integrantes do novo Authority: Natasha Irons – a única escolhida pelo Homem de Aço na seleção – Meia Noite, Apollo e Magia.  

Personagens e suas particularidades

O autor preocupou-se em desenvolver em cada personagem suas respectivas particularidades. A superinteligência de Natasha, o alto senso de justiça do Meia Noite, a auto-piedade de Apollo e a luta de June Moon no inferno para conseguir se transformar em Magia sem que sofra com isso.

Na edição 3, Superman deixa claro que tem um plano que precisa ser seguido à risca e precisa recrutar mais uma integrante, a misteriosa Magtron.  Com a equipe quase completa, Morrison precisa dar sequência no desenvolvimento do vilão da história e somos surpreendidos por ser o Ultra-Humanoide! Afinal, historicamente, o personagem foi o primeiro vilão do Superman.

Muito conteúdo em poucas edições?

Agora vamos as considerações gerais do gibi: Morrison tem um texto ágil, com muita ação, porém com muitos plots sendo desenvolvidos em paralelo. É muita informação sendo apresentada e acho que o formato minissérie não ajuda. Basta você analisar que falta uma edição para concluir a história e ainda estão recrutando heróis para a equipe.

Torcendo pelo bom desenvolvimento dos vilões
Torcendo pelo bom desenvolvimento dos vilões

Fica a impressão de que o final vai ser bem corrido, sem tempo de mostrar as verdadeiras motivações do Ultra-Humanoide. Porque, sinceramente, para mim será muito decepcionante, quase broxante na verdade, que tudo na verdade se trata de o vilão querer se apossar do corpo do Superman para poder matar os entes queridos do Homem de Aço. Uma vingança bem simplória para um personagem que se autodenomina um verdadeiro gênio.

A arte é um deleite para os olhos

Em relação a arte do gibi, Mikel Janin tem um desenho tão bonito e elegante que a gente até torce para que ele pudesse desenhar todo o gibi, porém mesmo intercalando com Fico Ossio, Evan Cagle e Travel Foreman, a pegada não cai em nenhum momento, mostrando que a minissérie tem um tremendo potencial que poderia render facilmente uma mensal.

Resta uma edição para a aguardada conclusão e estou muito ansioso. E isso se deve ao bom Grant Morrison que ainda consegue surpreender um leitor de quadrinhos. Parabéns a DC Comics por esta bela iniciativa.

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Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.