Clone Wars (2003) – tudo que os fãs queriam (e como a Disney roubou de nós)

Desde o lançamento do filme original de Star Wars em 1977, um dos temas mais debatidos pelos fãs foi o passado de Obi Wan Kenobi e Anakin Skywalker, mais especificamente o período em que lutaram nas Guerras Clônicas (“Clone Wars”, no original). O criador da saga, George Lucas, jamais permitiu que esse capítulo do passado fosse explorado, quer em quadrinhos, livros ou jogos. Ele já tinha uma ideia do que seria, e de como queria explorar, o confronto que desestabilizou a galáxia e selou o destino de Anakin.

Foi só em 2002, quando o segundo capítulo da trilogia de Anakin foi lançado, que descobrimos como o conflito começou. Attack of the Clones (“Ataque dos Clones”, no Brasil) mostrou o Chanceler Supremo Palpatine recebendo poderes emergenciais para enfrentar a ameaça separatista (que ele mesmo fomentava) usando um exército de clones que havia sido construído em segredo. Restava contar a história desta guerra, e a missão coube ao produtor Genndy Tartakovsky.

O visionário criador do LOBISOMEM JEDI

Com a experiência de ter criado as séries Laboratório de Dexter e Samuray Jack, além de ser membro importante da equipe de criação por trás de Meninas Super-Poderosas e ter trabalhado em Tiny Toon e Batman Adventures, Tartakovsky não só imprimiu um estilo bem pessoal à animação Clone Wars (da mesma forma que Bruce Timm e Paul Dini fizeram com o Batman), como também cobriu algumas lacunas importantes entre os episódios 2 e 3 da saga. O russo-americano, mais tarde, seria o diretor da bem-sucedida trilogia de animação Hotel Transilvânia.

Não é de se admirar, portanto, que o grande barato de Clone Wars seja a animação frenéhtyka, num estilo mais próximo de Samurai Jack. Mas o cuidado com a narrativa, a cronologia, o respeito ao histórico dos personagens e a expansão do Universo Star Wars são os grandes pontos altos do trabalho de Tartakovsky. Todo sonho de fã de Star Wars está lá: conspirações Sith, batalhas com sabres de luz, novos personagens, naves e veículos, explicações sobre os fundamentos da Força, a construção de um sabre de luz e a evolução de Anakin, de Padawan para Cavaleiro.

“Um dia eu vou cortar seu outro braço, suas pernas, e te largar pra morrer queimado, amigão!”

Clone Wars tem três temporadas: as duas primeiras com 10 episódios de 3 minutos cada, reunidas no DVD Clone Wars Volume 1, mostra Obi-Wan Kenobi liderando um ataque ao planeta Muunilinst, lar do Clã Bancário Intergaláctico, financiadores dos Separatistas. Anakin é indicado pelo próprio Palpatine para liderar a frota, algo que desagradou fortemente Yoda e Obi-Wan. As sementes da revolta de Anakin já estavam plantadas, por receber muito mais apoio de Palpatine do que de seus mestres. Enquanto isso, o líder separatista Conde Dookan adota Asajj Ventress como sua aprendiz Sith e a envia para matar Anakin.

Paralelamente, vemos vários outros jedi envolvidos na guerra, como Mace Windu, enfrentando um exército droid desarmado, Yoda viajando a um mundo gélido para salvar dois jedi, o anfíbio Kit Fisto liderando um regimento aquático em Mon Calamari e a batalha de um pequeno grupo jedi contra o terrível General Grievous.

Vulgo O ROBÔ TUBERCULOSO (sim, eu sei que ele é um ciborgue e não um robô!)

O Volume Dois, com cinco episódios de quinze minutos, começa com Obi-Wan mandando um pelotão para resgatar os jedi que enfrentaram Grievous. Anakin é promovido a Cavaleiro Jedi e então a série dá um salto até o final das Guerras Clônicas. Anakin, cada vez mais poderoso, ajuda Obi-Wan em batalha, mostrando bem a evolução da amizade dos dois. Ambos partem em busca do General Grievous, quando Anakin tem visões de seu futuro e da transformação em Darth Vader. Grievous lidera um ataque a Coruscant e, apesar dos esforços de Yoda, Windu, Shaak Ti e outros jedi, captura Palpatine para seu mestre Dookan – e descobrimos a quem pertenciam alguns dos sabres de luz que Grievous usa. Anakin e Obi-Wan partem para o resgate, o que nos leva direto à sequência inicial de A Vingança dos Sith.

Clone Wars serviu como um piloto para a série em computação gráfica The Clone Wars. O design básico dos personagens foi mantido, mas tudo mudou quando a Walt Disney Company comprou a LucasFilm em 2012: Clone Wars foi excluída da cronologia, ao passo que The Clone Wars foi mantida. Uma decisão difícil de entender e muito sentida pelos fãs até hoje.

A gótica e o emo

De qualquer forma, se vista como um filme (seus episódios totalizam pouco mais de duas horas), Clone Wars deu aos fãs de Star Wars muito do que se esperava da trilogia de Anakin. A despeito de seus personagens parecerem extremamente poderosos, toda animação é uma aula de construção de personagens – ainda que feita com pouquíssimo diálogo. As motivações, conspirações, todo o esforço de guerra e os eventos que levam não só ao episódio 3, mas falam diretamente à trilogia original, são uma obra-prima de narrativa. Foi uma grande contribuição para a saga, e deve ser lembrada como mais do que uma história excluída do cânon oficial: é o equilíbrio perfeito entre o amor por Star Wars e fidelidade ao que a saga representa.

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.