Bloodshot- Um Tiro Certeiro?

Quem lembra do clássico Soldado Universal, estrelado por Jean-Claude Van Damme e Dolph Lundgren, pode ter uma sensação de deja-vu ao assistir Bloodshot: soldados mortos que são ressuscitados e manipulados para se transformarem em armas de destruição em massa, dentro de um esquema corrupto e com interesses excusos. O que os filmes de Van Damme e Lundgren não tinham é um dos grandes méritos da produção estrelada por Vin Diesel: é baseado em um gibi, da Valiant Comics.

Faltou um The Rock aí pra dar porrada nele.

Criado por Kevin VanHook, Don Perlin e Bob Layton em 1992 (mesmo ano do lançamento de “Soldado Universal”), Bloodshot não deixa de ser um personagem interessante. Um soldado que teve bilhões de nanitas injetados em sua corrente sanguínea, tem um fator de cura impressionante, pode mudar de forma e entrar em interface com equipamentos eletrônicos. Só isso já garante inúmeras possibilidades ao personagem. O roteiro do filme resolve brincar com velhos clichês, como o drama familiar, mostrando que, em nenhum momento, o protagonista pode ter certeza de seu passado.

Onde eu já vi isso antes mesmo?

A treta começa quando o soldado de operações especiais Ray Garrison (Vin Diesel) vê sua esposa ser impiedosamente assassinada – sendo também morto logo em seguida. Ele é trazido de volta à vida por uma equipe de cientistas e aprimorado com a nanotecnologia, que o transforma numa máquina de matar praticamente invencível. Sua memória é apagada não só para que cumpra as missões que é designado sem questionar, mas também para esconder algumas partes de seu passado. Aos poucos, porém, suas lembranças vão voltando e ele se lança numa missão solitária de vingança – apenas para descobrir que continua sendo o peão de um tabuleiro muito maior.

“QUEM você tá chamando de peão?”

O cuidado com a produção, que tem cenas de ação excelentes, ótimos efeitos especiais, é muito bem produzida e tem Vin Diesel realmente disposto a mostrar serviço, acabam por entregar um coquetel muito interessante. O filme diverte em todas as sequências de luta, não só com o protagonista descobrindo até onde seus poderes vão, mas explorando de maneira interessante as possibilidades de um corpo quase invulnerável. Infelizmente alguns coadjuvantes se perdem em piadas do “Marvel way of cinema”. Nada que comprometa o bom roteiro.

“Me deixa parecido com a Kim Kardashian, doutor.”

O ponto fraco é que esse seria o primeiro filme de um universo compartilhado de personagens da Valiant. Não que a ideia seja ruim, mas o mundo pós-Vingadores é muito crítico nesse sentido. A Universal parece perdida com sua franquia de personagens de terror após o fracasso de A Múmia; Godzilla e Kong seguem mesmo sem terem uma bilheteria que corresponda a seus ícones e a DC Comics/Warner não consegue emplacar um universo com seus personagens – e estamos falando de Batman e Superman aqui. Que chances teriam X-O Manowar, Shadowman ou Ninjak?

“Hello, there.” “GENERAL KENOBI.”

Claro, Bloodshot é um ótimo filme e todos esses personagens poderiam render bem, seja nos cinemas ou em séries para a TV. Mas sempre serão segunda divisão, uma injustiça determinada pela mão invisível do mercado, que parece só ter olhos para o selinho vermelho da Marvel/Disney. Bloodshot é aquele ponto de honrada resistência em meio a personagens pasteurizados para filmes que seguem um roteiro pré-fabricado, visando atender interesses de mercado. Vin Diesel garante alguns pontos de integridade ao filme, mas ainda teve o azar de ver seu filme lançado para cinemas esvaziados por conta da crise do coronavírus. Um duro revés, ao qual talvez nem mesmo o fator de cura turbinado por nanitas possa se recuperar.

FICA EM CASA, CARAIO!
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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.