Farofa de Domingo #005: Whitesnake – Saints & Sinners (1982)

Antes de qualquer coisa, precisamos falar sobre uma das maiores lendas da história do rock e que também é a alma do Whitesnake: Mr. David Coverdale.

David Coverdale fazia parte da cena do rock desde o final dos anos 60 e seguia em relativa desimportância até 1974, quando aceitou o desafio de fazer parte da formação do Deep Purple após a saída de Ian Gillan e Roger Glover da banda. E Coverdale cumpriu seu papel com muita competência, não apenas impedindo a banda de baixar o seu nível como também gravando alguns dos melhores álbuns da história do Purple.

Entretanto, o Deep Purple era uma banda top das tops e com egos que não cabiam naquela engrenagem. E verdade seja dita, aquela banda não era a banda de Coverdale. Apesar de marcar o seu território ali, ele ainda era um convidado, chegou depois, não era “diretoria raiz” e nada pode fazer para impedir a banda de encerrar suas atividades em 1976.

No ano seguinte Coverdale já havia montado a sua própria banda e se apresentava então como “David Coverdale and the White Snake Band”. Neste início, Coverdale estava decidido a manter vivo aquele estilo de rock clássico que foi consagrado pelo Led Zeppelin e pelo próprio Deep Purple, mas se alimentando muito no blues e, principalmente, fugindo dos estilos que surgiam e começavam a fazer sucesso na época, como o rock progressivo, o punk e o new wave.

A banda fazia sucesso – agora já chamada definitivamente apenas de Whitesnake – mas faltava algo. E em 81, depois de quatro álbuns gravados, muito cansaço e pouca grana no bolso, Coverdale resolveu “dar um tempo” na banda para cuidar da saúde de sua filha. No ano seguinte ele volta decidido a mudar tudo. Queria mudar o som da banda, seus integrantes e até seu empresário, pois a banda fazia turnês com ingressos esgotados, estava sempre bem posicionada no ranking de vendas mas não entrava dinheiro para seu bolso. Assume ele mesmo as finanças da banda e acerta com o empresário do Def Leppard, Rod MacSween. Influenciado pela experiência de seu empresário, Coverdale resolveu abraçar aquele novo rock, mais glam, mais americano, mais leve e descontraído, e decidiu que seguiria os passos dados pelo Leppard rumo à América e ao sucesso.

E é nesse contexto de busca por mudanças, por um novo caminho a ser trilhado, um caminho maior e sem fronteiras, que Coverdale reformulou a banda mandando embora os guitarristas Micky Mood e Bernie Marsden, além do baixista Neil Murray e o bateirista Ian Paice. Manteve ao seu lado apenas o antigo companheiro de Purple, o tecladista Jon Lord. Meses depois, a fim de gravar o álbum que originou esta coluna, “Saints & Sinners”, o quinto album do Whitesnake – e também o que direcionou a banda para o fantástico universo do rock farofa – Coverdale pediu que Micky Mood voltasse para a banda, recrutou o guitarrista Mell Galley, o baixista Collin Hodgkinson e o lendário baterista Cozy Powell, ex-Rainbow.

Em “Saints & Sinners”, o Whitesnake entrosava a nova formação e ainda tinha um pouco do blues em suas melodias, mas já apresentava um hard rock novo, que sedimentaria o caminho a ser trilhado pela banda nos anos seguintes, cada vez mais próximo ao glam. As duas faixas mais clássicas deste álbum, “Crying in the Rain” e “Here I Go Again”, foram regravadas anos depois – mas com acordes dignos de uma banda farofa – para o álbum mais bem sucedido do Whitesnake, lançado em 1987 e auto intitulado.

O album vendeu mais de 60 mil cópias, uma vendagem inferior aos dois albuns anteriores do Whitesnake, que ultrapassaram os 100 mil discos, e mostrou a Coverdale que estava na hora de romper com o passado e olhar para o futuro. Mas esta já é uma história para outro domingo…

Avalie a matéria