Bebê Yoda S02E02 – A Passageira

Uma das maiores críticas que tenho, vista à segunda temporada de The Mandalorian, é que ela é “parada”. Não sei onde esse pessoal estava durante a primeira temporada, que também parecia não ter um foco definido e com os episódios pouco conectados – com a óbvia exceção dos dois últimos. A série mantém a pegada que a tornou tão querida pelos fãs e, para nossa alegria, temos mais bebê Yoda! Mas a grande surpresa fica pelos contornos de filme de terror do episódio!

Carinha de anjo mas comeu os ovos da Dona Lagartixa

Surpresa que fica ainda maior se levarmos em consideração que a direção ficou nas mãos de Peyton Reed – notório diretor de comédias, como “Abaixo O Amor” e “Sim, Senhor!” – além da comédia de ação “Homem-Formiga”. Aparentemente, a experiência na Marvel foi a credencial que o produtor Jon Favreau precisava pra escalar Reed – e ele se sai muito bem. Temos boas tiradas com o Bebê Yoda, um sem-número de diálogos bobinhos e, claro, uma assustadora batalha sob o gelo.

Tudo começa de onde terminou o episódio anterior: o mandaloriano Din Djarin não encontrou outro membro de sua guilda, mas conseguiu reaver a armadura (que só nós, que estamos assistindo, sabemos que pertenceu a Boba Fett – Din Djarin nunca assistiu “Star Wars”). Ele cai numa emboscada, perde sua moto e precisa voltar a pé para a cidade onde se estabeleceu.

Kkkkk olha a cara da Lagartixa!

Lá ele concorda, meio contra a vontade, em viajar a velocidades inferiores à da luz, por dois motivos: para levar uma estranha passageira e seus ovos de volta para o sistema de onde veio e pra não quebrar as leis da física. A passageira, que deu título ao episódio, se comunica por ruídos que Djarin não compreende. Seus ovos estão dentro de uma espécie de câmara gestacional, do tamanho de uma mochila, imersos em água. Ela (vamos chamá-la de Dona Lagartixa) e Djarin dão uns vacilos e o bebê Yoda come alguns ovos, sempre que eles estão distraídos. A Dona Lagartixa parece perceber, mas não fala nada pra não perder a carona.

Como estão viajando abaixo da velocidade da luz, a nave do mandaloriano é cercada por duas x-wings da Nova República (lembrando que a série se passa pouco após a queda do Império). Pra despistar os pilotos das x-wings, Djarin viaja até um planeta gelado, planejando se esconder até o perigo passar. Mas a nave fica bem danificada e, como desgraça pouca é bobagem, eles são cercados por uma ninhada de aranhas! A rainha delas é gigantesca, do tamanho da nave de Djarin, e o trio (com os ovos da Dona Lagartixa) vai ter sérios problemas pra sair dali com vida!

Parece pêssego em calda (na aparência, afinal não experimentei).

Reed conseguiu imprimir um clima claustrofóbico pra treta com as aranhas, lembrando um pouco clássicos do estilo, como Alien, e filmes de Stephen King e John Carpenter. As reviravoltas da trama são bem sacadas e, apesar dos diálogos tosquinhos, a personalidade dos protagonistas fica muito bem definida. É legar ver não apenas elementos familiares de Star Wars aparecendo, mas também novas espécies e criaturas. Vale citar também o azar do mandaloriano, talvez o pior Uber da galáxia.

É um pouco lento sim, ainda não vimos como as consequências do final da primeira temporada vão cair sobre Djarin e o bebê Yoda e não temos uma ideia clara do que os aguardam no planeta da Dona Lagartixa. A primeira temporada teve diversos momentos assim e foi ótimo – esse episódio, inclusive, tem a vantagem de dar mais destaque para o bebê Yoda do que o anterior. Inclusive, é muito legal ver como os laços entre o mandaloriano e o bebê se estreitaram.

Ownnnt

Com a Disney+ chegando no Brasil (e a Rede Globo transmitindo a série), ela deve alcançar um público cada vez maior, conquistando ainda mais fãs. Se nosso mandaloriano favorito só se fode a cada episódio, não resta dúvida que os fãs vão ganhar – e muito – com suas aventuras, que devem ainda se estender por um bom tempo.

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.