Apokolips War é o mais sombrio filme animado da DC!

Desde Os Novos 52, o Universo Animado da DC Comics procurou seguir a atmosfera que víamos nos quadrinhos: novas versões dos personagens, com origens e visuais que evocavam os gibis. A nova identidade visual foi levada bem a sério – e tanto a editora quanto as animações foram até onde deu. O Universo DC nos quadrinhos sofreu um reboot suave, que trouxe de volta as versões mais icônicas e conhecidas dos personagens, com uma cronologia mais próxima da que foi estabelecida após Crise nas Infinitas Terras.

Agora o Universo Animado também é encerrado para que haja um novo começo. A linha cronológica, que vinha desde a animação Justice League: the Flashpoint Paradox, de 2013, teve 15 animações, mostrando histórias baseadas nos quadrinhos, mas com certas liberdades criativas. A diferença mais gritante ficava por conta das altas doses de violência: mortes, decapitações, desmembramentos e mutilações diversas eram frequentes nos filmes. Um mundo novo que nos lembrava o que Universo DC tinha se tornado, nos gibis e no cinema.

Vai contando os mortos aí.

Com a nova cronologia do Universo DC sendo estabelecida nos quadrinhos (leia mais aqui), chegou a hora dessa linha do tempo das animações se encerrar. A despedida foi em grande estilo: Justice League Dark: Apokolips War não poupa (quase) nada em seu rastro de destruição. Sem medo das consequências, e com referências sutis a A Pedra da Eternidade, de Grant Morrison, o que vemos aqui é um dos melhores filmes animados do Universo DC. E também o mais violento.

Se quer meu conselho, pare de ler aqui porque vou mandar spoiler sem dó – e, sim, é melhor ver o desenho primeiro. Eu fui assistir sem ter a noção exata do que ele significaria, então fui pego de surpresa em diversas cenas, desde o começo do filme. A ideia desse review é falar o quanto esse dia foi loko, mas não tem como fazer isso sem spoilers. Então não vou tapar o sol com a peneira: continue por sua conta e risco.

“Você terminou de assistir GoT sem mim?!”

A Terra está na mira de Darkseid! O tirano Novo Deus de Apokolips vem conquistando e destruindo mundo após mundo – e, após duas tentativas fracassadas de conquistar a Terra, chegou a hora de lançar a investida final! Superman e a Liga da Justiça têm outros planos: eles vão se lançar num ataque a Apokolips para que ele sequer tenha chance de começar sua invasão! Batman, Mulher Maravilha, Cyborg, Flash, Aquaman & Mera, o Caçador de Marte, Lanterna Verde, Ravena, Shazam, Gavião Negro, Lex Luthor e muitos outros recebem a ajuda de Zatanna e John Constantine para o ataque! Na Terra, os Novos Titãs ficam responsáveis pela defesa do planeta! O único problema? Darkseid sabe dos planos dos heróis e está esperando por eles!

A Liga da Justiça é massacrada pelos Paradooms – parademônios de Darkseid infundidos com o DNA kryptoniano que deu origem ao monstro Doomsday! As criaturas não têm piedade! Alguns heróis, como Shazam, escapam com severos ferimentos! Outros, como Aquaman, são trucidados! Constantine, inexplicavelmente, foge ao ver Zatanna ser dilacerada pelos monstros! Batman, Superman, Mulher Maravilha, Flash, Cyborg são feitos prisioneiros – Mera, Gavião Negro, Caçador de Marte e Estelar são transformados em escravos!

E fazem cosplay do Mandíbula, do desenho do He-Man

Dois anos depois, a Terra já virou um campo devastado pelas forças de Darkseid! Ravena e um Superman sem poderes vagam por Londres até encontrar Constantine se afogando em whiskey e auto-piedade! Sua única companhia, um deprimido Etrigan, sequer se importa em rimar! Superman recebeu uma tatuagem no peito em forma de S feita com kryptonita líquida, por isso está sem poderes. Ele convence Constantine a ajudá-lo em uma última investida – enquanto Ravena luta para manter sob controle seu pai, o demônio Trigon!

Eles vão para um templo da Liga das Sombras, agora liderada por Damian Wayne! Ele culpa Superman pelo fracasso em deter a invasão de Darkseid – mais do que isso: o próprio Batman foi torturado na Poltrona Mobius, tornando-se o mais cruel escravo do senhor de Apokolips! Contudo, ele acaba concordando em se unir ao grupo, sabendo que é a última esperança de fazer com que o Cavaleiro das Trevas rompa o controle mental a que foi submetido!

“Essa poltrona não prova nada, Comissário.”

A equipe vai então para Metrópolis, onde Lois Lane está recrutando vilões para a resistência – e aí temos o ponto fraco do filme. Os internos da Ilha Striker tomaram o controle da prisão e, com a morte de Amanda Waller, Arlequina passou a liderar o Esquadrão Suicida – e o único jeito de convencê-la a ajudar é em combate. A luta mano-a-mano entre Lois, e seu resultado, é uma grande bobagem – mas o importante é que o Esquadrão, com Capitão Bumerangue, Mulher Leopardo, Tubarão Rei e Bane, entre outros, vai seguir o plano de Superman!

Darkseid está usando três máquinas chamadas Ceifadoras em diferentes pontos do planeta para extrair o magma do núcleo terrestre – algo que vai destruir o planeta no processo! O plano é atacar duas Ceifadoras com heróis que sobreviveram para distrair os exércitos de Paradooms, enquanto o grupo de Superman invade o prédio da LexCorp para usar o Tubo de Explosão de Lex Luthor, agora servindo a Darkseid! Ou será que não? Luthor tem sido um informante de Lois Lane e sabe quando mudar de lado pra garantir sua própria sobrevivência! Superman leva um grupo de heróis para Apokolips, enquanto outro fica na Terra protegendo o Tubo de Explosão! Um grupo de heróis sobreviventes ataca a Ceifadora na China e outro em Londres, enquanto Constantine convence o Monstro do Pântano a destruir a terceira, localizada na África (e sempre é bom ver o Monstrão usando seus poderes da forma mais violenta possível). Darkseid está em Oa, destruindo a Bateria Central dos Lanternas Verdes (e matando todos os lanternas no processo), então é Batman quem descobre o plano dos heróis e manda os Paradooms atacarem a torre da LexCorp. Superman e seu grupo enfrentam as Fúrias de Darkseid: heróis que foram desfigurados e sofreram lavagem cerebral! Mera, Caçador de Marte, Estelar e Gavião Negro seguem as ordens de Mulher Maravilha, que mata o demônio Etrigan! Constantine descobre um jeito de livrá-la do controle de Darkseid, usando seu laço mágico contra ela. Diana resolve enfrentar as Fúrias enquanto os heróis invadem a fortaleza de Darkseid. Eles encontram Cyborg, unido neurologicamente à rede de Apokolips, e o Flash sendo forçado a correr numa esteira para fornecer energia para o planeta! Eles libertam o Flash, mas não ha tempo para mais nada.

Darkseid chegou! E trouxe o Batman consigo!

Atira neles, carai!”

Damian enfrenta o Homem Morcego na esperança de fazer com que ele recupere o controle, mas é em vão. Só quando Darkseid mata o Robin usando a Sanção Ômega é que ele volta a si. Mas nem ele pode derrotar Darkseid, então Constantine liberta Trigon da joia que lhe serve de prisão, se oferecendo como hospedeiro – Trigon, no entanto, mata Constantine e possui o corpo do Superman! O SuperTrigon começa a SENTAR A BOLACHA na cara de Darkseid, um ataque furioso e sem misericórdia, com o poder demoníaco limpando o corpo do Superman da kryptonita líquida!

Temos dois belos momentos correndo em paralelo aqui: Constantine se vê no Paraíso Celestial com Zatanna, enquanto Ravena, livre da influência de seu pai, traz Robin de volta a vida – e passa a usar o uniforme branco da fase Wolfman/Pérez nos Titãs! Constantine descobre que não “fugiu” covardemente para deixar Zatanna morrer, mas foi vítima de um encanto dela que pouparia sua vida – um plano B de Batman caso tudo desse errado! Furioso, Constantine também é trazido de volta à vida!

Na Terra, Lois, Luthor e o Esquadrão Suicida precisam destruir a torre da LexCorp para impedir que os Paradooms voltem pra Apokolips – porém, não há como sair do prédio e eles precisam se sacrificar! Cyborg transmite a última mensagem de Lois para o SuperTrigon, que se liberta do controle do demônio! Trigon é aprisionado e um renovado Superman começa a SENTAR A BOLACHA na cara do Darkseid, como apanha esse desgraçado. Mas não há como derrotá-lo! Ele ainda é poderoso demais! Constantine, então, liberta Trigon e o lança contra Darkseid para que Cyborg possa teleportar os heróis de volta pra Terra – destruir Apokolips, encerrando definitivamente o mal de Darkseid e Trigon!

“Toca aí, truta”

Porém, na Terra, Batman descobre que as Ceifadoras extraíram o suficiente do magma do núcleo da Terra para condenar o planeta. Eles podem até conseguir salvar o mundo, mas um bilhão de pessoas deve morrer antes disso. Os heróis sobreviventes estão com cicatrizes, físicas e psicológicas. Só há um jeito de reverter isso.

Constantine convence o Flash a correr mais uma vez, mesmo esgotado.

Ele convence o Homem Mais Veloz do Mundo a voltar no tempo.

E alterar a História mais uma vez.

Um novo Flashpoint!

Com isso, o universo é reescrito – de uma forma que talvez não seja a correta.

Mas tem coisa que precisa corrigir mesmo.

“Você sabe o que precisa fazer, amigo” ele diz ao Flash. “Limpe o tabuleiro. Comece de novo. Algumas mudanças podem ser uma merda e podemos cometer os mesmos erros novamente. Não será perfeito. Mas será muito melhor do que o que temos agora.”

Em um grande clarão, essa linha cronológica se encerra e uma nova vai começar. A animação Superman: Man of Tomorrow, prometida para esse ano (saiba mais aqui!), será a primeira de uma nova linha cronológica, em sintonia com os quadrinhos atuais e um novo Universo DC.

Até que outro reboot aconteça…

A DC me obriga a beber.

Apokolips War é cheio de grandes e épicos momentos, humor bem sacado, personagens multifacetados (Ravena e Robin estão fantásticos!) e drama na medida certa. Muitos corações são partidos ao longo da história, dos personagens e do público – até a morte de Etrigan é comovente, pela bravura com que ele encara o fim. Provavelmente é o melhor filme dessa cronologia e seu final, mesmo brusco, não deixa personagens mutilados para trás. O clarão do novo Flashpoint traz a esperança de uma renovação das narrativas, uma mais facilmente reconhecível pelos fãs. Mais do que isso, Apokolips War teve muita coragem de dizer “já que não vamos mais trilhar esse caminho, vamos tacar fogo em tudo”. E a DC segue soberana no campo das animações.

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Raul Kuk o Mago Supremo

Raul Kuk - o Mago Supremo. Pai de uma Khaleesi, tutor de uma bruxa em corpo de gata.