AMERICAN GODS – 1ª TEMPORADA

AMERICAN GODS – 1ª TEMPORADA

Queridos amigos, já tem um tempinho que queria dar uma chance para esta série, mas outras prioridades sempre entravam na frente. Com o lançamento da 2ª temporada este ano, resolvi fazer uma pequena maratona e ver se a serie é boa como dizem (ou não).

American Gods adapta o livro de mesmo nome escrito por Neil Gaiman. Já conhecia o trabalho do autor de muitos anos, começando por Sandman, que é a capa de seu currículo: uma história em quadrinhos que mesclava conceitos de deuses, anjos, demônios, mestres dos sonhos, folclores, bíblia… Tudo de uma maneira bem guiada, com uma narrativa única e sempre com ótimos desenhos. Desde Sandman, Gaiman se mostrava um autor diferenciado, conseguindo trabalhar tanto na indústria de quadrinhos mainstream, quanto em seus livros. Atualmente tem se dedicado mais aos livros, e é o produtor de “American Gods”.

Eu já havia lido o livro “Belas Profecias” e me divertido muito (aguarde uma resenha deste seriado, pois, está na fila para ser visto), mas nunca havia lido “American Gods”. E, como sempre dizem que os livros são melhores que as adaptações, fiquei um tanto preocupado. Mas que se dane. Fui assistir ao show assim mesmo, pois, a graça de adaptações é essa mesmo, não?

A série nos apresenta Shadow Moon (nome bem curioso, não é? Parece o do vilão do Kamen Rider kkk), um presidiário que está contando os dias pra sair da prisão e encontrar sua esposa. Nesse meio tempo, descobrimos que ele foi preso por roubar um cassino, num plano que aparentava ser perfeito e idealizado pela sua esposa. Quando tudo dá errado, ele é condenado a 5 anos de prisão. Faltando poucos dias pra ser solto, a esposa morre num acidente de carro e Moon é libertado mais cedo para poder ir ao funeral. No aeroporto ele conhece um idoso que está aplicando um golpe para viajar de 1ª classe, além do Sr. Wednesday – que lhe faz uma estranha proposta de trabalho: ser seu guarda-costas. Só que antes de aceitar, ele precisa ir para o funeral da esposa.

Shadow Moon, mais perdido que cego em tiroteio

A partir de então, Shadow Moon inicia uma caminhada sem retorno de descobrimentos, decepções, corações partidos e um reinicio turbulento. Primeiro conhecendo a queda vertiginosa ao descobrir que a esposa o traia com seu melhor amigo e que ambos morreram num acidente de carro porque ela estava fazendo sexo oral no sujeito. Sem um norte pra guiar ou casa pra ficar, afinal ele não tinha amigos e nem parentes (estranhamente sua única parente era sua mãe, que havia morrido de câncer na juventude),Moon se entrega de corpo e alma para a proposta de trabalho do enigmático Sr. Wednesday.

Sim, é isso mesmo que você está vendo: uma coleção de Jesus

A série trabalha uma dinâmica bem conhecida pelos fãs de “Supernatural”, principalmente das primeiras temporadas. Wednesday e Shadow viajam por todo os Estados Unidos a fim de contatar o maior numero de deuses antigos para uma batalha com os novos deuses.  A série dos irmãos Winchester já fez, talvez até mesmo influenciado pelo livro do Gaiman, essa mesma proposta, de apresentar deuses adaptados ao cotidiano da raça humana. Em “Deuses Americanos”, não muda muito, apenas o conceito de como os deuses surgiram: através da fé dos humanos: se os humanos tiverem muita, mais muita fé, eles criam as diversas entidades.

Novos deuses

Shadow é apresentado a deuses da morte, do amor, da páscoa e até mesmo a um Leprechaun. Deuses antigos europeus que hoje habitam os Estados Unidos, e totalmente desprovidos de glorias ou riquezas. E é nesse interim que Wednesday quer entrar em guerra com os novos deuses, para que a centelha que habita em si não se apague e ele seja esquecido. Muito boa também a forma como Gaiman introduz os deuses dessa geração: Mídia (Gillian Anderson, de “Arquivo X” e “Hannibal”), Tecnologia (technical boy interpretado pelo jovem Bruce Lokangley), Mr World (como o nome sugere, é a globalização, interpretado de maneira incrível por Crispin Glover, nosso eterno George McFly). Esses novos e poderosos deuses estão num patamar hoje que controlam quem e como recebem a adoração. Assim como controlam se os antigos deuses devem ou não sobreviver. Afinal, com controle de Mídia e Internet, que maneira melhor para conseguir seguidores e permanecer imortal?

Um Leprechaun, uma zumbi e um Jinn

Há um desenvolvimento no decorrer da serie da personagem Laura Moon, a esposa infiel de Shadow. Ela busca uma forma de redenção, após os eventos que levaram a sua morte. Uma moeda mágica do Leprechaun a ressuscita. O problema? Ela retorna como um zumbi com super-força mas cujo corpo permanece em estado de putrefação por estar morta. E, ao que parece, o amor por Shadow, se correspondido, pode trazer vida ao seu corpo reanimado.

Orlando Jones, fazendo parte do time dos antigos deuses

A série é muito bem-feita tecnicamente. Uma fotografia limpa, com paletas de cores bem escolhidas. Dependendo do deus do episódio a variação de paletas de cores muda, dando personalidade ao episódio e aos personagens. Todo o elenco é muito competente. Ricky Whittle como Shadow desenvolve muito bem seu personagem que, incrédulo e sem ambição alguma, se comporta completamente resistente ao que vê – mesmo vendo coisas completamente surreais. Ian McShane faz um ótimo Sr. Wednesday. Nunca sabemos se o que ele fala é mentira, verdade ou apenas uma jogada para que tudo saia conforme seus planos. Ponto altíssimo para a seleção de atores da serie que ainda comporta gente do quilate de Peter Stormare e Orlando Jones.

A serie é perfeita tecnicamente, percebam as cores e seu contraste e a fotografia

Mas fiquei com a impressão que a serie carece de emoção e de alma. É evidente que há uma história a ser contada, mas não sei se eles não aproveitam bem a quantidade de episódios ou se são poucos para desenvolver tudo que se propôs. No final, ficamos como Shadow: um pouco perdido e bobo com a Primavera, e com o tanto de Jesus que aparecem na sua frente. E principalmente a grande reviravolta na trama não tem tanto efeito assim, pois ela é cantada diversas vezes. E fim. Exatamente assim. Óbvio que as consequências do episódio final são gigantescas e causam uma certa curiosidade temporária. Mas isso acaba depois de um tempo. Acredito que a série possa render mais com uma 2ª temporada e com os personagens já estabelecidos.

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Puyol Miranda

Uma simples testemunha da humanidade, que presencia todos os dias as grandes maravilhas de Deus. Além de presenciar o mais lindo momento de uma etapa de crescimento, me tornar pai. Sou analista de ti, leitor de quadrinhos, decenauta convicto e amante da tecnologia.