Eu, Caçador de DC! – Helena, a Caçadora de Inúmeras Facetas (e versões!)

Falar da heroína Caçadora não chega a ser tão terrível, enlouquecedor e Geoff Johniano quanto falar da(s) origem(s) do Gavião Negro, por exemplo (ok, mau exemplo, nada é tão desesperador quanto falar sobre esse assunto…), mas tem sim suas dificuldades. Tudo depende da época da história em que você aborde a personagem. Suas características e background mudam quase que por completo a depender de qual Caçadora estamos falando.

Comecemos pela primeira, a da era de ouro dos quadrinhos decenautas, que nem mesmo o nome Helena possuía! Ela na verdade se chamava Paula Brooks e, além disso, não era uma super-heroína, era uma maléfica super-vilã! (chocado, amigos!).

Olha o nível do caroço de angu desse troço: a Paula Brooks teve sua primeira aparição na revista Sensational Comics #68 de 1947. Aparecendo como uma vilã rival do velho Pantera de guerra da SJA, fazendo parceria e posteriormente se casando com o Sportmaster, arqui-inimigo do Lanterna Verde Alan Scott que usava de temas esportivos para suas atividades vilanescas (é sério! Ele cometia crimes usando trajes esportivos, tacos de baseball e golf!), passando a se chamar de Mr & Ms Menace (Jesus amado, isso que é era de ouro raiz, amigos!).

Bom, não satisfeito com tanta pujança criminosa, Roy Tomas resolveu mexer nesse vespeiro e retconear a pobre da Paula Brooks nas páginas de Young All Stars de 1987. Lá, o Tomas apimentou a história de vida da Paula, introduzindo uma juventude heróica, onde ela lutou contra os nazistas usando o codinome de Tigresa. Depois de eventos na luta contra o Eixo que a levaram a aparente morte, ela ressurgiu com a personalidade modificada, mais vilanesca, levando-a a abraçar o caminho do crime. (Basicamente um Bucky Barnes, só que com dois braços, dois seios e usando um maiô colado de tigre).

Vamos agora para a segunda Caçadora, senhorita Helena Wayne. Bom, só pelo sobrenome você já sentiu onde vamos parar. A nossa heroína da vez tem um pedigree poderoso, amigos! Ela é filha de Bruce Wayne com a Mulher-Gato, Selina Kyle.

Lembram quando a DC era uma bagunça e tinha um monte de terras com cronologias distintas? Ok, não mudou muito, mas para efeito de conversa estamos falando do Pré-Crise e de sua adorável Terra 2, a Terra dos heróis da era de ouro. Bom, lá o Batman envelheceu, casou-se com a Selina e tiveram a linda Helena, que virou advogada e abriu um escritório com Dick Grayson.

Tudo ia bem até que um maldito criminoso levou sua mãe à morte. Revoltada e disposta à vingança ela construiu o alterego da Caçadora, forjando seus armamentos com base no dos seus pais e adaptando-os de acordo com sua necessidade (daí veio sua arma mais característica, a besta). Sua estreia se deu em DC Super Stars #17 de 1977.

Essa versão da Caçadora chegou a participar de vários cross com o Batman da era de prata na Terra 1, com o qual criou uma relação fraternal. Na Terra 2 desenvolveu uma forte parceria com a heroína Poderosa, que naquela realidade era Kara Zor-L, prima de Kal-L, o Super original (como eu amo as loucuras do multiverso decenauta!). Essa amizade seria revisitada nos eventos pós Novos 52, numa renascida Terra 2 pós Crise (Ah, DC!).

E aqui chegamos a outra versão da Helena de Manuel Carlos, digo, da DC. Helena Kyle. Essa versão da Caçadora é que ganhou vida no seriado Birds of Prey de 2002. Também filha da Mulher-Gato com o Bruce, a Helena da vez viu sua mãe ser assassinada, jurou vingança e foi treinada pela Oráculo (Barbara Gordon) para ser uma vigilante.

Essa versão da Caçadora tem uma característica interessante: tem superpoderes. Esses poderes teriam sido herdados de sua mãe, que nessa realidade seria uma meta-humana com dons felinos (resistência, agilidade, visão noturna etc). Por ironia do destino, a grande vilã das Aves de Rapina do seriado é a Dra. Harleen Quinzel, a Arlequina, da época em que ela era ainda uma vilã e gostava de matar e trucidar os mocinhos.

Ah, como cereja do bolo da história, a série Aves de Rapina chegou a passar no Brasil pelo SBT, sendo renomeada como “Mulher-Gato!” (Ah, meu patrão! Meu patrão! Que isso, seu Silvio?!?l).

E finalmente, depois dessa intensa caçada, chegamos na Helena dos dias atuais. Dona Helena Rosa Berttineli, a Caçadora da Máfia!

A Helena pós Crise não tem nenhuma ligação consanguínea com os Wayne. Nessa versão ela é filha de uma família de mafiosos que atuavam em Gotham, cujos pais foram brutalmente assassinados quando era ainda uma pequena criança, a mando de criminosos rivais. Para protegê-la, ela foi enviada à Sicília para morar com seus tios. Lá ela começou seu treinamento em busca de vingança, posteriormente indo para a Suíça terminar seus estudos.

Ao voltar para Gotham teve seu primeiro contato com Batman, que havia invadindo a festa de seus parentes mafiosos para tocar o terror no coração dos criminosos. Foi aí que Helena teve uma epifania e resolveu assumir o manto da Caçadora, combatendo o crime e a máfia, mesmo que fossem seus próprios parentes. Nesse meio tempo se envolveu com a batfamilia, fazendo parceria com a Oráculo, tendo um caso com o Asa Noturna e vivendo entra tapas e beijos com o Bruce.

Berttineli nunca teve problemas para matar criminosos, vendo isso como uma necessidade para acabar com o mal da máfia e demais organizações, obviamente isso vai diretamente de encontro ao código moral do Batman, o que fez com o relacionamento entre os dois sempre fosse, no mínimo, conflituoso. Sempre foi duramente criticada pelo Bruce, mesmo quando ela assumiu o manto de Batgirl em Terra de Ninguém. Só ganhou algum tipo de aprovação quando foi baleada pelo Coringa ao salvar crianças inocentes. Bruce, além de a ter proibido de usar o seu símbolo, já a caçou no passado por crimes que não cometeu e já a expulsou da Liga da Justiça por ter tentado matar o vilão Prometheus. Esse é o velho Batman moralista que tanto amamos, amigos! Lembrando que foi o mesmo Batman que a levou para Liga a fim de guiá-la e conter seus impulsos! (Ah, Batman! Vá ser chato assim na batcaverna!).

É, amigos! Longa e tortuosa é a história da nossa heroína nos quadrinhos. Por tanto amor, por tantas versões, os roteiristas te fizeram assim! Doce ou atroz, mansa ou feroz, Helena, Caçadora da DC! Para encerrar fica aqui essa linda música e dá-lhe Milton Nascimento!

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Pai Fader

Pai fader - Um homem de bem com a vida, cheio de espiritualidade, com uma visão holística sobre esse misterioso mundo pop