Clássico do Dia : I Shall Be Released

Bob Dylan foi o cronista de várias gerações. Seja fazendo sua aguda crítica social ou falando das dores do amor, Dylan elevou o nível das composições do rock para um patamar mais elevado. Sua influência é tão incontornável que simplesmente não dá para imaginar os caminhos que a música popular teria percorrido sem ele. Robert Allen Zimmerman adotou o nome artístico que o celebrizou em homenagem ao poeta Dylan Thomas, uma das suas diversas influências literárias. Seus primeiros discos foram verdadeiros manifestos políticos, na tradição de seu grande mentor da canção folk, Woody Guthrie. Dylan forneceu alguns dos hinos que uniram corações e mentes na conturbada década de 60, entretanto, suas aspirações iam além de ser conhecido como cantor de protesto e ativista dos direitos civis. Em 1965 ele choca boa parte de seu público ao derivar do formato acústico solo e das letras de cunho social em prol de arranjos eletrificados e uma temática menos engajada. A mudança se tornaria nítida no disco Bringing It All Back Again, com diversas canções utilizando amplificação e o acompanhamento de uma banda de rock; o primeiro single “Subterranean Homesick Blues” tem evidente influência de “Too Much Monkey Bussiness” de Chuck Berry. Nesse mesmo ano ele se apresenta acompanhado de guitarra e banda, tocando arranjos eletrificados no tradicional festival folk de Newport, o que o levou a ser vaiado pelos espectadores mais puristas. O single “Like A Rolling Stone”, lançado poucos dias antes da apresentação em Newport, faz um enorme sucesso e consolida a imagem de Dylan como um artista que não se define em um único rótulo, sendo o único artista a obter os principais prêmios nas categorias de música, cinema e literatura: Nobel, Oscar, Grammy e Globo de Ouro.

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