ARANHAVERSO e sua teia de virtudes….

Olar popnautas, como vão? Deram-me a dura (e nobre) missão de falar sobre ARANHAVERSO. Digo nobre porque é uma animação foda pra caraio, talvez um dos melhores filmes feito sobre o Homem-Aranha e seu legado (quem eu quero enganar? Não engano nem minha mulher, quanto mais vocês! É o melhor mesmo e ponto final), e dura porque é uma animação tão boa, mas tão boa que fica difícil de criticar sem ficar babando no teclado como um nerd Ovomaltine criado a leite de pera.

Pare para pensar, querido fã: os caras vão fazer uma animação sobre Homem-Aranha, direto para os cinemas, e resolvem pegar logo o tema de multiverso e realidades alternativas. Isso, para o público acostumado com os quadrinhos, pode ser maravilhoso, mas, se não for bem trabalhado, vira uma confusão, um enredo de idas e voltas com várias versões do mesmo personagem pode se tornar intragável para alguém que só conhece o Aranha dos desenhos e do cinema.

Mas não é que os caras dão um show? Começando com o Milles Morales, a versão que exita, mesmo com poderes, em suceder o Homem-Aranha do seu universo, morto covardemente pelo rei do crime, mas acaba encontrando, após um experimento científico que abre as portas do multiverso, um Peter Parker mais perdedor que o normal, uma versão totalmente fora de forma, frustrada, divorciada e vivendo um pós morte da tia may, um que a “sorte dos Parker” pisou em cima com gosto e deixou marcas, fazendo-o desacreditar de si mesmo. São essas duas versões que brilham na tela, numa relação meio pai e filho, professor e aluno, eles vão aos poucos mudando, crescendo juntos, aprendendo e, no caso do Peter, reaprendendo, em cada momento do filme, aquela velha frase “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, sem em nenhum momento ser clichê ou piegas.

E é nessa toada que se abre as portas do multiverso e vão sendo apresentado os outros personagens: a SpiderGwen (numa realidade que a Gwen que levou a picada da aranha e o Parker que morreu), SpiderHam (imagina o gaginho dos Lonney Tunes com a personalidade do Pernalonga e traços cartunescos), um MechaSpider pilotado por uma adolescente tirada diretamente de um anime e o SpiderMan noir, que luta contra nazistas, é desenhado em preto e branco e tem a voz do ídolo do Fader: Nicholas, the man, Cage. Bicho, juntar essa galera toda, desenvolver bem, dar espaço de tela para todos, e fazer cada um deles com um traço de desenho e animação específico, é, no mínimo, amar o material com o que está trabalhando e fazer os fãs amarem ainda mais assistir esse Filmaço

O resto é simples, a galera se une para lutar contra os experimentos do rei do crime, que podem destruir toda a realidade. Miles cresce como pessoa, e vira o herói que estava destinado a ser. O bem vence o mal e todos voltam para casa, tudo isso embalado em cenas de ação animadas com uma qualidade irretocável e uma trilha sonora belíssima.

No final esse filme faz o que promete, traz no coração do fã do cabeça de teia a alegria de ver seu universo soberbamente retratado e faz aquele que ainda não conhecia esse universo se apaixonar e querer saber mais. Não a toa ganhou o globo de ouro e o Oscar de melhor animação, é um filme para gerações, um filme para família, para o Peter Parker que mora nos corações dos velhos nerds e os pequenos Miles Morales que acabaram de entrar nessa teia de aventuras.

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Pai Fader

Pai fader - Um homem de bem com a vida, cheio de espiritualidade, com uma visão holística sobre esse misterioso mundo pop