Bem que sua mãe avisava: NUNCA FALE COM ESTRANHOS

O escritor Harlan Coben é mais conhecido nos Estados Unidos e na Europa do que no Brasil – o que não é de se espantar, uma vez que cada vez mais os brasileiros estão ficando com preguiça de ler (e a expansão dos filmes dublados não me deixa mentir), mas o escritor tem uma verdadeira legião de fãs ao redor do mundo, graças a seu estilo de escrita arrojado, cheio de plots twists e cliffhangers incríveis a cada final de capítulo, te deixando ansioso para saber o que vai acontecer na página seguinte e, quando você vai perceber, passou a noite em claro.

Escute os conselhos da sua mãe

Então, não é de se estranhar que a Netflix tenha enxergado o imenso potencial das adaptações baseadas em suas obras, e após a bem sucedida THE SAFE (com o eterno Dexter Michael C. Hall), chega agora a plataforma de Streaming mais popular do mundo (até a dominação global da Disney +, pelo menos) NUNCA FALE COM ESTRANHOS (The Stranger, 2020).

Baseada no livro homônimo de Coben, a minissérie em oito episódios foi roteirizada pelo próprio escritor, que mudou algumas coisas e ampliou alguns conceitos, deixando os episódios mais fluidos, mas mantendo seu principal atrativo: Os finais espetaculares de cada episódio, praticamente te obrigando a assistir o próximo, “para ver o que acontece”.

Na contra mão do que geralmente acontece com Hollywood, à série troca a ambientação em New Jersey por uma pequena cidade na Inglaterra, onde o advogado Adam Price (Richard Armitage, o Thorin da trilogia Hobbit) tem a vida que pediu a Deus: Uma boa profissão, uma boa casa, uma esposa amorosa e dois filhos adolescentes com quem tem um excelente relacionamento.

Um belo dia, quando está assistindo o treino de futebol dos “meninos”, uma estranha de boné (Hanna John Kamen, a Ghost de Homem Formiga 2) se aproxima e diz que tem um “segredo para contar sobre sua esposa”, deixando um pequeno envelope com “provas” e desaparecendo em seguida.

Thorin, uma formiguinha me contou uma parada sinistra…

Adam chega em casa e confronta a esposa Corinne (Dervla Kirwan), que não nega as acusações, mas explica que tudo “faz parte de algo maior” e que “todos tem segredos” (Até mesmo Adam, como descobriremos posteriormente).

No dia seguinte, Corinne “pede um tempo” e desaparece, mudando a vida do advogado de pernas para o ar.

Ao mesmo tempo, a Detetive em vias de se aposentar Johanna Griffin (Siobhan Finneran), tem o estranho caso de uma alpaca decapitada, um adolescente encontrado pelado e inconsciente no meio da floresta e o assassinato de sua melhor amiga, Heidi Doyle (Jennifer Saunders) para investigar e por mais incrível que pareça, no decorrer dos episódios cada uma dessas tramas vai se interligando, até que tudo faz sentido no final.

O cara do meio parece o Fader, mas é o escritor Harlan Coben

Nunca Fale com Estranhos é talvez uma das séries mais “maratonáveis” da gigante de streaming e, ainda que o final entregue quase todas as respostas, ele também deixa no ar o que é necessário para uma segunda temporada, caso a resposta do público seja positiva.

E considerando que séries como 13 Reasons Why já está indo para uma QUARTA temporada, ao menos a cruzada da Estranha contra a “cultura dos segredos” ainda tem muita lenha para queimar, ainda mais em uma cidadezinha da Inglaterra onde todos se conhecem, mas são extremamente intrometidos – e bastante sinceros, vale destacar.

NUNCA FALE COM ESTRANHOS já conta com todos os episódios disponíveis na Netflix.

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Marcio Fury

Escritor, revisor, colecionador e pai nas horas vagas. É o melhor no que faz, mas o que faz não é nada bonito.