As Dez Maiores Sagas da Marvel – pelos Critérios da Fórmula 1

A Marvel Comics surgiu em 1939, mas na época chamava-se Timely Comics. Foi só em 1961 que a editora passou a ser chamada como conhecemos hoje, com o lançamento do Quarteto Fantástico de Stan Lee e Jack Kirby. Não demorou muito para ela derrubar a Distinta Concorrente no coração de milhões de leitores ao redor do mundo, com seus personagens humanizados, tramas mais dramáticas e muita ação!

Hoje, personagens como Homem-Aranha, X-Men, Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Hulk, Venom e Cavaleiro da Lua são reconhecidos no mundo todo, se não graças às adaptações para outras mídias, como cinema e TV, pelo simples mérito de terem colocado os leitores dentro dos quadrinhos, com personagens nobres e honrados, mas com falhas e arrependimentos, mostrando já há quase seis décadas que a maior batalha que podemos enfrentar é para sermos pessoas melhores!

Recentemente, eu publiquei aqui na Popsfera uma lista com as maiores histórias da DC Comics pelo critério que considerei mais justo e imparcial: a pontuação da Fórmula 1. A categoria máxima do automobilismo pontua os pilotos da seguinte forma: o vencedor leva 25 pontos, o segundo colocado leva 18, o terceiro, 15, e depois 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 para as posições subsequentes. Então, meu trabalho foi pesquisar na internet pelo menos dez listas de “melhores histórias”: cada história ganhava 25 pontos cada vez que aparecesse em primeiro lugar em uma dessas listas, a segunda ganhava 18… Deu pra entender a mecânica, né?

A lista gerou muitos debates – todo mundo sabia uma história que tinha ficado de fora, ou discordava de algumas posições. Mas o que mais ouvi foi: “Kuk, quando você vai fazer uma lista assim com as histórias da Marvel?”

Pois bem, popnautas! A espera acabou! Aqui está a lista com as dez maiores histórias da Marvel de todos os tempos pelos critérios da Fórmula 1! Não gostou da classificação? Discorda das histórias que apareceram? Reclame com a federação de automobilismo, amigo! OS NÚMEROS NÃO MENTEM!

10 – Homem-Aranha – Carnificina Total (48 pontos)

Originalmente um crossover em 14 (!) partes, Carnificina Total estava centrada no universo do Homem-Aranha, mostrando um de seus mais aterrorizantes inimigos totalmente fora de controle! Quando o simbionte de Venom deu “cria”, ele foi se unir justamente ao perigoso assassino serial Cletus Kasady: juntos, eles formaram o Carnificina! Com poderes ligeiramente diferentes dos de Venom, o Carnificina começa a reunir um bizarro séquito de aliados, como o Contra-Parte Aranha,  Duende Demoníaco e Shriek! Isso força uma aliança entre os inimigos declarados Homem-Aranha e Venom, mas eles ainda contariam com a ajuda da dupla Manto & Adaga, Capitão América, Punho de Ferro, entre outros heróis. Mas será que um simbionte pode mesmo ser destruído?

Carnificina Total foi uma saga tão incrivelmente popular que originou o jogo de vídeo-game de maior sucesso dos anos 90, Maximum Carnage, para as plataformas Super NES e Mega Drive. Mas seria chover no molhado falar que o carisma do trio de protagonistas foi o responsável. A história é cheia de ação, muitas reviravoltas e momentos de heroísmo típicos das melhores histórias da editora. Com o sucesso de Venom e Aranha nos cinemas, será que falta muito para vermos essa batalha adaptada para as telas?

9 – Quarteto Fantástico – A Trilogia de Galactus (49 pontos)

“Que eles enfrentem deus!” –  foi com essas palavras que Stan Lee orientou Jack Kirby para a criação das edições 48, 49 e 50 de Fantastic Four! Já um título extremamente popular na época, e um dos carros-chefe da editora, Lee sentiu que a fórmula de “enfrentar vilões malignos” estava desgastada. Antes de serem uma equipe de super-heróis, o Sr Fantástico, a (então) Garota Invisível, o Tocha Humana e o Coisa eram uma família de exploradores. E se eles encontrassem uma entidade com poderes muito além da compreensão humana, mas que não fosse limitada pela dicotomia bem-mal? E se ele estivesse muito acima disso – mas sua mera sobrevivência pudesse colocar toda a vida de nosso planeta em perigo?

Assim surgiram Galactus e seu arauto, o Surfista Prateado. O que se seguiu é uma verdadeira obra de arte, emblemática, profunda, filosófica e recheada de ação. Para muitos, essa história é o resumo de tudo que a Marvel – e a própria Era de Prata dos quadrinhos – representa.

8 – Homem-Aranha – A Última Caçada de Kraven (49 pontos)

O Homem-Aranha é assassinado por um de seus mais tradicionais inimigos, o caçador Kraven… Mas isso é só o começo da história! O que vem em seguida é mais do que uma luta pela sobrevivência, mas uma batalha pela própria sanidade, em um mundo de trevas, depressão e loucura!

Coube ao talentoso J.M. DeMatteis escrever uma das histórias mais sombrias dos anos 80, tendo como astro justamente um dos super-heróis mais simpáticos do mundo. As reações do Homem-Aranha diante de tanta loucura e violência, a maneira como ele luta para não ser engolido pelas trevas da própria alma, a arte arrebatadora de Mike Zeck, os recordatórios com seus pensamentos conflitantes e toda frieza do caçador fazem desse gibi mais do que uma mera história em quadrinhos – ele é um verdadeiro grito de desespero – um que deixou profundas e duradouras cicatrizes no “amigão da vizinhança”.

7 – X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido (64 pontos)

O diretor de O Exterminador do Futuro, James Cameron, sempre negou – mas parece óbvio de onde veio a inspiração: num futuro apocalíptico onde mutantes são mantidos em campos de concentração e todos os heróis já foram caçados e mortos, a única saída é enviar alguém ao passado para impedir a cadeia de eventos que iniciou o desastre. Por um breve momento, vemos até mesmo um esqueleto de metal que pode muito bem ter sido reaproveitado por Cameron…

Polêmicas à parte, o que temos aqui é uma sensação amarga de que a maior batalha dos Fabulosos X-Men, contra o preconceito e a intolerância, será em vão: a natureza humana não permite coexistência pacífica com o que é diferente. E a mente brilhante de Chris Claremont e John Byrne nos mostra que a essência dos mutantes é não se entregar e continuar lutando por uma humanidade que os teme e odeia. Cheia de momentos memoráveis, como a judia Kitty Pryde atravessando um cemitério onde estão todos os maiores heróis da Marvel para voltar ao campo de concentração onde recebe instruções de outro judeu, Magneto, essa história deixou marcas profundas na cronologia dos heróis, que pode ser sentida até hoje. Jamais superada, ela se tornou maior do que os heróis mutantes, tornando-se uma referência – e também o legado definitivo da dupla Claremont/Byrne ,que se separaria logo em seguida devido a divergências que já vinham gerando atrito havia algum tempo, mas tornaram-se insustentáveis durante essa saga.

6 – Demolidor – A Queda de Murdock (66 pontos)

“Não há corpo”, disse o Rei do Crime. E todos sabíamos o que vinha pela frente.

O Demolidor foi criado por Stan Lee e Bill Everett – mas foi Frank Miller que o tornou o que é hoje. Primeiro como desenhista e, em seguida, assumindo o roteiro das histórias, Miller teve tempo para desenvolver conceitos, criar personagens e aprofundar tramas. Mas nada se compara à saga que foi um divisor de águas na vida do advogado cego da Cozinha do Inferno.

Após o Rei do Crime de Nova York descobrir sua dupla identidade, a vida do a vida de Matt Murdock é lentamente destruída, peça por peça. Aos poucos, fica claro que ele vai perder tudo, até sua sanidade, antes que o Rei dê o golpe de misericórdia – mas ele ainda precisa salvar a vida da mulher que o traiu!

Com a arte soberba de David Mazuchelli, essa história é tão boa que teve diversos de seus elementos adaptados tanto no cinema quanto na série da Netflix. Aqui o Demolidor deixa de ser um combatente do crime comum para se tornar uma verdadeira força da Justiça, uma que não poderia ser ignorada, não só pelos criminosos de Nova York, mas também pelos heróis mais poderosos do mundo.

 5 – X-Men – A Saga da Fênix Negra (96 pontos)

Se o Demolidor se divide em antes e depois de Frank Miller, os X-Men se dividem em antes e depois da dupla Chris Claremont e John Byrne. E eu tenho certeza que Stan Lee e Jack Kirby nunca se importaram em ver os filhos do átomo em mãos tão competentes.

Claremont introduziu novos personagens, sacudiu o status quo e deu contornos cada vez mais dramáticos aos heróis. Byrne, a princípio apenas o desenhista da série, logo se tornou co-autor das histórias, ajudando a desenvolver personalidades e diversificar as tramas. A Saga da Fênix Negra é um bom exemplo disso, levando os X-Men aos confins da galáxia na luta pela alma de Jean Grey – uma luta que estavam fadados a perder.

Vale lembrar também o papel do editor-chefe Jim Shooter, uma das figuras mais importantes da história dessa indústria vital, que garantiu que a saga tivesse consequências duradouras, não subestimasse a inteligência dos leitores e respeitasse o que a Marvel representa. Fatores que garantiram uma história tão brilhante que foi adaptada para o cinema duas vezes – e em ambas falhou em fazer justiça à genialidade de seus autores.

4 – Guerras Secretas (101 pontos)

Essa história foi feita para vender brinquedos.

Quando a Marvel fechou um acordo muito lucrativo com a fabricante de brinquedos Mattel, constava do contrato que uma história teria que ser produzida para ajudar a promover a linha de bonequinhos (action figures para os mais jovens). Sem saber muito bem o que fazer, o próprio editor-chefe da Marvel, Jim Shooter, tomou as rédeas da situação e escreveu um épico em doze partes, com arte de Mike Zeck.

A princípio despretensiosa, Guerras Secretas mostra heróis e vilões sendo abduzidos para um distante planeta onde são forçados a lutar por um ser de poder imensurável chamado Beyonder. A impressão que dá é que um argumento simplório desses não poderia render muita coisa, mas com uma visão muito clara dos personagens e das principais características que os definem, Shooter entrega vários momentos espetaculares, que acabaram por se tornar emblemáticos do que aqueles heróis representam.

Mesmo que de uma maneira meio torta, Guerras Secretas ainda é lembrada como uma das maiores sagas dos quadrinhos e o primeiro mega-evento a afetar tantos personagens por tanto tempo: originalmente, durou um ano inteiro!

3 – Homem-Aranha – A Noite em que Gwen Stacy Morreu! (110 pontos)

Eu era criança quando li – na verdade, foi um dos primeiros gibis que li na vida. Mesmo assim, eu já estava acostumado com histórias em que a “morte” não passava de um plano elaborado, fingimento, ou qualquer outra artimanha do roteirista, que seria desfeita na última página e tudo estaria de volta ao normal na edição seguinte. Era tudo um truque. Ela estava fingindo, ou só desmaiada. Ou era uma boneca que o Duende Verde usou para enganar o Aranha. Talvez fosse um sonho ou alucinação.

Mas a Gwen não acordou mais.

2 – Guerra Civil (117 pontos)

Fiquei surpreso de ver uma história relativamente recente nessa lista. Mas se formos considerar o impacto que ela teve e a quantidade absurda de cenas espetaculares, como Hércules abrindo o crânio do “Thor”, ou o Capitão América sentando a chinela na cara do Justiceiro, até que era natural. Mark Millar e Scott McNiven entregam uma das melhores sagas da história da Marvel colocando dois dos mais importantes Vingadores um contra o outro!

Após um confronto entre meta-humanos terminar em desastre, o governo americano decide que os heróis terão que se registrar para continuar na ativa – ou serão caçados como criminosos! O Capitão América não vê a iniciativa com bons olhos, mas o Homem de Ferro enxerga aí uma oportunidade para organizar melhor os heróis.

Adaptada com sucesso para o cinema, Guerra Civil é o tipo de evento que não dá pra ficar indiferente, com fãs tomando partido de cada lado da batalha e um questionamento muito interessante sobre vigilantismo e responsabilidade.

1 – Desafio Infinito (133 pontos)

Você viu o filme, certo? Então já deve fazer ideia do quanto a história de Jim Starlin, George Pérez e Ron Lim é sensacional. A luta pela Manopla do Infinito levou os maiores heróis da Terra, e até alguns de galáxias distantes, a confrontar Thanos, o titã louco! Mas talvez o preço a pagar pela vitória seja mais amargo que todos os envolvidos imaginam!

Fica aqui uma menção honrosa para O Soldado Invernal¸ que teve apenas um ponto a menos que Carnificina Máxima, mas serve como lembrete de como a Marvel foi bem-sucedida em adaptar suas histórias para outras mídias. Reparou quantas dessa lista foram para o cinema?

E você, popnauta? Quais são as suas histórias preferidas da Marvel? Deixe seu comentário, mas lembre-se que essas listas são apenas uma pequena amostra do que temos nos gibis. O negócio é ir até a banca, ou a alguma loja online, e começar a fazer sua própria coleção de clássicos!

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.