Didio disse adeus

Leitores de quadrinhos e nerdys de plantão foram surpreendidos com a demissão de Dan DiDio, coeditor da DC Comics.

Grande DiDio abraçou o mundo decenauta e foi bem sucedido

Primeiramente noticiado no Comicbook.com e confirmado pelo Newsarama, DiDio não é mais empregado pela DC, embora nenhum outro detalhe tenha sido disponibilizado para a imprensa.

Ao que tudo indica, a decisão veio de repente e surpreendeu até os varejistas e donos de lojas de quadrinhos nos Estados Unidos.

Uma das maiores jogadas de DiDio, preparar o terreno com minisséries para a saga

A demissão de DiDio encerra um ciclo de 18 anos na DC, que iniciou na empresa em janeiro de 2002 como vice-presidente editorial enquanto coescrevia Superboy. Em 2004, ele foi promovido ao cargo de vice-presidente / editor executivo e, em 2010, ele e Jim Lee assumiram o cargo de editores da DC após a aposentadoria de Paul Levitz.

Ultimo trabalho do coeditor na DC será concluído na edição 12

Ao longo dos anos, DiDio se destacou como escritor da DC em várias ocasiões, inclusive na atual série de 12 edições Metal Men.

Como editor, DiDio se destacou com posturas agressivas e progressivas, em que gostava de tirar os personagens do status quo, independentemente de ser personagem antigo ou novo. Fato este que estigmatizou o editor, como “hater do legado”, onde muitos fãs afirmam que ele tinha “marcação” com Asa Noturna e Wally West. Porem realmente tinha um bom trato com os roteiristas, como pode ser visto pelo enorme apoio de valiosos artistas se manifestando nas redes sociais em prol seu favor.

Um dos maiores bens para a DC, foram “Os Novos 52”

Porém o que ficar na memória do decenauta que acompanhou o mandato de DiDio foram as excelentes sagas que ele geriu como “Contagem Regressiva para Crise Infinita”, que começou como um especial e iniciou 4 outras minis, preparando o terreno para a grandiosa “Crise Infinita”. Houve ideias geniais como o “One Year Later”, onde toda a cronologia da DC pulou um ano e o leitor foi surpreendido com as tremendas mudanças nas revistas, além da ótima revista “52”, que mostrou o Gladiador Dourado sendo o verdadeiro herói que nunca foi nas HQs. Sob seu comando também esteve “Crise Final” de Grant Morrison e do ousado soft-reboot da editora, o aclamado (porém também odiado pelos fãs chorões) “Novos 52”.

Generation é a reorganização da timeline da DC Comics e ultimo projeto de DiDio

Infelizmente nos últimos anos, a DC não tem feito tanto sucesso nos quadrinhos, sendo marcada por uma bagunça editorial tão grande que ninguém sabe o que realmente querem. Ora mostram uma grande saga que pode mudar tudo (Death Metal de Scott Snyder), ora divulgar a nova timeline do UDC, mas não há mais a necessidade de simplesmente contar boas histórias. Tudo bem que isso não é um caso exclusivo da DC, visto que a Marvel também tem explorado muito grande eventos, porem há uma enorme banalização das chamadas “sagas que mudam tudo”, e que se tornam ate piadas entre os leitores. É reboot que não vale mais, é tentativa de reorganização de seu multiverso com crossovers cansativos e com tie-ins desnecessários… E DiDio não estava mais esboçando reação frente ao enorme sucesso da Marvel no campo dos quadrinhos.

Entre problemas e sucessos, uma coisa é inegável na pessoa de Dan DiDio: seu amor pelos quadrinhos. Podem criticá-lo no que tange suas ideias sempre “fora da caixinha” e a necessidade de mudar o status quo de personagens para que eles pudessem render mais do que da forma originária, mas nunca negar que ele amasse os quadrinhos ou que colocava as HQs como prioridade na editora.

Talvez por essa postura ele tenha feito mais inimigos do que amigos. Segundo o Bleeding Cool, DiDio foi demitido por promover um ambiente de trabalho ruim aos funcionários. Segundo fontes internas, a ideia de estabelecer o 5G não era de agrado do alto escalão e nem dos roteiristas principais da editora. Apesar do coeditor ter dado o destaque para Snyder estabelecer suas sagas como as principais da DC, o próprio escritor não era a favor de usar “Death Metal” para estabelecer o 5G, o que causou constrangimento e uma série de desmandos na DC.

O 5G torna-se uma verdadeira incógnita com a saída do DiDio

Associe-se a isso o fato de que outros foram demitidos nos últimos 6 meses do quadro editorial da DC , como: Pat McCallum, Molly Mahan, Rob Levin, Alex Antone, Dan Telfer e Harvey Richards. E o fato de muitos não se sentirem confortáveis com o 5G, afinal era uma mudança realmente brusca onde os principais super-heróis da DC seriam velhos e a geração 5 ocuparia o lugar deles, e não encontrou o suporte nos principais escritores. Todos esses fatores parecem validar o quadro de ambiente insatisfatório em Burbank.

Dan DiDio sai da editora, mas fica o seu lindo legado, pois, em 18 anos ele fez muito pelos quadrinhos. E fez com amor e carinho, pois as HQs eram sua vida. Dan, encontre refúgio em um local que você seja valorizado como o grande profissional que é. Boa sorte.

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Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.