Exterminador do Futuro: A Salvação

Em 1984, James Cameron nos trazia uma pequena obra prima da ficção científica com seu Exterminador do Futuro e em 1991 a sequência que se tornou um dos maiores clássicos do gênero de todos os tempos, Exterminador do Futuro 2: O Dia do Julgamento.

Em 2003, sem o envolvimento de Cameron, foi lançado Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, um filme não tão aclamado assim por público e crítica, mas que tem seus méritos.

E, finalmente em 2009, tivemos uma nova tentativa de revitalizar a franquia, com Exterminador do Futuro: A Salvação.

Devido às críticas de Rebelião das Máquinas, os roteiristas John Brancato e Michael Ferris tentaram levar a franquia por um caminho diferente, tirando o foco dos T-800 interpretados por Arnold Schwarzenegger e apresentando, finalmente, o futuro sombrio pós- ataque da Skynet e o surgimento do líder da Rebelião, John Connor (Christian Bale).

Explorar a guerra entre as máquinas e os humanos era uma ideia inusitada e que abria um leque grande de possibilidades, pois até então as batalhas tinham sido mostradas apenas de relance nos filmes anteriores, com T800 enfrentando soldados humanos com armas de laser e o que sobrou da humanidade sobrevivendo em frangalhos.

O visual de A Salvação, no entanto, trouxe um cenário mais “realista”, com algumas ruínas reconhecíveis da civilização humana, equipamentos militares modernos, com rifles de assalto e nada de armas laser. A explicação, sucinta, é dada por John Connor quando ele diz “esse não é o futuro que minha mãe contava” e por situar a luta apenas alguns anos após o ataque inicial da Skynet, mostrando John como um soldado importante dentro da Resistência e com uma certa aura messiânica já pairando sobre ele, mas ainda muito longe de ser o líder máximo dos sobreviventes.

Saído do sucesso da trilogia Batman, Christian Bale prometia revitalizar a franquia e iniciar uma nova trilogia, que mostraria a ascensão de John Connor e a escalada do confronto com a Skynet, até desembocar nos acontecimentos de 2029 (dando início a história mostrada no primeiro filme, com o envio de Kyle Reese e do primeiro Exterminador para o passado).

Bale estaria acompanhado por um elenco de peso, com Bryce Dallas Howard interpretando sua esposa, Kate (apresentada em Exterminador do Futuro 3) e de Anton Yelchin, saindo do bem sucedido remake de Star Trek, interpretando um jovem Kyle Reese, além de um novo personagem, Marcus Wright, o “Exterminador bonzinho” da vez, meio humano, meio máquina, interpretado pelo ator promessa da época, Sam Worthington.

Com Avatar e o remake de Fúria de Titãs a caminho, Hollywood apostava que o ator australiano estava prestes a “estourar”, e iniciar uma nova franquia de sucesso ao lado de um ator consagrado saindo de um sucesso de bilheteria viria bem a calhar.

Mas o filme foi massacrado pela crítica, não empolgou o público da forma esperada, Sam Worthington não mostrou muito carisma (e nunca chegou a estourar) e Bale teve sérios problemas nos bastidores, que acabaram vazando e afetando o resultado da produção final, que não trouxe os resultados de bilheteria esperados e acabaram por enterrar o desenvolvimento das sequências planejadas.

Além de ótimas sequências de ação, o filme dialogava com as premissas da franquia. Estão lá as frases clássicas “I´ll be back” e “Come with me If you want to live”, bem como a música “You Could Be Mine” dos Guns n’ Roses, que foi usada em Dia do Julgamento e se tornou a “música oficial” da franquia.

Mas claro, as críticas não eram de todo infundadas. Arnold Schwarzenegger foi usado como “ponta de luxo”, já que na época era Governador da Califórnia, e o foco que deveria ser o desenvolvimento de John Connor foi mal aproveitado, para dar um espaço – algumas vezes desnecessário – para o personagem de Sam Worthington.

O resultado poderia ter sido bem diferente se os planos originais de McG e dos roteiristas não tivesse sido alterados pelo estúdio: mortalmente ferido pelo T800, John Connor morreria na mesa de operações. Sabendo como ele era um símbolo importante para a resistência, Marcus Wright convenceria Kate e Kyle a colocarem o rosto de Connor sobre o seu endoesqueleto (ele era um protótipo avançado de Exterminador, afinal) para seguirem liderando as próximas batalhas.  

Após a bem-sucedida cirurgia, porém, a programação original do Exterminador viria à tona, e ele mataria Kate e Kyle, trazendo a vitória definitiva a Skynet e “zerando” completamente os eventos da trilogia original, abrindo espaço para o desenvolvimento de novas estórias e novos personagens dentro do universo e mostrando a luta interna de Marcus Wright/John Connor pelo controle da própria mente e sua vingança contra a Skynet.

Esse final, porém, foi considerado muito pesado e sombrio pelas audiências teste, e o estúdio obrigou McG a reescrevê-lo, colocando Marcus Wright se sacrificando para garantir a sobrevivência de John Connor, que poderia então se tornar o líder da resistência da forma que conhecemos.

Somado às pressões do estúdio e as alterações que o diretor teve que fazer, o resultado final mostrou que o filme tinha sim muito potencial, mas acabou ficando abaixo das expectativas, apresentando um filme sem alma. O reinício que deveria ter sido sobre a evolução de John Connor, não falou muito a que veio, acabando com os planos da nova trilogia e abrindo espaço para, anos depois, a ATROCIDADE que viria a ser conhecida como TERMINATOR: GENESYS.

Mas além de ter me marcado pelo seu potencial perdido, A Salvação também foi um filme especial para mim, pois eu estava de férias na Praia Grande com o amigo e colaborador do Popsfera @Raul Kuk e decidimos encontrar outro amigo na cidade vizinha de Santos, para ir assistir ao filme. Porém fizemos um caminho digno das confusões temporais da franquia, passando por Guarujá ANTES de chegar em Santos, em um trajeto que, além de não fazer o menor sentido, sequer obedeceu às leis da física!

Ou seja, perfeitamente inserido dentro do espirito do Exterminador do Futuro.

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Marcio Fury

Escritor, revisor, colecionador e pai nas horas vagas. É o melhor no que faz, mas o que faz não é nada bonito.