Bebê Yoda S02E07 – O Crente

The Mandalorian entra na sua reta final com um trabalho primoroso, não só em expandir a mitologia do universo Star Wars, introduzindo novos personagens e alguns que só apareceram anteriormente em livros e animações, mas também desenvolvendo o relacionamento entre seus dois protagonistas. Din Djarin se tornou de fato o pai de Grogu, o bebê Yoda, e ele tem seu momento Liam Neeson nesse episódio.

“Eu vou encontrá-lo. Como deve ser.”

O próprio Grogu não aparece nesse episódio, mas não importa – com a ajuda de Cara Dune, Djarin tira Mayfield da prisão. Seu passado como oficial do Império será útil para invadir uma usina e conseguir rastrear o paradeiro do cruzador pra onde o bebê Yoda foi levado por Moff Gideon. O covarde e abobalhado Mayfield, claro, não quer tomar parte na missão, não quer chegar perto do Império e muito menos do Mandaloriano – mas essa pode ser a sua chance de sair da colônia de trabalhos forçados e, quem sabe, até reduzir sua pena.

O “esquadrão suicida” de Din Djarin é composto por ele, Dune, Mayfield e, claro, Boba Fett e Fennec Shand. Mas cabe a Djarin e Mayfield invadir a usina, disfarçados como soldados imperiais de um veículo de transporte de um combustível altamente volátil. Mayfield acaba por tirar o capacete pra poder enxergar melhor e faz algumas perguntas pra Djarin que tiram o Mandaloriano de sua zona de conforto. “Suas regras são bem maleáveis quando é conveniente, né? Quer dizer, você não pode tirar o capacete ou não pode mostrar seu rosto? Porque tem uma grande diferença aí.”

Aquele motorista de Uber que não pára de tagarelar.

Parecia só um diálogo solto e despropositado, uma provocação de alguém que sabia que não seria sequer agredido enquanto o Mandaloriano precisasse dele. Mas, quando eles chegam à usina, Mayfield se recusa a entrar no refeitório, onde está o terminal que ele pode usar pra acessar a localização de Moff Gideon. O motivo? Seu antigo superior, Valin Hess (Richard Brake – o Rei da Noite, de “Game of Thrones”) está lá!

Aí nós vemos o quanto o senso de dever e responsabilidade um pai para seu filho fala alto. O próprio Djarin resolve usar o terminal e acessar as informações mas, pra isso, ele tem que retirar o capacete e ter seu rosto inspecionado! “Como deve ser”, o lema dos mandalorianos (traduzido do inglês “this is the way”) é um indicativo de seu forte código de conduta. Nem mesmo quando estava sozinho em sua nave ele removia seu capacete, nem com Grogu – muito menos próximo de um oficial do Império! Mas se não o fizer, Grogu estará perdido.

O que um pai faria?

Sem hesitar!

Porém, quando ele está pra sair com a informação, Hess o nota e começa a conversar com Djarin, solicitando informações de sua unidade, posto e patente. É a vez de Mayfield intervir pra ajudar o Mandaloriano, mesmo correndo o risco de ser reconhecido. É aí que finalmente entendemos porque o “covarde” Mayfield fez tantas perguntas sobre o código do Mandaloriano – eles sentam à mesa com o oficial para um brinde. Sem conseguir se esquivar, eles aceitam – e aí a merda agarra. Mayfield revela que serviu em um planeta que foi devastado pelo Império – não só seus habitantes, mas todos os soldados de sua unidade, como um “efeito colateral”! O evento ficou conhecido como “Operação Cinzas”, e Mayfield demonstra ter ficado com stress pós-traumático pelo que (sobre)viveu lá.

– Aquele foi um dia glorioso para o Império – exclama Hess.
– Foi um dia glorioso para as pessoas que morreram lá? – Mayfield começa a perder a linha, é visível a tensão em seus olhos, sua boca treme.

Hess explica que o massacre foi feito para um bem maior. “As pessoas não querem liberdade, elas querem ordem!” Em sua soberba, o oficial revela o quanto está empolgado com a arma que vão construir naquela usina, algo capaz de fazer até mesmo a “Operação Cinzas” parecer pequeno – e isso é a gota d’água para Mayfield. Para a surpresa de um atônito Djarin, ele fuzila o oficial ali mesmo!

Aluno da escola Han Solo de atirar primeiro!

Mayfield entrega o capacete ao Mandaloriano, dizendo que não viu seu rosto e que eles precisam fugir dali. Com Dune e Shand dando cobertura, os dois são resgatados por Fett – mas, antes de ir embora, Mayfield pega um fuzil e atira em um carregamento de combustível na usina, que vai destruir completamente o lugar. Seu último ato de vingança contra o Império.

Dune é uma oficial da Nova República e é seu dever levar Mayfield de volta – mas ela entende que o gesto do ex-soldado causou um prejuízo incalculável às tropas leais ao Império. “Uma pena que ele morreu na usina, não é?” – ela pergunta a Djarin, na frente de um atônito Mayfield. Ele vai embora, com a consciência tranquila após todos os horrores que testemunhou, por sentir que levou um pouco de justiça à galáxia.

Justiça aqui é chumbo.

Mas não acaba aí. Em seu cruzador, Moff Gideon recebe um perturbador recado de Din Djarin, na forma de um holograma – que reflete uma mensagem que o próprio Moff Gideon enviou a Djarin no penúltimo episódio da primeira temporada.

“Moff Gideon, você tem algo que eu quero. Você pode achar que faz alguma ideia do que está em seu poder, mas não faz. Logo ele estará comigo de novo. Ele significa pra mim mais do que você jamais entenderá.”

Drop the mic

Quando o produtor Jon Favreau sugeriu para a LucasFilms uma série que mostrasse o “submundo de Star Wars“, era justamente pra dar destaques a personagens como Mayfield dentro da gigantesca mitologia desse universo. A “Operação Cinzas” veio direto do game “Star Wars Battlefron II”, um plano de contingência de Palpatine caso fosse derrotado: toda a galáxia deveria sofrer por isso. O diretor deste episódio, Rick Famuyiwa, também dirigiu “O Prisioneiro”, na primeira temporada – onde fomos apresentados a Mayfield – e a conexão com os episódios VI e IX foi providencial.

Ele entrega um episódio sensacional, cheio de ação, momentos tensos e outros que nos fizeram ter muito respeito pelos personagens. O “inquebrável” código mandaloriano só resiste até tirarem o filho de Din Djarin. Agora, nem o inferno poderá detê-lo. Digna de nota também a atuação de Bill Burr como Mayfield. De um covarde a um homem traumatizado em um diálogo. Trabalho primoroso.

Agora é aguardar pelo final da temporada – após o anúncio de que teremos séries de Ahsoka Tano e Rangers of the New Republic, feito no Disney Investor Day (que você pode conferir com detalhes clicando aqui), é certo de que a jornada de Din Djarin e seu filho ficará cada vez mais complexa e emocionante – e nós não vamos perder nenhum momento dela!

Avalie a matéria

Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.