Clássico do dia : Fleetwood Mac – Long Grey Mare

O Fleetwood Mac geralmente é lembrado pelo som pop/soft rock que fizeram nos anos 70 e 80. Mas não foi sempre assim. O Mac começou como uma dissidência dos Bluesbreakers de John Mayall. Criada em 1967, a banda era focada na figura do genial guitarrista Peter Green e tocava basicamente blues. A formação incial contava com Green, o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood. Eles foram em busca de mais um guitarrista para encorpar o som da banda e logo esbarraram em Jeremy Spencer, um sujeito baixinho que emulava perfeitamente o estilo do bluesman Elmore James de tocar guitarra slide. Foi com esse formação que o Fleetwood Mac efetivamente começou, apesar do baixista Bob Brunning ter “esquentado lugar” para McVie provisoriamente até este resolver largar de vez seu emprego nos Bluesbreakers. Se por um lado Spencer reforçou a identidade blueseira da banda, por outro se mostrou pouco inclinado a contribuir nas músicas criadas por Green. Assim a banda recrutou um terceiro guitarrista, o prodígio de 18 anos Danny Kirwan. Em 1969, a combinação virtuosa das guitarras de Green e Kirwan é registrada no álbum “Then Play On”, em que o Fleetwod Mac explora territórios sonoros além do formato estrito de blues de seus álbuns anteriores. Por essa época o grupo havia excursionado pelos Estados Unidos e dividido o palco com bandas psicodélicas como o Grateful Dead, o que levou Green a se interessar por improvisações e experimentalismos. Infelizmente, ele também começou a utilizar LSD. O abuso químico iria afetá-lo gradativamente até acarretar em um colapso mental que o incapacitaria de tocar pelas próximas décadas e deixaria sequelas permanentes em sua saúde. É difícil dizer quais rumos sua música tomaria se não fosse por tais circunstãncias trágicas, mas “Then Play On” e músicas gravadas nesse mesmo período, como o proto-metal “The Green Manalishi” são o testemunho de um talento flamejante, capaz de rivalizar com outros próceres da guitarra como Clapton ou Hendrix.

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